A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
6 pág.
Aula_1_-_Texto_Periodizacao_Milton_Santos

Pré-visualização | Página 3 de 3

mais dotadas do ponto de vista técnico e financeiro tendendo a buscar uma localização onde o lucro potencial será mais forte, deixando o resto do território, ainda que com virtualidades naturais semelhantes, a firmas menos potentes. O mesmo raciocínio conduz a admitir que, numa mesma área assim instrumentalizada, a diferença de oportunidades entre produtores tende a aumentar rápida e brutalmente, após a instalação dos novos recursos técnico-científicos de conhecimento. Aliás, o arranjo de atividades e do respectivo poder econômico seria duplo: na escala da área instrumentalizada e na da região de que tal área é uma parte privilegiada.
O conhecimento exerceria assim — e fortemente — seu papel de recurso, participando do clássico processo pelo qual, no sistema capitalista, os detentores de recursos competem vantajosamente com os que deles não dispõem.
Notas:
(1) "Os meios naturais são, desde as origens da pré-história e por definição, meios relativamente técnicos: Homo faber. A partir do Paleolítico superior, os trabalhos do homem para defender-se, alimentar-se, alojar-se, vestir-se, decorar seus abrigos ou seus lugares de culto implicam técnicas já complexas. Inversamente, não conhecemos, mesmo nos centros mais urbanizados, meio técnico 'puro', do qual esteja excluída qualquer ação de elementos naturais (se bem que em última instância isto se possa conceber)." G. Friedmann, 1966, p. 186.
(2) "[…] a natureza não era apenas um quadro fixo, ela era também um regulador constante. As nossas ações se incorporavam rapidamente e tudo se podia experimentar sem grandes riscos, porque os equilíbrios naturais, fracamente modificados pela intervenção do homem, logo retomavam seu papel." G. Berber, 1964, p. 231.
(3) "A mecanização do espaço técnico é muito mais recente do que a 'mecanização da imagem do mundo', retomando o livro de Dijksterhuis. Ela somente se impôs ao longo dos dois últimos séculos, dos quais ela constitui o traço dominante, nos países ocidentais e no Japão. Ela se tornou um fenômeno planetário. Ela se metamorfoseia de 'geração' em 'geração'. Ela povoa o imaginário coletivo: a ciência-ficção somente imagina o futuro como sendo invadido e saturado por máquinas, às vezes dominado e às vezes aniquilado por elas." J.-P. Séris, 1994, p. 154.
(4) A esse respeito, P. Geiger (1993, p. 108) refere-se à "[…] divisibilidade das operações e sua dispersão geográfica, conduzindo a maiores especializações […]". A esse respeito, ver também D. Trinca (1993, p. 199).
1 Texto extraído do livro A natureza do espaço. São Paulo: Hucitec, 1996, p. 187-197. Disponível em:
<http://br.geocities.com/madsonpardo/ms/artigos/msa02.htm>. Acesso em: 20 mar. 2006.