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Apostila de Bioclimatologia I

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de 
cruzamento com raças européias (especializadas); 
⇒ Não devem ser subestimados; apresentam adaptação, baixo custo e 
patrimônio genético nacional. 
 
 
B) Bovinos de “baixa” cruza (tropical - europeu) com menos de 50% de gens 
europeus. 
 
⇒ Apresentam maior variabilidade genética do que animais de “alta” cruza e 
animais puros europeus, na maioria dos caracteres de importância 
econômica; 
⇒ Apresentam relativamente melhor eficiência reprodutiva, do que os animais 
europeus puros ou mestiços de “alta cruza” (europeus - tropical e/ou zebu), 
em condições de manejo, controle sanitário e alimentação inferior; 
⇒ De modo geral, capazes de se adaptarem as situações variáveis de meio 
ambiente. 
 
 
C) Bovinos de “média” mestiçagem (1/2 - 5/8 “sangue” europeu - comuns/zebu). 
 
⇒ Apresentam de modo geral, produção de leite superior aos animais de “baixa” 
mestiçagem; animais azebuados, zebus puros e comuns; 
⇒ Apresentam relativamente melhor eficiência reprodutiva do que animais 
europeus puros, e de “alta” cruza (europeus - zebu e/ou comuns) maior que 
5/8 de gens europeus) nos trópicos; 
⇒ Apresentam boa adaptação em climas tropicais, notadamente os animais em 
torno de ½ europeu - tropical. 
 
 
D) Bovinos europeus de “alta” cruza (maior que 5/8 de gens europeus) e puros. 
 
⇒ Sua utilização tende a ser limitada, as situações mais favoráveis, quando as 
condições climáticas, e notadamente a alimentação, controle sanitário e 
instalações, além das condições sócio-econômica-cultural da região e do 
centro consumidor; 
⇒ É indispensável controle sistemático de doenças e de endo e ectoparasitas; 
⇒ Animais europeus, apresentam problemas de crescimento, baixa fertilidade, 
baixa produtividade, alta mortalidade, principalmente na 1º idade, alta 
 
 
 
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ocorrência de abortos, comparado com animais zebus, azebuados, comuns, 
de baixa mestiçagem e média mestiçagem nas condições de criações nos 
trópicos. 
 
 Todavia esses animais podem apresentar uma boa performance nos 
trópicos com melhorias das condições do meio ambiente, principalmente com 
melhoria das condições de alimentação, controle sanitário e proteção das altas 
temperaturas (conforto térmico). 
 
 
 
MÉTODOS PARA MELHORAR A PRODUÇÃO DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS 
NOS TRÓPICOS 
 
 
1) Substituição do rebanho existente (local/regional - nativo) por rebanho 
especializado (aclimação direta), via de conseqüência o europeu. 
 Neste método deve ser considerado, a adaptação, alterações nos 
métodos de manejo, alimentação, sistema de criação e controle sistemático de ecto 
e endoparasitos e doenças infecto-contagiosas. Este é um método muito oneroso, a 
princípio. 
 
2) Programa de cruzamento (aclimação indireta). 
 A alternativa que se apresenta para reunir produção e adaptação em 
um só animal é o uso de cruzamentos entre raças que apresentam variáveis graus 
dessas habilidades. 
 
A) Reunir num só animal, características fundamentais de duas ou mais 
raças, ou obter combinações de efeitos novos; 
 
B) Obtenção da heterose dos caracteres de importância econômica; 
 
C) Reunir em um único animal, rusticidade/adaptação + produtividade, dos 
animais tropicais e europeus, respectivamente; 
 
D) Base para criação de novas “linhagens” que venha a ser utilizado no 
desenvolvimento de nova raça ou tipo. 
 A variação genética entre raças pode ser usada de três maneiras: 
 
1- Cruzamento absorvente. 
 
 Recomenda-se o cruzamento absorvente, utilizando-se fêmeas do 
rebanho e machos da raça desejada. Contudo esta modalidade de cruzamento só 
assegura bons resultados em ambientes propícios para a criação de raças 
especializadas. 
 
2- Pela combinação das características importantes formando uma nova 
raça - Formação de raças sintéticas. 
 
 Através da complementação desejável entre as raças existentes, 
visando a incorporação da adaptabilidade e produtividade pode-se formar novas 
raças, como exemplo desse procedimento temos as raças Lavínia, Pitangueiras, 
Jamaica Hope, etc. 
 
 
 
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 Contudo o programa de formação de novas raças requer um tempo 
excessivamente prolongado e uma população base numerosa, havendo ainda a 
perda de grande quantidade da eventual heterose obtida na primeira geração. Sem 
contar com a depressão provocada pela consangüinidade que eventualmente seria 
utilizada em programas dessa natureza. 
 Afora desses aspectos, existem nos trópicos os grandes problemas 
sócio-econômico-culturais e políticos, que praticamente invalida programas de 
pesquisa de longa duração. 
 
3- Uso permanente do cruzamento entre duas ou mais raças. 
 
 Uma das soluções, em países de clima tropical, para reunir 
produtividade (raças de clima temperado) e adaptabilidade (raças tropicais), em 
bovinos leiteiros. 
 Em geral, usa-se a combinação de duas raças de desempenho 
antagônicos, através do cruzamento simples ou rotativo. 
 No cruzamento simples de duas raças ocorre a maximização da 
heterose dos mestiços F1, para características de desempenho direto das matrizes, 
havendo, ainda, a necessidade de manutenção de um estoque de matrizes de raça 
pura (zebuino ou taurino). Contudo, no cruzamento rotativo de duas raças, ao cabo 
de algumas gerações, obtêm-se apenas cerca de 67% da heterose máxima, mas 
ele apresenta a grande vantagem em relação ao cruzamento simples de aproveitar 
as fêmeas mestiças, dispensando a necessidade de matrizes puras após a 1º 
geração, fato este de grande interesse econômico. 
 O sucesso na exploração dessas formas de cruzamento está ligado à 
escolha de raças que possuam adequado nível de complementação, em relação às 
características desejáveis. Dentre os grupos genéticos disponíveis considerando-se 
o desempenho em ambiente tropical, conforme a Quadro 15, as raças européias 
indubitavelmente, apresentam maior produtividade, precocidade e eficiência 
reprodutiva, enquanto as raças nativa e zebuínas em contrapartida apresentam 
melhor adaptação e pior desempenho em relação aos aspectos de produção e 
precocidade. Deve ser considerado que as raças nativas tropicais, em decorrência 
da maior adaptabilidade tendem, em geral, a mostrar maior eficiência reprodutiva 
do que as raças zebuinas. 
 A orientação para maximizar a heteroze deve ser conduzida para 
aumentar a heterose dos mestiços pelo uso de raças, valor genético aditivo. 
Entretanto, é necessário que elas apresentem o máximo de diferenças genéticas 
entre si, principalmente em características determinadas, em grande parte, por 
efeitos genéticos não aditivos (dominância, sobredominância e epistasia). 
 Os resultados de pesquisa sobre heterose nas principais raças 
leiteiras especializadas em zona temperada, mostraram que os efeitos da heterose 
são mais intensos em relação a sobrevivência de bezerros, eficiência reprodutiva e 
produção de leite, enquanto o peso corporal, porcentagem de gordura, persistência 
da lactação e eficiência alimentar demonstraram efeitos de vigor híbrido menos 
pronunciados. 
Em regiões tropicais o cruzamento com raças taurinas e zebuinas ou 
nativas, verifica-se evidência de alto grau de heterose para performance 
reprodutiva e produção de leite, enquanto a duração do período de lactação é muito 
pouco influenciada pela heterose. 
 
 Em resumo, três (03) pontos devem ser considerados em um plano de 
cruzamento para os trópicos, a seguir: 
 
 
 
 
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1º) Mestiços de 1º geração (F1), parece atender aquilo que técnicos e criadores 
buscam (produtividade e rusticidade); 
 
2º) A medida que aumenta o “grau de sangue” (% de gens) de uma das raças 
cruzantes (de modo geral as européias) aumenta-se os inconvenientes, e nem 
sempre, a qualidade da raça predominante; 
 
3º) Ideal parece ser conservar ou fixar através de geração sucessiva a heterose, 
demonstrado na