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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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Colletotrichum gossypii os mais comuns. Fusarium spp. também tem sido isolado com certa freqüência. Se as condições ambientais forem favoráveis ao desenvolvimento da doença, com temperaturas variando entre 18 e 300C e umidade elevada por vários dias, a extensão das falhas pode tomar necessário novo plantio.
R. solani é um fungo parasita necrotrófico habitante do solo. Sob baixas temperaturas, sementes de algodoeiro exsudam maior quantidade de açúcares e aminoácidos, o que é sumamente favorável ao patógeno. Estas condições também mantêm a planta num estágio suscetível por um período maior, atrasando a germinação ou tornando mais lento seu desenvolvimento. A doença é mais severa quando ocorrem ferimentos tais como os provocados por insetos e nematóides.
Colletotrichum gossypii pode viver saprofiticamente em restos de cultura por um período de vários meses. Entretanto, são as sementes contaminadas que constituem a principal fonte de inóculo. O fungo, através das lesões nos capulhos, pode atingir o embrião da semente, onde permanece viável como micélio dormente por um período de até 3 anos, sob condições normais de armazenamento. As sementes também podem ser contaminadas externamente por conídios durante o beneficiamento. O número de conídios contaminantes pode alcançar a cifra de 80 mil por semente, porém a viabilidade deste propágulo é da ordem de 9 meses, bem menor, portanto, do que o micélio dormente.
Lesões nos cotilédones e caulículo da plântula fornecem esporos em abundância para iniciar o ciclo secundário. Os conídios do fungo, por estarem aglutinados por uma mucilagem hidrossolúvel, são disseminados principalmente por respingos de chuva. A penetração é favorecida por temperaturas baixas, altas umidades e ferimentos. Durante os períodos secos, o fungo permanece dormente e consegue sobreviver por muito tempo, na forma de micélio, dentro dos tecidos. Com o retorno de condições úmidas desenvolve-se em proporções epidêmicas, tornando-se destrutivo sobre os capulhos.
Controle - Recomendam-se o uso de sementes sadias e tratadas, variedades menos suscetíveis e emprego de práticas culturais adequadas. Entre estas, recomendam-se um bom preparo do solo, espaçamento adequado, semeadura rasa e em solo com boa umidade, rotação de cultura e atraso da semeadura para a 2a quinzena de outubro, fugindo das condições propícias ao desenvolvimento da doença. O tratamento de sementes pode ser feito com ou sem prévio deslintamento com ácido sulfúrico, com os fungicidas: carboxin+thiram, benomyl, benomyl+thiram, thiabendazole, iprodione e captan.
RAMULOSE - Glomerella gossypii South (Colletotrichum gossypii (South) var. cephalosporioides A. S. Costa)
Esta doença foi constatada pela primeira vez no município de Rancharia-SP, em 1936, e já se encontra disseminada praticamente por todas as regiões do país onde se cultiva o algodoeiro. Atualmente, vem causando problemas sérios nos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e em algumas localidades do Nordeste brasileiro. Fora do Brasil, sua ocorrência é relatada somente na Venezuela e Paraguai.
Sintomas - A ramulose pode manifestar-se em plantas de qualquer idade, desenvolvendo-se, de preferência, nos tecidos jovens. Os sintomas diretos aparecem primeiramente nas folhas novas, tanto na haste principal como nas laterais, na forma de manchas necróticas, mais ou menos circulares quando situadas no limbo entre as nervuras, e alongadas quando no sentido longitudinal. O tecido necrosado tende a cair, formando perfurações. As lesões, principalmente das nervuras, acarretam o desenvolvimento desigual dos tecidos foliares, ocasionando o enrugamento da superfície do limbo. O fungo afeta o meristema apical provocando sua necrose, o que estimula o desenvolvimento dos brotos laterais que se transformam em “galhos extranumerários”, conferindo à planta um aspecto de superbrotamento ou envassouramento. Os internódios, por via de regra, apresentam intumescimento. Plantas doentes ficam com porte reduzido.
Quando a doença afeta plantas novas, as gemas terminais dos ramos extranumerários podem sofrer novas infecções e, pela sua morte, estimulam o desenvolvimento de novas gemas. Esse carrear de energias para o crescimento vegetativo em resposta à sucessiva destruição das gemas apicais, exaure completamente a planta para a finalidade de frutificação. Plantas doentes podem ser então facilmente distinguidas das sadias pois estas derrubam as folhas e apresentam grande número de capulhos abertos, ao passo que plantas doentes apresentam densa massa de folhagem escura e poucos capulhos. Normalmente, observam-se na parte inferior de plantas com muitos sintomas, algumas folhas mais desenvolvidas, de coloração verde mais escuro e aspecto coriáceo ou quebradiço.
A manifestação tardia da doença originou a denominação ramulose tardia, de sintomas muito semelhantes. Entretanto, plantas doentes apresentam o superbrotamento só no ápice, não afetando muito a produtividade.
Etiologia - A doença é causada por uma variedade fisiológica do agente causal da antracnose, que recebeu o nome de Colletotrichum gossypii South. var. cephalosporioides. A principal via de disseminação do fungo é a semente, na qual pode ser veiculado externamente, na forma de conídios, ou internamente, na forma de micélio dormente. O fungo pode ainda sobreviver de um ano para outro em solo contaminado. Veiculado pela semente ou presente no solo, o inóculo primário causa lesões primárias em algumas plantas que vão servir como fonte de inóculo secundário. Lesões secundárias ocorrem nas plantas adjacentes, e o patógeno, propagando-se radialmente, forma reboleiras.
Condições favoráveis ao desenvolvimento da doença são alta pluviosidade e boa fertilidade do solo. A temperatura ótima para o crescimento do fungo in vitro está entre 25 e 300C. 
Controle - A principal medida de controle é a utilização de variedades com resistência ao patógeno. As variedades distribuídas aos cotonicultores apresentam variações quanto à resistência, e podem ser classificadas como: a) resistentes: EPAMIG 3, EPAMIG 4, PR 380/82, IAC 21, CS 50, Deltapine Acala 90; b) medianamente resistentes: CNPA Precoce 1, LAC 19, LAC 22 e LAC 20; e c) suscetíveis: Nu-15-79/117, CNPA Acala 1, IAPAR 4 PR-1.
Outro método de controle é o uso de sementes sadias. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo adotou, a partir de 1949, a prática de não aproveitar sementes oriundas de campos de cooperação com sintomas severos de ramulose, aceitando uma tolerância de 5% de plantas doentes nos campos de produção de sementes. Complementarmente, recomendam-se a rotação de culturas e a queima dos restos de cultura.
Nos estádios iniciais da ramulose tardia, recomendam-se ainda as seguintes medidas: 1) inspeção freqüente do campo para localização e erradicação das plantas-foco; 2) poda e eliminação das extremidades das plantas doentes nas adjacências do foco; 3) pulverização preventiva, com tiocarbamatos ou cúpricos, das plantas sadias adjacentes às partes erradicadas.
NEMATOSE - Meloidogyne incognita (Kofoid & White) Chitwood
O algodoeiro está sujeito ao ataque de várias espécies de nematóides que causam sérios prejuízos ao seu desenvolvimento e produção. No Estado de São Paulo, o problema aumentou em importância a partir de 1980, quando foram observadas determinadas áreas com forte incidência do patógeno. Além de provocar problemas isoladamente, os nematóides tornam-se mais importantes quando associados à murcha de Fusarium. Aliás, costuma-se dizer que estas doenças são provocadas pelo complexo Fusarium x nematóides.
Sintomas - Plantas de algodoeiro infectadas por nematóides, de maneira geral, apresentam-se menos desenvolvidas, devido às lesões provocadas no seu sistema radicular. E comum observar-se folhas mostrando mosqueado de coloração amarelada, algumas vezes avermelhada, em contraste com o verde normal da folha. Esse sintoma é conhecido como “carijó” (Prancha 6.5).
Etiologia - No Brasil, Meloidogyne incognita