A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
126 pág.
Apostila de Bioclimatologia I

Pré-visualização | Página 40 de 43

a termoneutralidade. Na realidade a retirada da ração no 
momento do pico de temperatura pouco adianta. O jejum forçado nos frangos faz 
com que os animais utilizem suas reservas de gordura como fonte de energia. 
Durante o catabolismo dos lipídeos na formação de corpos cetônicos, que 
 
 
 
118
provocam acidose metabólica. Esta condição pode compensar parcialmente a 
alcalose respiratória que está ocorrendo com o animal submetido ao stress de 
calor. Se faz salientar que esta prática de retirada da ração não deve ser utilizada 
para poedeiras, pois esta ave come pouco por hora e comerá menos ainda se for 
retirada a ração, podendo afetar seriamente o seu desempenho. 
 
 
 
 SISTEMAS DE RESFRIAMENTO PARA O CONTROLE TÉRMICO DE GALPÕES 
AVÍCOLAS 
 
 
 Dentre os fatores ambientais, os fatores térmicos, representados por 
radiação térmica, temperatura, umidade e movimentação do ar, são aqueles que 
afetam mais diretamente a ave, pois comprometem a manutenção homeotermia. 
Assim, um ambiente é considerado confortável para a ave, quando o calor 
resultante de seu metabolismo é perdido para o ambiente sem prejuízo de seu 
rendimento, ocorrendo em geral, a partir da 2ª semana de vida em ambientes com 
temperaturas de 15-18ºC a 22-25ºC e umidade relativa do ar de 50% a 70%, 
valores estes dificilmente obtidos nas instalações avícolas brasileiras. 
 Aliado a isto, verifica-se no Brasil, especificamente, que a criação de 
aves ocorre quase que maciçamente em instalações abertas, sem ambiente 
controlado, sendo que, por razões econômicas de curto prazo ou mesmo 
desconhecido, muito pouca observância se tem dado às fases de planejamento e 
concepção arquitetônica, compatíveis com a realidade climática de cada região (ou 
seja: basicamente não tem sido dada nenhuma atenção ao acondicionamento 
térmico natural, que é a técnica que baliza os procedimentos construtivos para que 
os espaços habitados apresentem as condições térmicas exigidas pelo animal, 
utilizando ao máximo os recursos da própria natureza, como a ventilação natural e o 
paisagismo circundante). Desta forma, constata-se que a freqüente situação de 
elevadas temperaturas dentro dos galpões avícolas, especialmente no verão, as 
quais geram desconforto térmico quase permanente às aves com prejuízo 
considerável à produção, é devida mais a má concepção e adequação do 
alojamento avícola, do que propriamente a adversidade climática. 
 Assim, detectado o problema de stress calórico tem-se buscado 
amenizar esta situação com utilização de tecnologias artificiais de 
acondicionamento térmico, as quais, na maioria das vezes, são incompatíveis para 
a realidade climática regional ou tecnicamente inadequados. 
 Inicialmente, é fundamental que a instalação contemple, ao máximo, 
todos os recursos do acondicionamento térmico natural, e somente no caso do 
conforto térmico não ter sido alcançado, deve-se lançar mão do adequado 
acondicionamento artificial, com envolvimento de sistemas de ventilação, 
aquecimento e resfriamento artificiais. 
 
 
1- Acondicionamento Térmico Natural 
 
 Considerando-se que o Brasil localiza-se ao sul da linha do Equador, 
predominantemente até a latitude 30º Sul, logo na faixa mais quente do globo 
terrestre, deve-se atender aos seguintes pontos na implantação do projeto: 
 
• Localização 
• Orientação 
 
 
 
119
• Disposição das construções 
• Proteção contra a insolação: coberturas 
 
 A proteção contra insolação direta é conseguida através da cobertura, 
sendo que os telhados mais usuais podem ser constituídos dos seguintes materiais, 
na seqüência de sua qualidade térmica, do melhor ao pior: 
 
⇒ isopor entre duas lâminas de alumínio 
⇒ sapê 
⇒ madeirit: madeira compensada, 6mm espessura, ondulada, revestida na 
parte superior por lâmina de alumínio. 
⇒ barro 
⇒ alumínio 
⇒ amianto 
⇒ chapa zincada ou ferro galvanizado 
 
 Pode-se ainda, utilizar-se alguns artifícios para melhorar as 
coberturas: 
a) Uso de forros sob a cobertura 
b) Pinturas com cores claras e escuras 
c) Uso de materiais isolantes 
d) Materiais de grande inércia térmica 
e) Uso de aspersão de água sobre o telhado 
 
 Como ainda: 
 
a) Largura do galpão e altura da cobertura 
b) Beirais 
c) Lanternins 
d) influência da vizinhança na cobertura 
e) Paisagismo circundante - renques de vegetação - quebra ventos 
f) Ventilação natural 
 
 
2- Sistemas de Acondicionamento Térmico Artificial em Instalações 
 
 
 Ventilação Forçada 
 
 A ventilação forçada é adotada sempre que os meios naturais não 
proporcionam o índice de renovação de ar e/ou abaixamento de temperatura 
necessário, apresentando a vantagem de ser independente das condições 
atmosféricas e de possibilitar o tratamento do ar (filtração, umidificação, secagem, 
etc.), e a sua melhor distribuição. 
 Os ventiladores usados nos alojamentos avícolas devem ser 
dispostos com o fluxo no sentido da largura do galpão, de formas a succionar ar 
fresco do exterior injetando-o para o interior e expulsando o ar viciado pelo lado 
posterior. Os ventiladores devem estar posicionados no sentido do vento dominante 
para que não tenham sua eficiência reduzida. Como no Brasil, a maioria dos ventos 
dominantes vem do sul, e como os galpões devem se orientados no sentido leste-
oeste, normalmente o sentido do ventilador é perpendicular ao comprimento do 
galpão. 
 
 
 
120
 Os ventiladores devem estar a altura correspondente a metade do pé 
direito da construção, onde o ar é mais fresco, com o jato direcionado levemente 
para baixo, sem entretanto incidir diretamente sobre a cabeça das aves; com isto 
consegue-se a retirada do ar quente e umedecido próximo a zona de ocupação das 
aves. 
 O número de ventiladores a ser usado num galpão de matrizes vai 
depender de sua vazão, do volume do galpão, da época do ano e da idade das 
aves. Aconselha-se que cada ave, em cada idade tenha garantida uma taxa mínima 
de renovação de ar e seja molestada com no máximo uma determinada velocidade 
de ar, conforme consta das tabelas. 
 Os principais objetivos da ventilação são: 
 
⇒ Eliminar o excesso de anidrido carbônico procedente do metabolismo das aves. 
⇒ Impedir a acumulação de vapores amoniacais (amônia) procedentes do esterco. 
⇒ Eliminar o excesso de umidade procedente da evaporação pulmonar, das fezes 
e bebedouros. 
⇒ Atenuar o calor excessivo. 
 
 Fatores que favorecem a produção de amônia dentro do galpão. 
 
⇒ Ventilação deficiente. 
⇒ Grau de umidade elevado na cama. 
⇒ Densidade populacional elevada. 
⇒ Quantidade e qualidade da cama. 
⇒ Temperaturas elevadas. 
 
 Consequências observadas nas aves, devido o excesso de amônia 
dentro do galpão: 
 
⇒ Diminuição do consumo alimentar. 
⇒ Redução da frequência respiratória. 
⇒ Lesões no aparelho respiratório. 
⇒ Conjuntivite. 
⇒ Quebra na produção. 
⇒ Maior pré-disposição das aves à infecções. 
 
 
 O Resfriamento da Temperatura do Ar 
 
 Um aspecto relevante, é que em alguns casos, em regiões 
extremamente quentes, a ventilação simples, natural ou artificial, pode ser 
insuficiente para promover o arrefecimento de temperatura. Isto porque a ventilação 
simples, não possibilita a redução da temperatura do ar a ser incorporado ao 
ambiente e, desta forma, a temperatura mínima que se conseguirá obter no interior 
do galpão será exatamente aquela do ar externo usado na ventilação, a qual muitas 
vezes assume valores muito acima do desejável. Neste caso, torna-se necessário 
promover o pré-resfriamento do ar que entra nas instalações. 
 Uma das formas mais efetivas de resfriamento do ar é o resfriamento 
adiabático evaporativo, o qual possibilita redução de até 12ºC nas regiões mais 
secas e em média 6ºC nas condições brasileiras. O sistema de resfriamento 
adiabático (evaporativo) pode ser obtido