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Apostila de Bioclimatologia I

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mesmos 
como iguais entre si e unitários, variando apenas o final de cada um, conforme a 
direção desejada da seleção. 
 Por, exemplo, o aumento na espessura do pelame e no comprimento 
dos pêlos tem efeito negativo sobre o conforto térmico dos animais nas condições 
tropicais, por conseguinte foram considerados iguais a -1. Da mesma forma, o 
ângulo dos pêlos deve ser o mesmo possível, portanto o seu valor econômico é -1. 
Com respeito à pigmentação da epiderme, o valor deve ser positivo, já que quanto 
mais intensa a pigmentação, melhor a proteção proporcionada; por outro lado, a 
pigmentação do pelame deve ter um valor negativo, pois nas condições tropicais é 
mais vantajoso um pelame claro. 
 Com base nesses valores econômicos, SILVA e sua equipe 
calcularam o MGA agregado de cada touro classificando os animais em ordem 
decrescente de desiderabilidade. 
 Com base nos escores, foi indicado quatro touros para melhorar a 
população, relativamente à posse de um pelame mais claro, curto e assentado e 
pele mais escura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONSIDERAÇÕES SOBRE O EFEITO DO CLIMA NA PERFORMANCE DOS 
BUBALINOS 
 
 
 Como em outras espécies domésticas a temperatura corporal dos 
bubalinos varia conforme a idade, a prenhez, lactação, etc. 
 Os estudos tem mostrado que a temperatura corporal, a frequência 
respiratória e cardíaca dos bubalinos domésticos, à sombra, são mais baixas que 
as dos bovinos e zebuinos. 
 A média da temperatura corporal dos bubalinos também varia entre 
dias, decorrente talvez, das variações nos fatores ambientais. Como em outras 
espécies domésticas, tem sido observado uma estreita associação da máxima 
temperatura do ar, nas observações à tarde, com a temperatura corporal de 
bubalinos, em diferentes dias. 
 Os bubalinos ficam estressados se forem mantidos por algumas horas 
expostas aos raios solares, e não toleram temperaturas muito baixas, notadamente 
os egípcios e os indianos. Uma súbita alteração na temperatura do ar, a exposição 
de ventos frios ou a permanência em lugares com fortes correntes de ar podem 
levar ao esfriamento corporal, pneumonia e possível morte. Contudo, algumas 
raças de búfalos são exploradas em regiões frias e temperadas. 
 À sombra, sem barreiras ou pulverizadores, a frequência respiratória, 
temperatura corporal e freqüência cardíaca aumenta conforme aumenta a 
temperatura do ar. 
 Os búfalos com menos de um ano de idade são mais afetados pelo 
stress calórico do que os adultos, sendo que a temperatura corporal pode se elevar 
a níveis críticos, resultando em insolação. 
 Os bubalinos precisam de sombra e água, e a exposição prolongada 
à radiação solar direta, no tempo quente causa-lhes maior stress do que os 
zebuínos. A temperatura corporal e a frequência respiratória aumentam, a 
ruminação cessa, há demonstração de desconforto pela “alteração de 
comportamento” com escoiceamentos, movimentos da cauda e estiramento da 
cabeça. Após a exposição por duas horas ao sol, eles estarão ofegantes, salivarão 
e haverá descargas das fossas nasais e olhos; se deslocados para à sombra, e 
notadamente se tiveram condições de contato com a água, os animais irão se 
recuperar rapidamente. 
 Ventos quentes e secos aumentam o calor corporal, mesmo em 
animais que se encontram à sombra. 
 Os bubalinos eliminam muito pouco o calor corporal pela evaporação 
na superfície da pele; a eliminação de calor pela evaporação de água no aparelho é 
mais importante, junto com regulação física do calor corporal efetuada por 
condução. Em condições naturais, eles se mantém refrescados, enlameando-se 
sempre que a temperatura do ar estiver acima de 29ºC. Após uma hora de barreiro, 
a temperatura corporal voltará ao nível que foi registrado antes da subida diária, 
resultante do esforço de trabalho e da elevação da temperatura ambiente. 
 A pele dos búfalos é diferente dos bovinos europeus e dos indianos, 
em diferentes aspectos; a espessura total é em média a mesma, contudo a 
epiderme e particularmente a camada queratinosa é bem mais grossa. Existem 
aproximadamente em torno de 100 a 200 por centímetro de pele, cada qual com 
sua glândula sudorípara e glândula sebácea. Isto representa somente em média 
1/10 de densidade destas estruturas, na pele dos bovinos. O número de pêlos é 
determinado antes do nascimento, e à medida que o animal cresce, os pêlos irão 
tornar-se mais espaçados. 
 
 
 
107
 As glândulas sebáceas são bem mais espaçosas nos búfalos. A 
glândula sudorípara é um simples saco de forma ovalada ou em forma de um largo 
tubo enrolado. 
 A escassez de glândulas sudoríparas é claramente um resultado da 
vida semi-aquática dos ancestrais selvagens. 
 Segundo a literatura, desde que o habitat do búfalo é na sombra e/ou 
na água, a pele de coloração negra ou escura deve ser uma característica de 
defesa, mais do que uma proteção contra a radiação solar direta. Na ausência de 
uma proteção refletiva dos pêlos, tal como nos bovinos, a pele escura parece ser 
uma grave desvantagem porque esta absorve a radiação, quando exposta aos 
raios solares direto. Na sombra, contudo, o bubalino escuro irá atuar como um 
típico “corpo negro”, radiador de calor. 
 A cobertura com lama, que o búfalo de pântano adquire, é uma 
excelente proteção contra os raios solares e também contra os piolhos, bem como 
moscas mordedoras e mosquitos. Na América Latina alega-se que a lama 
igualmente proporciona uma proteção contra mordidas de morcegos hematófagos. 
 A produção de leite é mais baixa durante o tempo quente e tende a 
melhorar quando condições mais frias prevalecem. 
 Os bubalinos alimentam-se menos durante o tempo quente; além 
disso, a digestão de proteínas e gorduras é menos eficiente. 
 Os estudos reportam que isso se deve a uma perda da atividade das 
secreções digestivas do estômago. Os carboidratos são afetados em menor 
proporção. A maior diferença sazonal é na quantidade de água, que é perdida por 
evaporação. Estima-se três vezes mais no verão do que no inverno. 
 Um dos manejos necessários para que o calor adicional adquirido do 
meio ambiente seja dissipado, é a utilização de banhos ou pulverizações; a 
diminuição da temperatura corporal vai depender da duração e da temperatura da 
água. Segundo a literatura, os pulverizadores artificiais não surtem tanto efeito 
quanto o enlameamento, porém seu uso é preferível ao de barreiros contaminados. 
As correntes de ar aumentam a eficiência dos pulverizadores. 
 Os chuveiros ou banhos com água fria antes de cada ordenha são 
benéficos; telas molhadas mantém os locais de ordenha mais frios e aumentam a 
ingestão de alimento pelos búfalos, melhorando a produção. Em trabalho na Índia, 
a média diária de produção aumentou depois da introdução de telas úmidas, 
passando de 4,5 para 5,8kg de leite. 
 Novilhos Murrah na Índia, mantidos a sombra e diariamente 
pulverizados por dez minutos, demonstraram uma média diária de ganho de peso 
de 0,46kg. Um grupo similar de novilhos, sem sombra nem pulverização, obteve 
uma média de 0,40kg. 
 Os búfalos jovens com menos de um ano de idade, de tempos em 
tempos, poderão ser banhados durante os dias quentes, evitando principalmente a 
insolação, a perda de apetite e das condições físicas. 
 A conclusão geral será que, nos dias quentes, com temperatura 
superior a 29 - 30ºC, a temperatura corporal dos bubalinos somente poderá ser 
mantida normal, se os animais se enlamearem ou receberem frequentes aplicações 
de água fria, preferencialmente com ventiladores. 
 A sombra é o fator mais importante, e somente aplicações frequentes 
e maciças de água são de maior valia que a sombra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O DESEMPENHO DE CAPRINOS NOS 
TRÓPICOS 
 
 
1. Stress calórico e consumo de alimento. 
 
 
 Os caprinos, como demanda de produção,