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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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é o principal agente causal de nematose. No estudo da reação de algodoeiros a nematóides e Fusarium oxysporum, isolados ou conjuntamente, observou-se que materiais com alta resistência a nematóides nem sempre são altamente resistentes a Fusarium. Existem materiais que são resistentes quando os patógenos estão isolados, mas suscetíveis quando em presença dos dois. Há outros ainda que são suscetíveis ao nematóide e resistentes a Fusarium e alguns resistentes aos dois patógenos tanto isolados como juntos.
Com respeito a raças fisiológicas, foi identificada com maior predominância a raça 3 de M. incognita nos Estados de São Paulo, Paraná e Goiás e a raça 1 em algumas localidades do Paraná. Além de M. incognita, ocorrem outros nematóides no algodoeiro, causando sérios problemas como Rotylenchulus reniformis, Pratylenchus brachyurus, Helicotylenchus, etc.
Controle - Entre os métodos de controle conhecidos, o mais prático e eficiente é o uso de variedades resistentes. Em muitos casos, recomendam-se ainda a aplicação de nematicidas e rotação de culturas. No tocante a variedades resistentes, o programa de melhoramento tornou-se importante a partir de 1982, quando foi verificado que a variedade IAC 17 apresentava problemas quando plantada em áreas onde ocorria alta infestação de nematóides, isoladamente. Com o lançamento das variedades IAC 19 e 20 naquele período, o problema dos nematóides foi relativamente resolvido, tanto é que IAC 20 está sendo cultivada atualmente. Em 1993 e 1994 foram obtidas e lançadas pelo Instituto Agronômico de Campinas duas novas variedades, respectivamente IAC 21 e 22, que apresentam ótimo nível para resistência a nematóides, aliado a boas características tecnológicas de fibra e produção. Variedades obtidas em outros órgãos de pesquisas têm mostrado resistência intermediária (IAPAR 71-PR3) e baixa (CNPA Precoce 1 e 2, IAPAR 45 PR-2, CNPA Acala 1, CNPA 7H, Deltapine Acala 90 e CS 50).
Recomenda-se sempre a rotação de culturas, mesmo para solos onde não ocorram nematóides. Ao utilizar rotação com culturas anuais, deve-se tomar cuidado na escolha da cultura, dando preferência a variedades resistentes ou que não sejam hospedeiras dos nematóides que ocorrem no algodoeiro. Uma boa rotação pode ser feita com Crotalaria spp. O uso de mucuna preta, mucuna preta e milho, mamoneira, amendoim e soja (resistente) tem apresentado bons resultados, mesmo em solo onde ocorre o complexo Fusarium x nematóides.
BRONZEAMENTO ou MURCHAMENTO AVERMELHADO
No ano agrícola de 1993/94 numerosos algodoais no Estado de São Paulo foram afetados por anormalidades referidas genericamente como “vermelhão”. Uma das causas reconhecidas foi o déficit hídrico e períodos prolongados com temperaturas anormalmente elevadas que ocorreram nos meses de novembro e dezembro, na maioria das regiões produtoras. Associados ou não a isso ocorreram também avermelhamentos de causas conhecidas habituais em nosso meio, como os provocados por broca-da​-raiz, percevejo castanho, virose (o verdadeiro “vermelhão”), nematóides, “murchas” causadas por fungos, deficiências nutricionais (nitrogênio, fósforo, potássio, magnésio), acidez, encharcamento, intoxicações por defensivos, solos compactados, etc. Nesses casos, com exceção da broca, do percevejo castanho e das “murchas”, não costuma ocorrer murchamento e, principalmente, morte das plantas.
Sintomas - As folhas mostram epinastia (dobradas para baixo, nas proximidades e paralelamente às duas nervuras maiores laterais) e coloração amarelada ou bronzeada, evoluindo ao vermelho. A cor avermelhada pode manifestar-se também nos pecíolos foliares e no caule das plantas. É comum também o murchamento intenso de algumas ou de todas as folhas, queda ou seca dos órgãos reprodutivos e, nos casos mais graves, secas ou morte completa das plantas, poucos dias após o aparecimento dos sintomas. Ao contato manual, percebe-se temperatura mais elevada das folhas afetadas, em relação às aparentemente normais, na mesma planta. Em casos mais severos, observa-se forte necrose das raízes, iniciando pelas pontas. A anormalidade pode ocorrer em plantas isoladas, em reboleiras ou em toda a gleba. Uma característica freqüente é a ocorrência em trechos de 0,5 a 1,0 m na extensão da linha de plantio, onde todas as plantas são afetadas, intercaladas com plantas normais. Finalmente, plantas afetadas podem rebrotar ou readquirir aparência normal, nos casos menos graves. Mesmo nesses casos, porém, foi observada queda de produtividade nas plantas, tanto maior quanto mais intensos os sintomas (nos casos mais severos, a queda atingiu quase 50%).
Etiologia - O agente causal desta doença ainda é desconhecido e várias possibilidades encontram-se sob investigação, embora haja pesquisadores aventando a possibilidade de tratar-se da bactéria Xylella fastidiosa.
Controle - As medidas de controle ainda não foram estudadas, mas sabe-se que das três variedades cultivadas no Estado de São Paulo (IAC 20, 21 e 22) a IAC 22 mostrou melhor comportamento frente a essa doença. Há, todavia, fonte de resistência em algumas linhagens ou variedades (Deltapine Acala 90, CNPA Acala 1, CS 50, IAC 22-340, Chaco 520, etc.).
OUTRAS DOENÇAS
Além das doenças já assinaladas, o algodoeiro está sujeito a outras doenças consideradas de importância secundária, embora isso não signifique que não possam vir a ser importantes num futuro próximo. Em casos isolados, essas doenças podem causar problemas relativamente sérios em determinado ano. Como exemplo, pode ser citada a ocorrência esporádica no município de Leme-SP, em 199 1/92 e em várias regiões produtoras em 1994/95, principalmente no Paraná, de intensa desfolha provocada pelo fungo Alternaria sp.
No Brasil, dentre as mais importantes doenças das folhas, excluídas as já assinaladas, podem ser destacadas as provocadas pelos fungos Alternaria tenuis Ness, (A. alternata), Ramularia areola Atk., Cerotelium desmium (Berk. e Br.) Arth, Cercospora gossypina Cke e Ascochyta gossypii Syd. Foram ainda relatados outros fungos que provocam manchas em folhas como Stemphylium spp., Phyllosticta gossypina Ell. & Mort., Sphaeroderma gossypina Atk., Oidium sp., Macrophomina sp. e Phomopsis sp. Em outros países foram mencionados ainda Rhizoctonia solani, Alternaria macrospora Zimm, Ovulariopsis gossypii e Phoma sp. Entre os fungos assinalados, os mais freqüentes no algodoeiro são Alternaria tenuis, Ramularia areola e Cercospora sp. e, no final do ciclo da planta, Cerotelium desmium.
A manifestação da mancha de Alternaria pode ocorrer nas plantas logo aos 20-30 dias de idade. No início, as folhas mostram áreas de coloração verde-claras e bordas indefinidas, evoluindo para coloração marrom e bordas bem definidas. Normalmente, observa-se nesta lesão anéis concêntricos de coloração escura, onde se encontram os esporos do fungo. Constatou-se que CNPA Precoce 1, variedade utilizada em várias regiões, principalmente onde ocorre o bicudo do algodoeiro, e as variedades IAPAR 3-PR1, LAPAR 71-PR3 e CS 50 mostraram alta suscetibilidade a Alternaria sp. Evidências de comprometimento da produção de até 29% foram verificadas pela comparação entre CNPA Precoce 1 (suscetível) e IAC 20.
O fungo Ramularia areola, causador da doença conhecida como ramularia, míldio, oídio, míldio areolado ou falso míldio ocorre, geralmente, em lavouras bem desenvolvidas, em lugares mais sombreados e úmidos. Nas folhas observam-se manchas angulosas de 1 a 4 mm, circunscritas pelas nervuras, de coloração branca ou amareladas e aspecto farináceo (pulverulento).
A incidência de Cerotelium desmium, agente da ferrugem nas folhas, ocorre geralmente na fase final do ciclo vegetativo. As plantas mostram folhas com pequenos pontos, de coloração vermelho-arroxeada, que com o decorrer do tempo liberam uma massa pulverulenta de esporos.
No tocante à infecção das maçãs, são vários os fungos que provocam podridões. Normalmente, o problema torna-se maior quando ocorrem períodos prolongados de chuva durante a formação das maçãs