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Diagnostico por imagem

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ou radiolucentes (Fig. 2.4). Os 
primeiros são visualizados ao exame radiográfico simples, já os últimos necessitam de 
esofagograma para sua identificação, quando haverá interrupção parcial ou total da coluna 
de contraste na trajetória do esôfago, dilatando a luz do mesmo cranialmente ao corpo 
estranho. 
Os pontos onde mais frequentemente se instalam os corpos estranhos são: porção 
terminal de esôfago cervical (pela resistência à distensão na entrada do tórax), anterior à 
base do coração (pelas estruturas da região) e na porção terminal do esôfago (pela limitação 
proporcionada pelos pilares do diafragma). 
 
 Figura 2.3 – Imagens radiográficas de corpos estranhos radiopacos em esôfago de cão. 
 
 
 Figura 2.4 – Imagens de corpo estranho radiolucente (setas) em esôfago de um cão. Exame simples (A) e 
esofagograma (B). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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COMPRESSÃO ESOFÁGICA 
Pode ocorrer por aumento de volume de linfonodos mediastinais, hipertrofia ou 
neoplasia de timo, ou massas adjacentes ao esôfago (fig. 2.5). 
 
Figura 2.5 – Massa comprimindo o esôfago cervical (setas pretas). Exame simples (A) e esofagograma (B). 
Contraste impedido de progredir livremente (seta branca). 
 
RUPTURA DE ESÔFAGO 
Quando ao exame radiográfico simples for evidenciado ar nos tecidos adjacentes ao 
esôfago, deve-se suspeitar de ruptura ou perfuração do mesmo. Utiliza-se, então, composto 
orgânico para confirmar o diagnóstico, o que será demonstrado por extravasamento do 
contraste para fora da luz esofágica. 
 
DIVERTÍCULO ESOFÁGICO 
Não produz sinal clínico, a menos que seja muito grande. Pode ser congênito ou 
adquirido. Aparece, ao esofagograma, como uma saculação na parede do órgão. 
 
ESOFAGITE 
Diagnóstico pouco comum pelo estudo radiográfico. Pode levar a espessamento da 
parede em casos crônicos ou demonstrar irregularidade nas pregas do esôfago. 
 
ESTENOSE ESOFÁGICA 
Redução da luz por espessamento da parede, consequente a fibrose após lesão, 
tumor ou nódulos de Spirocerca lupi (fig. 2.6). 
 
 
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 Figura 2.6 – Nódulo de Spirocerca lupi em esôfago de cão 
(setas), produzindo estenose (não identificada 
nesta imagem). 
 
NEOPLASIAS 
Não são comuns em cães, sendo diagnosticadas, embora raramente, em gatos. A 
imagem radiográfica demonstra irregularidade da parede do esôfago, evidenciada ao 
esofagograma. 
 
HÉRNIA DE HIATO 
Esta alteração ocorre quando uma porção do estômago passa pelo hiato esofágico e 
penetra no tórax. A hérnia pode ser axial ou paraesofágica. A primeira ocorre quando parte 
do estômago escorrega intermitentemente para o tórax através do hiato. A segunda, quando 
parte do estômago penetra no tórax pelo hiato, lateralmente ao esôfago. 
 
INVAGINAÇÃO GASTRO-ESOFÁGICA 
O estômago invagina para o interior do esôfago e, eventualmente, leva junto porção 
do duodeno, baço e pâncreas, produzindo uma dilatação esofágica, que apresentará 
densidade alterada na porção terminal. Ao esofagograma é possível visualizar o padrão 
pregueado da mucosa do estômago na luz do esôfago. Observa-se, também, a ausência de 
qualquer imagem correspondente ao estômago na cavidade abdominal (fig. 2.7). 
 
 
Figura 2.7 – Esofagograma demonstrando intussuscepção gastro-esofágica em cão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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DILATAÇÃO PARCIAL DE ESÔFAGO 
Devido à constrição ou obstrução do esôfago, em determinado ponto, ocorrerá 
dilatação do órgão cranialmente a este ponto. Uma das causas mais comuns é o arco aórtico 
direito persistente (fig. 2.8). 
 
 Figura 2.8 – Esofagograma demonstrando dilatação parcial 
de esôfago (setas). 
 
MEGAESÔFAGO 
Observa-se aumento da luz do esôfago em toda a sua extensão, até a entrada do 
abdome. Às vezes dispensa o exame contrastado (fig. 2.9 A). Para preenchimento do órgão 
dilatado, é necessária uma quantidade de contraste bem maior que a recomendada para o 
esofagograma (fig. 2.9 B). Megaesôfago pode ser causado por acalasia ou tumor de cárdia, 
por exemplo. 
 
 
Figura 2.9 – Megaesôfago em cão. A- Exame simples demonstrando as paredes do esôfago (setas) e 
ar no interior. B- Esofagograma demonstrando quantidade insuficiente de contraste 
devido à grande distensão. 
 
ABDOME 
Ao avaliar-se o abdome como um todo, deve-se considerar tamanho, densidade e 
localização de cada órgão, bem como o conteúdo e o grau de repleção das vísceras ocas. 
Para detectar-se alteração, é indispensável ter conhecimento da imagem normal do 
organismo animal (fig. 2.10 e 2.11). 
 
 
 
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ESTÔMAGO 
Este órgão localiza-se na porção cranial do abdome, aparecendo parcialmente 
sobreposto ao fígado nas radiografias. Ao exame simples, pode ser facilmente identificado 
por conter, usualmente, gás no seu lúmen. Em posição VD, no cão, cárdia e região fúndica 
do estômago estão localizados à esquerda da linha média, ficando a região pilórica à direita. 
No gato, o estômago está localizado em sua totalidade no lado esquerdo, tendo o piloro na 
linha média. Na projeção lateral, dependendo do decúbito, a coleção de gás que tende a 
subir, se localizará na região fúndica (decúbito direito) ou na pilórica (decúbito esquerdo). 
 
 
Figura 2.10 – Abdome normal de cão. Incidência lateral (A) e ventro-dorsal (B). Fígado (seta 
longa preta), alça do intestino delgado (seta pequena branca), estômago (seta 
grossa branca) e cólon descendente com gases e fezes (seta grossa preta). 
 
Figura 2.11 – Abdome normal de felino. Cólon descendente (seta fina preta), fígado (seta 
branca), rins sobrepostos na incidência lateral e rim esquerdo na ventro-
dorsal (seta grossa preta). 
 
GASTROGRAFIA OU GASTROGRAMA 
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É o exame contrastado do estômago, sendo o sulfato de bário o meio de contraste 
indicado rotineiramente. Diante de suspeita de perfuração de parede, este deve ser 
substituído por composto orgânico. 
 
 
 
TÉCNICA: 
Visando avaliação do estômago, indica-se jejum de 8 horas previamente ao exame, 
se as condições do paciente o permitir. Presença de conteúdo no estômago após jejum, 
sugere obstrução ou espasmo de piloro. 
Com auxílio de seringa, via oral, ou através de sonda diretamente no estômago, 
administra-se o meio de contraste na dose de 5 a 12ml.kg
-1
 de peso do animal. 
Imediatamente, efetua-se a primeira radiografia, para avaliar a passagem do contraste para 
o duodeno (fig. 2.12), repetindo-se aos 5, 15, 20 e 60 minutos após, avaliando-se as 
imagens obtidas, até chegar ao diagnóstico. Indica-se incidências VD, lateral esquerda, 
lateral direita e, se necessário, DV e obliquadas. 
Nota: É importante que o paciente seja mantido em local tranquilo, 
preferencialmente, junto ao proprietário, para que o estresse não interfira na progressão do 
contraste. 
 
ALTERAÇÕES 
São sinais de desordem gástrica: dor abdominal, vômito, anorexia, podendo chegar 
a temperatura elevada, perda de peso, desidratação e fadiga. 
 
CORPO ESTRANHO 
Pode ser radiopaco, que será visualizado ao exame simples, ou radiolucente, 
evidenciado por pequena quantidade de contraste administrada que o envolverá. Plástico e 
vidro são exemplos de corpos estranhos radiolucentes. 
 
 
Figura 2.12 – Imagem do estômago de cão ao exame contrastado. 
 
TORÇÃO GÁSTRICA 
O estômago apresenta-se distendido por gases e / ou conteúdo alimentar e líquidos, 
com o piloro deslocado de sua posição normal. Este quadro caracteriza emergência, não 
sendo indicado o uso de contraste. 
 
 
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DILATAÇÃO GÁSTRICA 
O estômago apresenta-se distendido, permanecendo o piloro em sua posição normal 
(fig. 2.13). 
 
 Figura 2.13 – Dilatação gástrica