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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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de clima quente da África, Ásia, Europa, Estados Unidos e América do Sul.
Sintomas - Os primeiros sintomas ocorrem nas folhas e no caule, mas a desfolha, que se inicia na porção inferior da planta, evoluindo progressivamente até chegar ao topo, é o sintoma mais facilmente reconhecido.
As manchas foliares são inicialmente de coloração marrom, de margens irregulares. Com o início da produção dos conídios, a mancha assume uma coloração cinza-escura. As manchas podem ser observadas de ambos os lados da folha e possuem diâmetro de 2 a 6 mm, circundadas por um halo amarelo.
As lesões no caule são alongadas, de coloração avermelhada a marrom, que podem coalescer e descobrir boa parte do caule. A necrose fica limitada ao córtex.
Etiologia - O agente causal, Cercospora medicaginis, possui conídios hialinos, alongados a levemente curvados, multiseptados e de dimensões de 40-205 x 2-4 (m, que são produzidos em conidióforos fasciculados. O primeiro conídio é produzido no topo e quando é liberado deixa uma cicatriz característica. Um novo conídio é formado abaixo da cicatriz, originando um esporão ou curva no conidióforo, que é característico deste gênero. Não existe relato da ocorrência de uma fase sexual do fungo em alfafa.
As condições ideais para o desenvolvimento da doença são umidade relativa próxima de 100% e temperaturas em torno de 24 a 280C. A infecção ocorre primeiro nas folhas, atingindo posteriormente o caule. Os conídios produzidos são disseminados pelo vento e pela chuva. A germinação ocorre na superfície da folha, normalmente de 24 a 48 horas após a inoculação, desde que a umidade relativa mantenha-se elevada. O fungo sobrevive como micélio no caule.
ANTRACNOSE - Colletotrichum trifolii Bain. & Essary
A antracnose é a principal doença da alfafa nos Estados Unidos, sobretudo nas regiões onde o verão é chuvoso. No Brasil, é considerada, junto com a ferrugem, como a mais importante. Relatos de danos têm surgido recentemente na Argentina, Austrália, França e Itália.
Sintomas - A doença afeta o colo e a coroa da planta. Os sintomas variam de acordo com o nível de resistência dos cultivares. Nos mais suscetíveis, as lesões no caule são ovaladas, grandes e de coloração clara, com bordos marrons, enquanto nos cultivares mais resistentes elas são pequenas, alongadas e escuras. É possível observar os acérvulos do fungo nas lesões. Estas podem aumentar de tamanho e coalescer, levando muitas vezes à morte do caule e, conseqüentemente, do broto, que amarelece e seca. Ocorre também o escurecimento e posterior morte dos pecíolos.
A mais séria manifestação da doença é o escurecimento e a podridão da coroa, observada quando se retiram os caules mortos. No entanto, este sintoma pode ser confundido com outras doenças, que ocorrem simultaneamente no mesmo campo. Se os caules mortos forem arrancados da planta e uma leve descoloração parda for observada, o diagnóstico poderá ser murcha de fusarium ou podridão da coroa causada por Rhizoctonia.
Etiologia - O fungo Colletotrichum trifolii forma acérvulos que rompem a epiderme, exibindo setas escuras que variam em tamanho e número de acordo com a umidade e outros fatores. Os conidióforos são hialinos e produzem conídios que também são hialinos e não septados. Existem relatos da ocorrência de pelo menos duas raças distintas do patógeno.
Tentar isolar o patógeno colocando-se pedaços do tecido afetado diretamente sobre o ágar não é boa técnica, pois neste estádio a planta encontra-se colonizada por outros organismos saprófitas. O melhor procedimento é colocar os pedaços do tecido em câmara úmida no refrigerador por 2 a 3 dias, quando as lesões jovens produzirão massas de conídios livres de contaminantes.
O patógeno pode sobreviver em restos de cultura e equipamentos. Sua disseminação é rápida com alta umidade e temperatura. A chuva é importante para retirar os conídios das massas em que são formados e depositá-los sobre caules e pecíolos em crescimento.
MURCHA DE FUSARIUM - Fusarium oxysporum Schlechtend. ex Fr. f. sp. medicaginis (Weimer) Snyder & Hans.
A doença foi descrita pela primeira vez em 1927 nos Estados Unidos e atualmente encontra-se disseminada por todas as regiões produtoras do mundo, sendo sua incidência mais severa em clima quente. Afeta principalmente a coroa e as raízes das plantas.
Sintomas - O principal sintoma é a murcha das brotações, que nos estádios iniciais podem murchar durante o dia e recuperar a turgescência à noite. No começo do desenvolvimento da doença, apenas um lado da planta pode ser afetado. Após alguns meses, a planta morre. Estrias vermelho-escuras podem ser observadas cortando-se longitudinalmente a parte terminal da raiz principal, característica que diferencia este patógeno de outros agentes causadores de murcha. Em plantas afetadas por Verticillium a coloração é normalmente marrom.
Etiologia - O principal responsável pela murcha de fusarium em alfafa é o fungo Fusarium oxysporum f. sp. medicaginis, F oxysporum f. sp. vasinfectum raças 1 e 2 e F oxysporum f. sp. cassia também são citados por provocar sintomas semelhantes em alfafa.
Em meio de cultura, o fungo apresenta micélio cotonoso, com colônias variando em cor, de salmão pálido a violeta, dependendo da temperatura. O ponto ótimo para crescimento está em torno dos 250C. Os microconídios, sempre presentes, são de formato oval a elíptico, hialinos, com tamanho variando de 2,2 a 3,5 (m. Os macroconídios são fabricados, septados, hialinos e com dimensões de 25-50 x 4-5,5 (m.
Os clamidósporos têm diâmetro de 7-11 (m, são intercalares ou terminais no micélio, ocorrendo isolados ou em pares. É através deles que o fungo sobrevive no solo por vários anos, podendo ainda permanecer como micélio em restos de cultura.
O fungo penetra através das raízes ou de ferimentos, invadindo o xilema. O avanço da hifa no tecido é acompanhado por uma descoloração deste, resultante da ação das toxinas produzidas pelo patógeno. Os vasos do xilema ficam entupidos, causando a murcha e morte da planta. O progresso da doença no campo é lento, porém, após vários anos, ocorrem perdas consideráveis no estande de plantas. A severidade da doença aumenta quando existe a associação com nematóides formadores de galha (Meloidogyne spp.).
OUTRAS DOENÇAS
Além das descritas nesse capítulo, mais 8 doenças de origem fúngica foram relatadas no Brasil, sendo que cinco atacam as folhas e hastes, duas, o colo e a coroa e uma, a coroa e as raízes.
Míldio - Peronospora trifoliorum de Bary - A doença é bastante Importante em regiões frias e úmidas, afetando principalmente as folhas e hastes. Os tecidos atacados apresentam clorose e normalmente são pequenas áreas dos folíolos, mas que podem atingir todas as folhas e brotações se a infecção for sistêmica. As hastes infectadas são mais largas em diâmetro que as normais e possuem um crescimento em roseta no ápice. As folhas ficam enroladas ou torcidas. O micélio do fungo P trifoliorum, agente causal do míldio, pode ser observado na parte de baixo das folhas e apresenta-se como um crescimento cotonoso de coloração acinzentada. O fungo é um parasita obrigatório, que sobrevive no córtex das ramificações da coroa, nas brotações e ramos. A disseminação ocorre principalmente através do vento e da chuva. A germinação ocorre somente se houver água livre e entre as temperaturas de 4 a 290C, com grau ótimo em 180C.
Mancha Negra de Primavera – Phoma medicaginis Malbr. & Roum. var. medicaginis Boerema - É uma doença bastante destrutiva em regiões de clima temperado, sendo muito comum na América do Norte e Europa, onde causa reduções quantitativas e qualitativas. Manchas pretas com bordos irregulares aparecem nas folhas, coalescendo e tomando todo o folíolo, que posteriormente amarelece e cai. A doença afeta também as hastes da planta, que apresentam inicialmente lesões verde-escuras; na base da planta, lesões negras podem ser observadas. Quando a doença é severa, a haste fica estrangulada e morre. O fungo P medicaginis var.