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Apostila de Bioclimatologia I

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sol, água e objetos próximos. 
 
 
 A exposição do animal à radiação solar direta aumenta muito a carga 
de calor (carga térmica adicional) que ele recebe em relação aquela recebida da 
radiação solar indireta, refletida pelas nuvens, poeira no ar, solo e objetos. 
 A energia solar propaga-se por radiação sob forma de ondas 
eletromagnéticas de comprimentos diferentes, medidos pelas distâncias entre as 
cristas. 
 Além do efeito térmico, a radiação solar tem ainda uma ação química 
de sua radiação invisível ultravioleta e infravermelha e um efeito luminoso, visual. 
 A radiação química, além da conhecida ação benéfica sobre o 
colesterol da gordura subcutânea, transformando-o em vitamina D3 e assim 
contribuindo para fixação do cálcio no organismo, tem quando muito intensa, efeito 
prejudicial. Esta intensa radiação química pode produzir, sobre a pele pouco ou não 
pigmentada, uma inflamação com exsudação serosa, conhecida como eritema 
solar. Há evidências que parecem mostrar que a luz ultravioleta é capaz, através de 
uma reação fotoquímica, de lesar os tecidos a ela diretamente expostos, chegando 
a produzir tremores em bovinos, ovinos, caprinos e equinos, geralmente em áreas 
despigmentadas ou pouco pigmentadas, como: mucosa ocular, focinho e períneo. 
Nas regiões de grande altitude, onde a atmosfera mais limpa aumenta a 
intensidade da radiação solar, e de baixa latitude, onde a proximidade do equador 
também a acentua, pela perpendicularidade ou pouca obliqüidade dos raios solares 
e aumento da média diária de luz solar, é maior a incidência de tumores. 
 A ação luminosa da radiação solar faz-se sentir sobre o metabolismo, 
ativando-o. O maior número de horas de luz (primavera e verão) sensibiliza o 
sistema nervoso, não apenas através do globo ocular, estimulando a hipófise, e 
afetando através dele toda a atividade endócrina. Sobre o aparelho reprodutor, 
especialmente sobre os ovários, esta ação da luz é bem acentuada. Nos 
mamíferos, parece que a atividade sexual é controlada principalmente pela 
proporção de luz natural, havendo para cada espécie uma duração ótima de luz 
para a eficiência gametogênica mais elevada, ocorrendo fadiga ou exaustão 
temporária do mecanismo gonadotrópico-hipófisário após um período de atividade. 
 Em ovelhas e cabras, de clima temperado, verificou-se a possibilidade 
de conseguir-se outro período de reprodução, pela diminuição gradual das horas de 
luz na primavera e verão, porquanto é essa diminuição natural (outono) que 
determina a ovulação. Todavia, a cabra e a ovelha apresentam atividade sexual ao 
longo do ano devido a inexistência de variações anuais significativas no fotoperíodo 
em ambientes tropicais, principalmente perto do equador. 
 Nos bovinos o efeito da luz é diferente, favorável na primavera e 
verão, e menos intenso que nos ovinos e caprinos. 
 Na galinha consegue-se aumento na postura pelo prolongamento das 
horas de luz, no inverno, em clima temperado. A literatura cita, que a quantidade de 
luz a 22 lúmen/m2 é fundamental na produção de ovos. 
 As condições do animal consistem na coloração dos pêlos. De acordo 
com os princípios físicos, as cores claras refletem maior porção de radiação solar 
que as escuras, consequentemente absorvendo menos calor. 
 Observou-se as respostas de bovinos de raças diferentes durante 
duas horas e meia sob sol de meio dia e temperatura do ar de 33ºC, concluindo que 
a cor branca da pelagem oferece a mais alta reflexão da energia solar e a negra a 
menor, todavia uma pelagem curta e suave permite bom esfriamento e convecção 
evaporativa. 
 
 
 
50
 O pêlo de cor clara, branco ou creme, reflete uma proporção maior de 
calor através de ondas infravermelhas, do que o pêlo vermelho ou negro. A 
pelagem branca e lisa associa baixa elevação da temperatura corporal com 
atividade resfriadora, ao contrário da pelagem crespa e escura. A pigmentação 
negra (melanina) da pele, absorve totalmente a radiação ultravioleta anulando a 
ação eritematosa (queimaduras de sol). Como já foi reportado, a pele sem 
pigmentação é muito susceptível a queimaduras de sol e a sofrer danos por 
fotosensibilidade. O ideal e conjugação de pelagem branca ou creme com pele 
negra, característica que se apresenta na maioria das raças de bovinos tropicais. 
 HAFEZ realizou um estudo, comparando o tipo de pelagem de varias 
raças de bovinos com relação a reflexão de calor proveniente de radiação solar 
direta durante 30 minutos, com temperatura ambiente de 33ºC. Verificou ser a 
pelagem branca que mais reflete calor e a preta menor, conforme Quadro 7. 
Segundo este autor, a pelagem curta e lisa (brilhante) facilita a dissipação de calor 
corporal. 
 
 
QUADRO 7. Cor do pelame em bovinos e reflexão do calor da radiação solar direta. 
 
 
RAÇAS E TIPO 
DE PELAGEM 
COMPRIMENTO 
DOS PÊLOS 
(MM) 
REFLEXÃO 
DE CALOR 
(Kcal/m2/h) 
TEMP. DA 
SUPERFÍCI
E DA PELE 
(ºC) 
AUMENTO 
DA TEMP. 
RETAL (ºC) 
AUMENTO 
DO ÍNDICE 
RESP. POR 
MIN. 
Brahma (branca 
e pelagem lisa) 
8 240 42 0,2 10 
A. Angus (preta 
e pelagem lisa) 
10 60 51 1,1 80 
Shorthorn 
(vermelho, tam. 
Pequeno e 
crespo) 
 
22 
 
130 
 
51 
 
1,5 
 
114 
Shorthorn 
(rosilho, tam. 
grande, 
pelagem áspera 
e grosseira) 
 
40 
 
120 
 
53 
 
1,6 
 
162 
 
 
 
 Em observações feitas na África, concluiu-se que as radiações 
solares podem ser absorvidas ou refletidas, segundo o tipo de pelagem. A pelagem 
de cor preta transforma todas as radiações em calor, havendo diferença de 40% 
entre a pelagem branca e pelagem preta. No mesmo ensaio foram observados 
valores referentes a pêlos de verão e de inverno, direção dos pêlos, pêlos longos e 
curtos, etc., concluindo-se que para os efeitos de radiação a cor do pêlo tem 
importância fundamental, sendo secundárias as outras características. 
 Em bovinos, verificou-se uma absorção de 78% de radiação no 
Afrikander vermelho e 78% a 80% em Red Shortorn. 
 Observação feita na África do Sul mostrou que uma vaca com 
pelagem castanha, exposta ao sol, absorveu aproximadamente três vezes mais 
calor do que o calor por ela produzido no mesmo período. Na sombra, a absorção 
de calor foi reduzida em cerca de 70%. 
 
 
 
51
 Outras observações feitas também na África do Sul, mostraram a 
seguinte variação na percentagem média de absorção: 
 
• Raça Aberdeen Angus, pelagem preta - 89% 
• Raça Sussex, pelagem castanha - 83% 
• Raça Afrikander, pelagem vermelha - 78% 
• Raça Simental, pelagem creme - 50% 
• Raça Zulu, pelagem branca - 49% 
 
 Estas mesmas observações mostraram, como era de esperar 
acentuada variação da absorção, conforme o ângulo de incidência da radiação (de 
acordo com a posição do sol), conforme a Figura 11. 
 Nos Estados Unidos, registrou-se em 1000 unidades de radiação, 
essa mesma tendência com relação ao percentual de absorção do calor em função 
da cor da pelagem de bovinos, conforme Quadro 8. 
 
 
QUADRO 8. Variação do percentual de absorção e reflexão do calor em bovinos. 
 
 
 
RAÇA COR REFLEXÃO ABSORÇÃO(%) 
Aberdeen Angus Preta 4,5 95,9 
Santa Gertrudis Vermelha 28,0 72,0 
Jersey Amarela 40,0 60,0 
Zebu Branca 53,0 47,0 
 
 
 
 Segundo a literatura, a combinação mais indicada para os trópicos é a 
de pêlos claros em pele pigmentada, recurso fenocrônico que se encontra nas 
raças zebuínas. 
 As pesquisas realizadas em bovinos, autorizam as seguintes 
conclusões relativas à radiação solar: 
 
⇒ Na escolha das raças européias para formação de novas raças, cruzamentos, 
etc., no que se refere à cor para nossas condições deve-se dar preferência aos 
bovinos de pêlo branco e pele pigmentada; 
 
⇒ Não há conveniência em branco com branco e preto com preto. 
 
 Vários trabalhos tem demonstrado a influência negativa, deletéria da