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Apostila de Bioclimatologia I

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calor, sendo, portanto, mais tolerantes. 
 A comparação de bubalinos das raças Jafarabad, Mediterrâneo e 
Murrah foi efetuada por VILLARES, verificando não haver diferença entre raças, 
quanto à tolerância ao calor. Na comparação entre bovinos e bubalinos, VILLARES 
verificou que os bovinos da raça Nelore tiveram maior tolerância ao calor, seguindo-
se os mestiços bovinos (3/4 Chianina x ¼ Guzerá; 3/8 Chianina x 3/8 Zebu x 
¼Charolês) como intermediários, e os bubalinos Jafarabad, em último lugar, como 
menos tolerantes ao calor. 
 BACCARI Jr. submeteu bubalinos da raça Mediterrâneo ao teste de 
DOWLING e correlacionaram os resultados com o ganho de peso de verão, de 
dezembro a fevereiro. Obteve um coeficiente de correlação r = - 0,69 (P<0,05) 
demonstrando que aproximadamente 48% da variação do ganho de peso foram 
explicados pela habilidade de tolerância ao calor. A correlação foi negativa no 
sentido de que, em geral, animais que recuperaram a temperatura retal inicial 
(estatisticamente) mais rapidamente exibiram maior ganho de peso. 
 MEDEIROS utilizou o teste de DOWLING, com a seguinte 
metodologia: após tomada da temperatura retal (Tr) dos animais à sombra, foram 
eles submetidos a um exercício forçado ao sol durante 10 minutos, tempo suficiente 
para que entrassem em hipertermia. A seguir, foram novamente conduzidos para a 
sombra, onde, após nova tomada da Tr, permaneceram em repouso, repetindo-se 
as mensurações da Tr de 15 em 15 minutos até 75 minutos. Os resultados do teste 
de DOWLING, utilizando-se o “teste” para amostras dependentes, mostraram que o 
ovino lanado (3/4 Corriedale x ¼ Romney Marsh) não recuperou a temperatura real 
inicial (anterior ao exercício) mesmo após 75 minutos de repouso à sombra. O 
caprino Bhuj recuperou-se aos 45 minutos, enquanto que os ovinos deslanados 
(Morada Nova e Santa Inês) recuperaram-se aos 60 e 75 minutos de repouso, 
respectivamente. 
 
 
4) Teste de RAUSCHENBACH & YEROKHIN 
 
 
 Com base numa crítica dos métodos existentes na determinação da 
tolerância ao calor, RAUSCHENBACH & YEROKHIN propuseram um novo 
procedimento para estimativa da tolerância ao calor em bovinos, suínos e ovinos. 
 Desenvolveram fórmulas usando o índice de tolerância ao calor (ITC), 
de acordo com a espécie animal analisada, assim: 
 
 
 
 
 
 
73
Bovinos : ITC = 2 (0,6 t2 - 10dt + 26) 
Suínos : ITC = 2 (0,7 t2 - 10dt + 22) 
Ovinos : ITC = 2 (0,5 t2 - 10dt + 26) 
 
 
Onde: 
dt = diferença entre a temperatura corporal (retal) a temperatura elevada 
(tarde) e temperatura corporal pela manhã (zona de termoneutralidade) 
t2 = temperatura do ar a tarde 
 
 A estimativa da tolerância ao calor de vacas Guernsey e Schwyz em 
lactação, fio efetuada por BACCARI Jr. obtendo os índices 75,4 para Guernsey e 
87,8 para Schwyz, concluindo-se possuírem as vacas Schwyz maior tolerância ao 
calor. Vacas Jersey revelaram-se mais tolerantes ao calor (88,4) que vacas 
Guernsey (79,2) segundo o trabalho de BACCARI Jr. 
 Mediante o teste de RAUSCHENBACH & YEROKHIN, BACCARI Jr. 
estudou a tolerância ao calor em bezerros zebus e sua correlação com o ganho de 
peso. A raça Nelore exibiu o mais alto índice de tolerância (77,2) seguida da Gir 
(74,6) e da Guzerá (69,7). Para as três raças agrupadas, o coeficiente de 
correlação entre tolerância ao calor e ganho de peso à desmama, foi r = 0,56 
(P<0,01) demonstrando que 31% da variação do ganho de peso puderam ser 
explicadas pela tolerância ao calor. 
 
 
5) O Modelo de FRISCH & VERCOE 
 
 
 As taxas de crescimento das raças bovinas européias são menores 
nas regiões tropicais que nas temperadas. As raças zebuinas estão bem adaptadas 
aos trópicos, no que se refere a sobrevivência, mas suas taxas de crescimento são 
também inferiores na zona temperada. Buscando analisar os motivos das baixas 
percentagens de crescimento, de ambos os tipos raciais, e determinar a melhor 
maneira de formar raças que cresceriam bem nas condições australianas, FRISCH 
& VERCOE estabeleceram um modelo simples para auxiliar na explicação de como 
os diferentes tipos de aças crescem com diferentes condições ambientais. Nesse 
trabalho o crescimento foi o único elemento da produtividade tomado em conta, 
contudo os autores advertem que os outros fatores devem ser considerados para 
decidir qual a raça mais adaptada a um conjunto particular de condições. 
 Os principais fatores ambientais identificados como causadores de 
diferenças marcantes, entre raças, quanto ao crescimento foram: o carrapato dos 
bovinos, os helmintos gastrintestinais, as elevadas temperaturas ambientes e a 
radiação solar, a ceratoconjuntivite infecciosa e as flutuações em qualidade e 
quantidade das forragens. As raças de Bos indicus, utilizadas no estudo, foram a 
Brahma e a Afrikander e a Bos taurus a Hereford x Shorthorn (HS) e ainda os 
cruzamentos entre ambos os tipos raciais: Afrikander x HS (AX) e Brahma x HS 
(BX). 
 A Figura 13 é uma representação esquemática do modelo, cada 
coluna está composta de seguimentos que representam a proporção de peso vivo 
aos 15 meses, relacionada com cada fator e que juntos, são os causadores de 
todas as diferenças de peso vivo entre as raças criadas em condições ideais. O 
seguimento inferior representa o peso aos 15 meses de cada raça criada nas 
condições de campo da Estação Experimental de Belmont, situada no trópico de 
capricórnio, Queesland, Austrália. Os pesos médios (kg) para cada raça: HS 260, 
 
 
 
74
Brahma 275, Afrikander 285, AX 310 e BX 320. Estes pesos refletem as 
percentagens de crescimento comparativo das raças que pastam juntas em 
condições de escasso controle de carrapatos, helmintos gastrintestinais; mesma 
carga de calor e sem que nenhum animal recebesse suplementação alimentar ou 
tratamento contra a ceratoconjuntivite infecciosa. 
 Cada um dos outros seguimentos representa a diferença de peso vivo 
aos 15 meses, atribuível a fatores limitantes genéticos ou ambientais para o 
crescimento. A amplitude dos correspondentes seguimentos varia segundo as 
raças, o que indica que cada fator limitante afeta o peso vivo em grau diferente 
segundo a raça. Com base em experimento realizado por TURNER & SHORT, os 
autores deste modelo observaram que os aumentos de peso vivo durante um 
período de 27 semanas devido a banhos carrapaticidas a intervalos de três 
semanas, foram de 27kg para a HS, 10kg para AX e 3kg para BX. Estas diferenças 
eram as causadoras de aproximadamente 40% das diferenças médias entre a HS e 
a BX em peso vivo aos 15 meses, em condições de campo. Embora os banhos 
aumentassem os ganhos em todos os grupos cruzados não resultavam em 
rentabilidade, já que unicamente produziam um pequeno aumento de ganho nos 
animais HS e AX, em comparação com as BX sem banhar. Nos animais Brahma e 
Afrikander, o efeito do banho será proporcionalmente inferior. 
 Ainda com base no experimento de KURNER & SHORT, os autores 
observaram que o aumento de peso devido ao controle de helmintos 
gastrintestinais foi de 18kg para as HS, 22kg para as AX e 1kg para as BX. 
Também, neste caso, a vermifugação torna-se antieconômica, já que as BX 
conseguiam aquele nível de crescimento sem receberem anti-helmínticos. Estes 
níveis de tolerância aos helmintos contribuíram com 30% da diferença observada 
entre a HS e a BX, e mais da diferença observada em condições de campo entre a 
AX e a BX em peso vivo. O efeito dos helmintos sobre os Brahma foi 
proporcionalmente inferior ao caso dos BX. 
 As elevadas temperaturas e a radiação solar afetam, em vários graus, 
as diversas raças. Tomando por base trabalhos experimentais, os autores relatam 
que as diferenças na tolerância ao calor contribuem com 15% da diferença de peso 
vivo dos animais HS e BX no campo. 
 Com relação a ceratoconjuntivite, concluiu-se que só exerce efeito 
importante no bem-estar do rebanho