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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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Estas amarelecem, exibem crestamento do limbo e caem. Murcha das folhas e morte prematura das plantas ocorre em variedades suscetíveis. Em secção transversal do caule ou raiz, pode-se notar descoloração dos feixes vasculares, resultante da oxidação e polimerização dos compostos fenólicos do parênquima do xilema. Há obstrução do lume dos vasos pela formação de tilose, micélio géis vasculares, esporos, moléculas de dimensões coloidais, etc., resultando em resistência ao livre fluxo da seiva e, conseqüentemente, em sintomas de murcha (Prancha 6.4).
Etiologia - A doença é causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum (Atk.) Snyder & Hansen. Entre as formas especializadas de F oxysporum existem algumas que mostram alta especificidade de hospedeiro. Outras, entretanto, como F oxysporum, f.sp. vasinfectum, não são altamente especializadas, podendo apresentar hospedeiros alternativos, chamados secundários. O Fusarium do algodoeiro apresenta como hospedeiros secundários Tithonia rotundifolia, Cassia tora, Medicago sativa, Physalis alkekengi, Nicotiana tabacum, Glycine max e Lupinus sp. Por outro lado, o algodoeiro pode servir de hospedeiro secundário para as formae speciales apii e cassiae. No Brasil, há relatos de reprodução de sintomas de murcha de Fusarium através de inoculação de F o. f.sp. vasinfectum cm quiabeiro, quiabeiro-de-cheiro (Abelmoschus moscatus L.) e papoula-do-são-francisco. Aventa-se ainda a possibilidade de labe​-labe (Dolichos lab lab L.) ser também um hospedeiro.
Uma vez contaminadas, as áreas de cultivo permanecem nessa condição por um longo período, não só pelo fato do fungo produzir esporos de resistência, os clamidósporos, como também devido à sua sobrevivência em variedades resistentes do próprio algodoeiro, amendoim, mamoneira, soja, quiabeiro, etc.
A disseminação do patógeno pode se dar pela semente, externa ou internamente contaminada, e por partículas de terra contaminadas, arrastadas pelo vento e pela água. A disseminação a longas distâncias é atribuída a sementes contaminadas.
A infecção ocorre pelas raízes, sendo enormemente favorecida por nematóides, particularmente Meloidogyne incognita, M. incognita acnita e Belonolaimus gracilis. A influência de nematóides na expressão da murcha de Fusarium é tão profunda que o	controle tem de ser simultâneo, mesmo que se cultivem variedades resistentes. O efeito do nematóide não é o de simplesmente facilitar a penetração, mas também o de predispor fisiologicamente o hospedeiro à atuação do fungo.
Condições favoráveis ao desenvolvimento da murcha de Fusarium são, além dos nematóides, solos com alto teor de areia, de baixo pH, fertilidade desequilibrada, principalmente com baixo teor de potássio, temperaturas de 25 a 320C e alta umidade.
Foram determinadas seis raças fisiológicas de F o. f. sp. vasinfectum, assim distribuídas: EUA (1 e 2); Egito (3); Índia (4); Sudão (5); Brasil/Paraguai (6). Os hospedeiros diferenciais e as reações para as diferentes raças podem ser observados na Tabela 6.1.
Controle - Recomenda-se, em primeiro uso de variedades resistentes lugar, o obtidas a partir da década de 60 com as siglas RM, RM2, IAC RM3 e LAC RM4. Posteriormente, foram lançadas outras variedades com melhor produtividade e resistência, tais como a série IAC 16 a IAC 22. As variedades IAC 21 e LAC 22 apresentam bom grau de resistência à murcha de Fusarium, além de resistência a outras doenças importantes do algodoeiro (murcha de Verticillium, mancha-angular, nematóides e ramulose).
As variedades CNPA Acala 1, CS 50, Deltapine Acala 90 e CNPA Precoce 1 e 2 comportam-se como suscetíveis à murcha de Fusarium, sendo utilizadas atualmente em regiões onde a doença não ocorre de forma generalizada (Mato Grosso, parte de Goiás e Mato Grosso do Sul e Região Nordeste).
Além de variedades resistentes, recomenda-se rotação de cultura. Essa medida complementar é particularmente importante em solos com alto inóculo, tanto de Fusarium como de nematóides, pois, nessas condições, mesmo variedades resistentes podem sofrer graves danos. As rotações de culturas mais benéficas para o algodoeiro são com mucuna preta (Stizolobium aterrinum), amendoim (Arachis hypogea), Crotalaria spp.
MURCHA DE VERTICILLIUM - Verticillium dahliae Kleb
Embora seja observada com certa freqüência, esta doença é considerada de importância secundária porque ocorre em plantas isoladas, sendo, no entanto, muito importante nos E.U.A., México, Peru, Rússia, Argentina e Índia.
Sintomas - São muito semelhantes aos da murcha de Fusarium, sendo necessárias, para uma diagnose segura, técnicas laboratoriais que permitam o isolamento do patógeno e exame de sinais. Com as estirpes de Verticillium aqui existentes e plantio de variedades resistentes, sintomas desenvolvidos no campo são geralmente leves, manifestando-se somente em plantas adultas que sempre chegam a produzir um certo número de capulhos. Além disso, a murcha de Verticillium ocorre em plantas isoladas ou em pequenas reboleiras, notadamente em solos ricos de matéria orgânica. As estirpes mais severas, que surgiram nos Estados Unidos, podem induzir sintomas de clorose geral, com leve a extensa descoloração vascular no caule e epinastia, seguidos de repentino desfolhamento.
Etiologia - Verticillium dahliae é o agente causal desta enfermidade. O patógeno pode permanecer viável no solo por vários anos através da formação de microescleródios, mesmo na ausência de hospedeiros apropriados. Entretanto, por ser fraco competidor, tende a desaparecer rapidamente do solo. Sua disseminação é feita por sementes contaminadas, vento, água superficial e pelo próprio solo contaminado, que pode conter mais de 100 microescleródios/g.
O fato da doença ainda não ter sido observada em São Paulo em proporções epidêmicas pode ser atribuído à menor agressividade das raças do patógeno aqui ocorrentes, relativa resistência das variedades cultivadas e ausência de condições ambientais favoráveis. Das variáveis climáticas que favorecem o desenvolvimento da murcha de Verticillium, a mais importante parece ser a temperatura. Sob temperaturas baixas, entre 18-220C, sintomas são igualmente severos tanto em linhagens tolerantes como suscetíveis, independente do grau de agressividade do isolado. Já em temperaturas elevadas (320C), todas apresentam-se resistentes, ao passo que sob temperaturas médias (250C) uma boa distinção pode ser feita entre linhagens e isolados. A predominância de temperaturas altas durante o período vegetativo de crescimento previne o desenvolvimento de sintomas de murcha e promove a recuperação da planta doente, tornando possível cultivar o algodoeiro em presença de Verticillium.
Controle - O método mais eficiente de controle é o uso de variedades resistentes. Variedades recomendadas para controle da murcha de Verticillium são as mesmas recomendadas para Fusarium. Mesmo que surja uma raça nova, semelhante à que ocorre nos Estados Unidos, ainda haverá a possibilidade de usar esse método de controle, pois já foram localizadas boas fontes de resistência, inclusive uma em Gossypium hirsutum subsp. mexicanum var. nervosum que mostrou ser de herança monofatorial dominante. Entre as variedades distribuídas para plantio, as que têm bom comportamento frente ao Verticillium são IAC 19, 20, 21 e 22.
“DAMPING-OFF” – Pellicularia filamentosa (Pat) Rogers (Rhizoctonia solani Kühn) e Glomerella gossypii (South) Edg. (Colletotrichum gossypii South)
Esta doença é de ocorrência generalizada em todas as regiões onde se cultiva o algodoeiro e, dependendo de condições ambientes, causa grandes prejuízos. É também conhecida como tombamento, meia, morte de mudas, rizoctoniose ou antracnose.
Sintomas - Sintomas nas plântulas são do tipo “damping-off”, de pré e pós-emergência, reduzindo bastante o estande de plantas sadias. Plântulas afetadas apresentam lesões deprimidas, pardo-avermelhadas a pardo-escuras, na raiz e no colo.
Etiologia - Vários patógenos podem causar esta doença, sendo Rhizoctonia solani e