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Psicoterapia Fenomenológico-Existencial (Resumo para aula)

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universo cultural, também apresenta uma afinidade com a nossa concepção de valores - incluindo-se os conceitos de mundo, homem e de valores políticos e sociais - teremos todas as condições propícias para que a psicoterapia se desenvolva em toda a plenitude. 
Quando se fala no campo da psicoterapia, normalmente, esse nível de afinidades inexiste, uma vez que o relacionamento se fundamenta nas necessidades do paciente que busca um processo de libertação das amarras existenciais. O mais freqüente é paciente e terapeuta possuirem similaridades em nível cultural e as diferenças quanto à concepção de valores muito significativas. Nesse caso, torna-se necessário fazer um trabalho de garimpo dos possíveis obstáculos que eventualmente possam emperrar o desenvolvimento do processo. 
Saber desses detalhamentos a ponto de não permitir que eles interfiram no próprio desenvolvimento emocional do paciente é condição fundamental para que a psicoterapia possa ser conduzida; com pleno êxito. Além do mais, é sempre viável ter-se como verdadeiro que todo o tipo de relacionamento interpessoal precisa ser gratificante e prazeroso ou energizante senão, não há como se pensar num processo de desenvolvimento e crescimento pessoal que possa levar o paciente a situações reflexivas o qual culmina em momentos dolorosos e, ainda, possa ser definido por ele próprio como prazeroso. 
Podemos afirmar que as situações dolorosas, num primeiro momento, podem provocar o sangramento da própria alma e, depois, significar a necessidade de mudanças estruturais na condição emocional do paciente. Sabe-se, inclusive, do grande número de pacientes que encontram sua verdadeira condição libertária depois do enfretamento de situações dolorosas e que, muitas vezes, implicavam modos estruturais de sua maneira de se relacionar com o mundo e até consigo próprio. 
A psicoterapia como processo libertário não pode, em hipótese alguma, estar vinculada a determinismos oriundos de crendices populares e que dependem de uma fé irracional para se tornarem realidade. Não cabe a nós questionar a validade dessas crenças e o tanto que beneficiam as pessoas. O que nos interessa ressaltar é que o princípio maior da psicoterapia é ser um processo libertário que conduza o paciente a novas perspectivas existenciais independentemente de sua orientação teórica. 
Somos a própria realidade, a realidade do fenômeno de ser em toda a sua abrangência e perspectiva de historicidade. E o desvendar da consciência, propiciado pelo processo psicoterápico, é a construção de um novo prisma existencial que vai sendo elaborado no decorrer da própria existência, ainda que, muitas vezes, seja puído lentamente por situações de dor. Vagarosamente, a psicoterapia reconstrói o determinante de que a percepção foi uma inspeção do espírito e que a reflexão é somente a percepção renascendo para si mesma, a conversão do saber da coisa num auto conhecimento. É na psicoterapia que o paciente pode, ao lidar com diferenças conceituais de valores, dimensionar a importância dos fatos na própria realidade existencial, já que se envereda por caminhos distantes dos nossos e que, ainda assim, é possível uma compreensão diferente para a nova realidade conceitual. 
O que a psicoterapia promove de mais eficaz e surpreendente é que, após o término do processo, as mudanças ocorridas no campo perceptivo do cliente farão com que a sua postura diante da vida seja libertária. Não aceitamos determinismos teóricos das principais correntes da psicoterapia ou princípios religiosos, ou de qualquer ordem, que já “sabem”do indivíduo mais do que ele e que tiram dele o mais importante – A liberdade de escolha. 
A escolha pela psicoterapia como um processo libertário implica no abandono de princípios que aprisionam e estrangulam o desenvolvimento do cliente. 
É importante destacar que a busca da espiritualidade não implica necessariamente na busca de religiosidade. Ao contrário, os fatos revelam que diversas vezes não encontraremos os quesitos de espiritualidade em pessoas praticantes de determinadas religiões. A procura pela espiritualidade e transcendência é algo próprio da condição humana como já foi magistralmente mostrado por Victor E. Frankl. Trata-se, então, de se estabelecer que a busca pela espiritualidade presente na prática psicoterápica não leva, em hipótese alguma, à transformação da psicoterapia em prática religiosa, qualquer que seja a religião que possa embasá-la. 
O fato de alguém ser psicoterapeuta não implica que ele não seja praticante de alguma religião. O que importa é que seus valores religiosos fiquem distantes de sua prática. Na realidade, não apenas os valores religiosos devem ficar distantes, mas também o conjunto destes valores que se constituem no substrato pessoal e existencial e que podem influenciar de modo tendencioso a prática psicoterápica. O cliente não precisa de nenhum julgo a não ser o dele mesmo. 
A psicoterapia, todavia, deverá ir ao encontro dos anseios libertários do cliente, sendo ela mesma um processo teórico sem amarras e/ou revestida de preconceitos em que o fio condutor seja apenas a realidade existencial do paciente. 
- Sentimentos do psicoterapeuta diante do paciente 
Apesar de não ocorrer o toque corporal, em sua grande maioria, entre o psicoterapeuta e o paciente, as coisas que são confiadas e tratadas nesse espaço são de uma profundidade e intimidade incomparáveis e o terapêuta precisa estar consciente de tal entrega. 
A questão dos sentimentos do psicoterapeuta diante do cliente é incômoda e cáustica, pois nos direciona para detalhamentos significativos quanto ao êxito ou fracasso de um processo psicoterápico. 
Na medida em que somos donos de nossas percepções, podemos senti-las e experenciá-las das mais diferentes maneiras e somos igualmente cônscios de que a falta de parâmetros sobre elas poderá determinar desvios ao rumo da psicoterapia. 
O psicoterapêuta deve estar cônscio de que a psicoterapia é um processo em que se constrói um nível de intimidade interpessoal infinito, fazendo com que o psicoterapeuta seja depositário de sentimentos, desejos e angústias. Ele não deve usar desses sentimentos como referenciais. 
Enquanto psicoterapeutas, somos mais do que meros profissionais que se interessam pela complexidade da condição humana. Somos porta-voz das possibilidades de mudanças e transformação da condição indigna do nosso cliente. Podemos afirmar que a admiração é condição indispensável para que as relações humanas se aprofundem, incluindo-se aí o processo psicoterápico. Romper com esse vínculo pode ser por demais desastroso à vida do nosso cliente e a nossa. 
Não podemos atender uma pessoa por quem não tenhamos admiração ou que haja incompatibilidade, pois fica difícil imaginar a superação necessária do psicoterapeuta para realizar bom traballho. Tal admiração contudo tem limites e cabe ao terapeuta respeitá-los. 
A fluência do processo psicoterápico depende da harmonia entre a ocorrência dos detalhamentos e o modo como eles são conduzidos. Sem um sentimento de afeição e admiração, não há como se esperar solidificação na estrutura emocional do paciente nem a efetivação da vivência de suas possibilidades existenciais. 
Em termos de processo psicoterápico, que é nosso maior interesse, podemos afirmar que o apego igualmente deve existir e estar presente, mas em níveis que não prejudique o desenvolvimento do processo. O apego ao vínculo psicoterápico pode ser saudável e utilizado como coadjuvante ao desenvolvimento do paciente. Antes de qualquer coisa, ele será um instrumento a ser utilizado para levar o paciente a melhorar seu sentimento de auto-estima, além de fazer com que ele possa potencializar seus valores e se desenvolver em plenitude existencial. 
Compreender