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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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O vermelhão foi considerado a virose mais importante do algodoeiro, sendo detectado em todas as regiões produtoras. Plantas afetadas logo no início de seu desenvolvimento podem apresentar prejuízos na ordem de até 50%. Estimou-se anteriormente que o prejuízo à cotonicultura, em geral, era de 10%. Com a distribuição de novas variedades o problema do vermelhão passou a ter importância secundária, pois, nos últimos anos, sua incidência foi reduzida.
Sintomas - O início dos sintomas do vermelhão só pode ser detectado quando as plantas apresentam pelo menos 4 a 5 folhas definitivas, conforme estudos realizados em casa-de-vegetação mediante inoculação artificial.
Os sintomas mais visíveis consistem em áreas avermelhadas ou arroxeadas nas folhas inferiores e parte mediana da planta, geralmente limitada pelas nervuras. Antes de adquirir essa coloração, devido à incidência de luminosidade, ocorre uma clorose de difícil observação. Em algumas folhas pode ocorrer o avermelhamento por todo o limbo, exceto ao longo das nervuras principais e numa faixa estreita paralela a estas. Nos estádios mais avançados, os sintomas podem ser observados até em folhas superiores (Prancha 6.2).
Os sintomas provocados pelo vírus do vermelhão são semelhantes àqueles provocados por deficiência de magnésio. Vários outros fatores também provocam vermelhão como tombamento, broca da raiz, insetos e ácaros, queimadura do sol, algumas estirpes de AbMV, umidade do solo, toxicidade de produtos químicos, senescência das plantas e murchamento avermelhado. Deve-se considerar ainda, no caso do vírus, que existe também um teor de 30 a 40% menor de magnésio nas folhas, quando comparado a folhas sadias. Essa deficiência de magnésio não resulta da carência desse elemento no solo, mas sim de alterações metabólicas na planta.
Etiologia - O vírus do vermelhão (CAV) não é transmitido por sementes. E transmitido de planta à planta através do pulgão Aphis gossypii Glov., sendo a relação vírus-vetor do tipo persistente não-propagativa. O vírus pode manter-se de ano para ano em restos da cultura ou em plantas hospedeiras nativas como quiabeiro, kenaf (Hibiscus cannabinus), Sida micrantha, S. rhombifolia e Pavonia sp. O CAV é considerado uma possível espécie do gênero Luteovirus.
Controle - Realizando-se um bom controle do pulgão e destruindo-se plantas hospedeiras nativas, a doença será praticamente bem controlada.
Estudos têm mostrado que material genético de algodoeiro resistente a Xanthomonas campestris pv. malvacearum tem apresentado também bom comportamento para resistência ao vírus do vermelhão. As variedades atualmente em distribuição estão sendo plantadas sem problemas. Embora sem dados confirmatórios, a variedade mais recente, lançada em 1994 (IAC 22), deve apresentar bom comportamento a essa virose.
MANCHA-ANGULAR - Xanthomonas campestris pv. malvacearum (E.F. Smith) Dye.
A mancha-angular do algodoeiro ocorre de forma generalizada em todas as regiões produtoras de algodão da zona meridional. Dependendo do ano, pode provocar problemas mais sérios, principalmente nos Estados do Paraná e São Paulo. Devido à ampla disseminação e alta variabilidade do patógeno poderá constituir-se num grave problema para a cotonicultura, como já ocorre em outros países produtores.
Sintomas - Normalmente, a bactéria incide nas folhas, onde são observados lesões angulosas, inicialmente de coloração verde e aspecto oleoso e, posteriormente, de coloração parda, necrosada (Prancha 6.3). Comumente ocorre coalescência das lesões e, com o tempo, rasgadura do limbo foliar. Lesões angulosas podem ser observadas freqüentemente também ao longo das nervuras principais, e se a infecção ocorrer durante a formação da folha, estas podem engrunhir. Sintomas também podem ser encontrados em maçãs, onde, no início, observa-se uma mancha arredondada ou de forma irregular de coloração parda e deprimida na parte central. Normalmente, nessa lesão pode também ser encontrado o fungo Colletotrichum gossypii que, em conjunto com a bactéria, provoca a podridão das maçãs.
Etiologia - A mancha-angular é causada pela bactéria Xanthomonas campestris pv. malvacearum, que é muito resistente à dessecação, calor seco e radiação solar, podendo sobreviver por vários anos na semente, folha, caule e capulho infectados. A transmissão interna pela semente pode chegar a 4%, podendo o patógeno permanecer na mesma por até 56 meses. A disseminação da bactéria dentro do campo ocorre em razão de chuvas acompanhadas por ventos fortes. Essas condições favorecem também a infecção pois provocam encharcamento dos tecidos do hospedeiro e injúrias mecânicas, facilitando a penetração. Para ocorrer lesões nas folhas é preciso que os estômatos estejam abertos e os tecidos encharcados. Lesões nos ramos ocorrem geralmente pela movimentação das bactérias das lesões nas nervuras ou brácteas, através do parênquima cortical, para o córtex do caule.
Além da alta umidade (chuva) e vento, outro fator importante para o desenvolvimento de epidemias é a temperatura, que tem grande influência na manifestação dos sintomas, até mesmo em variedades resistentes. Nas condições do Estado de São Paulo e Paraná, sintomas da mancha-angular intensificam-se a partir de meados de dezembro, que corresponde à época chuvosa e de temperatura mais propícia ao desenvolvimento da doença. Até a presente data foram descritas 20 raças fisiológicas de X. campestris pv. malvacearum, baseando-se na reação em 10 hospedeiros diferenciais. No Brasil já foram identificadas 7 raças (3,7,8,10,13,18,19).
Controle - Há possibilidade de controle químico através de pulverizações de plantas com fungicidas cúpricos e/ou antibióticos, medida que tem sido adotada por muitos cotonicultores, mas que, por aumentar o custo operacional, só se justifica quando as condições forem extremamente favoráveis ao desenvolvimento de epidemias severas e quando a cotação do algodão no mercado estiver alta.
O tratamento de sementes através do deslintamento com ácido sulfúrico é uma das medidas de controle recomendáveis, visto que acarreta considerável redução do inóculo não só da bactéria, mas também de Colletotrichum gossypii, importante agente associado ao “damping-off”. Complementarmente, recomenda-se a rotação de cultura. Essas duas medidas, apesar de influenciarem apenas a quantidade de inóculo inicial, atrasando assim o início do desenvolvimento de epidemias, podem ser eficientes, pois a disseminação do patógeno dentro do campo não é muito fácil.
O método ideal de controle é o desenvolvimento de variedades comerciais resistentes, trabalho esse realizado principalmente pelo Instituto Agronômico cm Campinas, através da Seção de Algodão. As variedades CNPA Acala 1, H-10, H-182 e Deltapine Acala 90, cultivadas em algumas regiões, são altamente suscetíveis à X. c. malvacearum. Com o recente lançamento da variedade resistente IAC 22, as preocupações com o aumento de incidência da mancha-angular devem diminuir bastante. Esta variedade é recomendada para o plantio na zona meridional do Brasil (Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Bahia). A variedade IAPAR 71-PR3 também é resistente, ao passo que as variedades IAC 20 e IAC 21 mostram uma resistência relativamente menor.
MURCHA DE FUSARIUM - Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum (Atk.) Snyder & Hansen
A murcha de Fusarium ou fusariose é a principal doença do algodoeiro de ciclo anual, cultivado principalmente nos Estados de São Paulo e Paraná.
Conhecida no nordeste brasileiro desde 1935 e cm São Paulo desde 1957/58, a doença disseminou-se para outros estados. Sua importância gerou a necessidade de obtenção de variedades resistentes, pois é esta a única medida de controle economicamente viável.
Sintomas - Plantas doentes mostram um quadro sintomatológico bastante variável, dependendo do grau de resistência da variedade e das condições ambientais. Plantas afetadas são menores, com folhas e capulhos menores. Sintomas nas folhas iniciam-se pelas basais.