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Apostila de Bioclimatologia I

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uma bolsa escrotal 
separada, aumentando a superfície corporal, de modo que a termorregulação é 
mais eficiente. A bolsa escrotal dos animas adaptados tem uma pele mais grossa 
que nos animais não adaptados nos trópicos. Nas raças adaptados aos trópicos e 
subtrópicos a veia espermática é muito mais tortuosa do que nos animais dos 
ambientes temperados. A capacidade para manter uma temperatura testicular 
menor que a do corpo, é mais importante para que se chegue a cabo uma 
espermatogênese normal. 
 Em suma, parece não haver adaptação vitoriosa quando se 
transplanta raças de animais domésticos entre regiões heteroclimáticas. 
 Um animal adaptado a um determinado clima e, comumente mais 
produtivo do que um não adaptado. 
 Existem diferenças genéticas com relação a adaptabilidade dos 
animais. Esta, pelo menos em parte, como já foi dita é devida as características 
morfológicas e anatômicas, que afetam a termorregulação. É importante a seleção 
de animais que tenham eficientes mecanismos de dissipação de calor, para o 
desenvolvimento de tipos mais adaptados aos trópicos, por conseguinte mais 
produtivos. 
 Se deseja trabalhar com animais oriundos de climas temperados nos 
trópicos tanto em ensaio direto ou indireto, através de cruzamento desses com 
animais tropicais é essencial ter um completo conhecimento da ecologia animal. É 
fundamental o conhecimento das isotermas que caracterizam as regiões dos 
animais de climas temperados. 
 É certo que nos programas de produção animal se deve considerar a 
altitude, o índice pluviométrico, pH do solo, temperatura, radiação, luz, umidade, 
vento, etc. e a interação destes fatores sobre a vegetação natural e a forma em que 
o animal relaciona-se com o ambiente total. Só aqueles animais que podem 
sobreviver e procriar regulamente nas regiões donde são colocados, serão de 
verdadeira importância econômica. 
 
 
CARACTERIZAÇÃO DO CLIMA TROPICAL 
 
 
 A zona equatorial, tropical e a subtropical incluem larga variação de 
climas: úmidos, semi-úmidos, semi-árido e árido, variando com a precipitação 
pluviométrica e topografia (variantes climáticas/sub-climas), conforme Quadro 1. 
 Variantes climáticas e microclimas são identificadas entre os trópicos 
de Câncer e Capricórnio e estão associadas a complexos de vegetação, desde 
florestas úmidas até desertos com arbustos. 
 
 
 
13
 A terminologia clima tropical não é uma unidade que poderá ser 
isolada e estudada. Regiões diferentes não são uniformes, e por isso não é 
possível falar de clima tropical típico. O clima varia com fatores não alteráveis 
como: latitude, altitude, distribuição de terra e água, e por fatores variáveis como: 
correntes de oceanos, ventos precipitação e vegetação. A interação de todos esses 
fatores resulta em microclimas específicos em localidade específicas. Porém, 
climas tropicais exibem algumas características comuns, e com exceção de áreas 
muito secas, a variabilidade de temperatura sazonal é diariamente pequena, sendo 
menor no equador. As temperatura extremas variam de 10 a 45ºC, amplitudes 
diárias relativamente altas, na faixa dos 20 a 25ºC. Geralmente o número de horas 
do sol e radiação solar total é dependente da quantidade de nuvens, o comprimento 
do dia é quase sempre constante, a variabilidade tem sido 30 minutos no Equador a 
60 minutos ou mais nos trópicos. É considerável a influência do vento no aumento 
da variabilidade climática. 
 Todavia, o mais importante fator determinante das diferenças no 
clima, com exceção da altitude, é a quantidade total e distribuição das chuvas, 
constante e regular do Equador, aproximadamente, 7º de latitude N-S, diminuindo 
progressivamente, até a faixa dos 305 a 2500mm. 
 A altitude influencia o clima de quatro maneiras: 
 
a) A temperatura média anual diminui de 1,7ºC para cada 305 metros que se eleva 
acima do nível do mar; 
b) Quanto maior a altitude maior a variação diurna na temperatura; 
c) A precipitação é mais intensa na maior altitude e os dias são mais nublados; 
d) Em altitudes mais elevadas a pressão atmosférica é mais baixa. 
 
 
 Caracterização regional dos climas do Brasil 
 
 
1) Região Sudeste: tipo tropical quente e úmido, com temperatura média anual de 
20ºC, umidade relativa de 60-80% e amplitude térmica diária de 5-9ºC. 
 
 Variante climática: tropical úmido 
 tropical de altitude 
 tropical propriamente dito (savana) 
 subtropical 
 tropical semi-árido 
 
 
2) Região Sul: tipo úmido com verões quentes mais invernos relativamente frios, a 
característica geral é o contraste da temperatura atingindo 15ºC no mesmo dia; 
alguns lugares no verão chegam a 40ºC, esses mesmos lugares no inverno 
chegam a 0ºC; sendo a média anual de 17 a 20ºC e a média no inverno menor 
que 10ºC. 
 
 Variante climática: tropical de altitude 
 subtropical com verões quentes 
 subtropical com verões suaves 
 
 
 
 
 
14
3) Região Norte: clima equatorial predominante (mais de 9/10) da região norte 
(bastante quente e úmido), com temperatura média anual de 25 a 27ºC, umidade 
relativa de 80-90% e amplitude térmica de 8ºC. 
 
 Variante climática: equatorial 
 tropical propriamente dito 
 
 
4) Região Centro-Oeste: caracterizada por inverno seco e verão úmido, com 
temperatura média anual que varia de 19 a 26ºC (com valores menores no sul e 
maiores no norte). 
 
 Variante climática: tropical propriamente dito 
 tropical de altitude 
 equatorial 
 
 
5) Região Nordeste: temperatura média anual de 22 a 27ºC e amplitude térmica 
de 3-4ºC. 
 
 Variante climática: equatorial (1/4 do Maranhão) 
 tropical propriamente dito (1/4 do Nordeste) 
 tropical úmido (região litorânea - RN, PE, AL, PB, SE, BA) 
 tropical semi-árido (mais ou menos 2/5 do Nordeste) 
 
 
QUADRO 1. Dados climatológicos sumarizados das regiões do Brasil. 
 
 
TIPO DE CLIMA MÉDIA ANUAL (ºC) PRECIPITAÇÃO 
PLUVIOMÉTRICA 
(mm) 
Equatorial 25,0 - 27,0 + 2000 
Tropical 18,5 - 26,0 < 2000 
Tropical úmido 19,0 - 24,5 1250 - 1750 
Tropical de altitude 17,0 - 22,0 1500 - 2500 
Tropical semi-árido 22,5 - 27,0 < 500 
Subtropical 16,5 - 19,0 1000 - 2000 
 
 
 
 Além da ação direta do clima os animais recebem ainda os efeitos 
indireto. A alimentação é quase exclusiva de pastos produzidos em solos inférteis 
por causa da intensa lixiviação, e apresentam estacionalidade de produção de 
forragem. 
 As gramíneas tropicais podem ter taxa máxima de crescimento 1,5 
vez maior que as temperadas. Contudo, a estacionalidade das chuvas e outras 
condições climáticas não permitem produção uniforme ao longo do ano, com 
excesso no período das águas (80%) e escassez na seca, além da baixa 
digestibilidade (45 a 60%), devido ao baixo teor de proteína e alto teor de fibra, 
consumidas em quantidades suficientes. 
 
 
 
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 Essa qualidade das forragens recebe influência de altas temperaturas, 
cuja incidência durante o crescimento, acelera o alongamento do caule e os 
processos de amadurecimento, ocasionando aumento nos tecidos celulares e na 
lignificação. 
 Os animais melhorados e selecionados para alta produção em climas 
temperados encontram dificuldades de aclimação nos trópicos, com alterações do 
padrão de comportamento; das reações cardiovasculares, da troca de energia, do 
balanço de água e dos parâmetros bioquímicos, o que resulta na redução da sua 
performance. 
 Na região tropical se o animal recebe alimentação e manejo 
adequado, mas não consegue estabelecer suficiente equilíbrio térmico com o 
ambiente, haverá desperdício de energia, porque esse equilíbrio ocorre em função, 
principalmente, do aumento da freqüência respiratória, energia esta que seria 
usada para as funções produtivas. 
 Assim, a adoção de