A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
706 pág.
Manual de Fitopatologia Vol. 2

Pré-visualização | Página 19 de 50

e na colheita. Esse fato foi observado no ano agrícola de 1990/91, na zona meridional, onde houve grande prejuízo durante a colheita, devido à podridão das maçãs, principalmente para o algodão que foi colhido à máquina. A podridão das maçãs é melhor detectada em lavouras mais densas e desenvolvidas. Maçãs afetadas não apresentam boa deiscência e o algodão colhido e a semente produzida são sempre de qualidade inferior.
A podridão das maçãs mais importante nas regiões da zona meridional é provocada pela interação de X. campestris pv. malvacearum e C. gossypii. No início dos sintomas observa-se na maçã uma lesão de forma arredondada ou irregular, de coloração verde e aspecto oleoso (X. campestris pv. malvacearum). Posteriormente, esta lesão torna-se deprimida e de coloração parda ou marrom, onde podem ser detectados esporos de C. gossypii. Além desses dois patógenos são relatados outros que provocam podridão nas maçãs no Brasil, como Peronospora gossypina Averna, Stilbum nanum (Masseé) f. sp. gossypina Averna, Verticillium sp., Fusarium sp., Cercospora gossypina Cooke, Nectria sp., Giberella gossypina Averna, Colletotrichum gossypinum Averna, Phyllosticta gossypina Ell. et Mart., Sphaeroderma gossypii Averna, Nematospora gossypii, Ovularia sp., Penicillium sp., Rhizopus, Cephalothecium roseum Cda., Alternaria sp., Botryodiplodia sp., Cladosporium sp., Rhizoctonia sp., Phomopsis sp., Phoma sp., Ascochyta sp., Diplodia sp., Neurospora sp., Monilia sp. e bactérias.
Considerando-se o ponto de vista econômico, a podridão das maçãs é a mais importante doença em vários países da África (República Central Africana, Uganda, etc.), principalmente quando provocada por X. campestris pv. malvacearum, Colletotrichum sp., Rhizopus sp., Aspergillus sp., Nigrospora sp. e Alternaria gossypina (Thum) Comb. Nok. Nesses países, no início dos sintomas, observa-se, geralmente, lesão de coloração marrom nas brácteas ou nas maçãs em formação. Ocorrendo boas condições de umidade essa lesão expande-se rapidamente, principalmente na base das maçãs. Posteriormente, observam-se lesões grandes, de coloração escura, podendo tomar toda a maçã.
Com respeito à mancha nas fibras, detectaram-se manchas provocada por fungos. 
Esse problema cresce em importância quando a colheita do algodão é realizada em período chuvoso e o produto não é devidamente seco ou armazenado. Em condições boas de colheita (tempo seco com dias ensolarados) este problema não deve ocorrer. Estas manchas são provocadas principalmente pelos patógenos Aspergillus flavus Link., Aspergillus niger V. Tiegh, Rhizopus stolonifer (Ehr.ex.Fr.) Lind. e Nigrospora oryzae (Berk. & Br.) Petch.
BIBLIOGRAFIA
Abrahão, J.; Cruz, B.P.B.; Gregori, R. Tratamento de sementes do algodoeiro como medida de controle das doenças das sementeiras. O Biológico 30: 169-173, 1964.
Armstrong, G.M. & Armstrong, J.K. A new race (race 6) of the cotton wilt from Brazil. Plant Disease Reporter 62:42 1-423, 1978.
Balmer, E.; Kiehl, E.J.; Galli, F.; Campos, H.; Salgado, C. L.; Cia, E. Contribuição ao estudo da influência dos fatores físicos do solo, sobre a incidência da murcha do algodoeiro causada por Fusarium oxysporum f.sp vasinfectum (Atk.) Snyder & Hansen. Anais E.S.A. “Luiz de Queiroz” 22: 247-258, 1965.
Bell, A.A. Cotton protection pratices in the USA. and World. - Diseases. In: Cotton. Am. Soc. Agron. , Crop Sei. Soc. Am. and Soil Sei Soe. Am., Publish. 1984: p. 288-309.
Bittancourt, A.A. Doenças do algodoeiro. In: Algodão-Cultivo e Comércio. São Paulo, Editora Ltda. pA93- 115, 1936.
Brinkerhoff, L.A. Variability of Xanthomonas malvacearum. The cotton bacterial blight pathogen. Oklahoma Agriculture Experimental Station 95p. (Tech. Bull. T-98). 1963.
Brinkerhoff, LA. Variation in Xanthomonas malvacearum and its relation to control. Annual Review of Phytopathology 8: 85-110, 1970.
Carvalho, L.P.; Lima, E.F.; Ramalho, F.S.; Lukefahr, M.J.; Carvalho, J.M.F.C. 1985. Influência da pilosidade do algodoeiro na expressão de sintomas de ramulose. Fitopatologia Brasileira 10: 649-654, 1985.
Cauquil, J. Etudes sur une maladie d’origine virale du cotonnier: la maladie de bleue. Coton et Fibres Tropicales 32: 259-278, 1977.
Cia, E. Ocorrência e conhecimento das doenças de algodoeiro anual Gossypium hirsutum L. no Brasil. Summa Phytopathologica 3:167-193, 1977.
Cia, E.; Balmer, E.; Ferras, C.A.M.; Gridi-Papp, I.L. Efeito da seleção para resistência ao complexo Fusarium x nematóide em algodoeiros resistentes à fusariose, em condições de casa-de​-vegetação. Summa Phytopathologica 1:43-50, 1975.
Cia, E.; Gridi-Papp, 1.L.; Soave, J. Transmissibilidade de índices empregados na avaliação de resistência do algodoeiro (Gossypium hirsutum L.) a Fusarium oxysporum. f.sp. vasinfectum (Atk.) Snyder & Hansen e Xanthomonas malvacearum (E.F.Smith) Dowson. Fitopatologia Brasileira 1:195-202, 1976.
Cia. E.; Gridi-Papp, I.L.; Soave, J.; Ferraz, C.A.M. Resistência de novos cultivares de algodoeiro a Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum (Atk.) Snyder & Hansen e a Xanthomonas malvacearum (E.F. Smith) Dowson. Summa Phytopathologica 3:260-270, 1977.
Costa, A.S. & Carvalho, A. M. B. Moléstias de vírus do algodoeiro. Bragantia 21: 45-62, 1962.
Costa, A.S. & Fraga Jr., C.G. Superbrotamento ou ramulose do algodoeiro. Revista de Agricultura 12:249-259, 1937
Costa, A.S. Studies on Abutilon Mosaic in Brasil. Phytopatologische Zeitschrift 24:97-112, 1956. Ferras, C.A.M.; Cia, E.; Sabino, N.P. Efeito da mucuna e amendoim em rotação com o algodoeiro. Bragantia 36:1-9, 1977.
Figueiredo, M.B.; Teranishi, J.; Cardoso, R.M.G. Estudos sobre espécies do gênero Verticillium parasitas de plantas no Estado de São Paulo. Revista da Sociedade Brasileira de Fitopatologia 4:10-12, 1971.
Gridi-Papp, I.L.; Cia,E.; Fuzatto, M.G.; Cavaleri, P.A.; Chiavegato, E.J.; Ferras, C.A.M.; Sabino, N.P; Kondo, J.I., Soave, J.; Bortoletto, N. Melhoramento do algodoeiro no Estado de São Paulo: Obtenção da Variedade IAC 18. Bragantia 44: 645-658, 1985.
Hunter,	R.E.; Brinkerhoff, L.A.; BIRD, L.S. The development of a set of upland cotton lines for differentiating races of Xanthomonas malvacearum. Phytopathology 58:830-832, 1968.
Kimati,	H. Doenças do algodoeiro. In: Manual de Fitopatologia. Doenças das Plantas cultivadas. Ceres, São Paulo - Vol. 2. 1980. p.29-48
Lima,	E.F.; Carvalho, J.M.F.C.; Carvalho, L.P.; Costa, J.N. Transporte e transmissibilidade de Colletotrichum gossypii, através de sementes do algodoeiro. Fitopatologia Brasileira 10:4105-115, 1985.
Lima , F.; Carvalho, L.P; Santos, E.O.; Carvalho, J.M.F.C. Avaliação de germoplasma de algodoeiro para resistência à ramulose causada por Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides. Fitopatologia Brasileira 9: 561-565, 1984.
Mathieson, J.T. & Mangano, V. Ramulose, a new cotton disease in Paraguay caused by Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides. Summa Phytopathologica 11:115-118, 1985.
Pizzinato, M. A. Relação entre densidade e qualidade de sementes de algodão. In: Patógeno em sementes: Detecção, danos e controle químico. ESALQ/FEALQ, Piracicaba. 1991. p.161 -170.
Pizzinato, M.A.; Soave, J.; Cia, E. Patogenicidade de Botryodiplodia theobromae Pat. a plantas de diferentes idades e maçãs de algodoeiro (Gossypium hirsutum L.). Fitopatologia Brasileira 8: 223-228, 1983.
Presley, J.T. & Bird, L.S. Diseases and their control. In: Advances in production and utilization of quality cotton: Principies and practices. The Iowa State University Press, Ames-Iowa -USA. p. 349-362, 1968.
Rebolho. J.T.; Camargo. L.M.P.C.A.; Oliveira, DA.; Figueiredo, P.; Cia, E.; Veiga, A.A.; Rocha, J.R. Tratamento químico de sementes de algodoeiro visando o controle do “tombamento”. O Biológico 45: 217-229, 1979.
Ridgway, R.L.; Bell, A.A.; Veech, I.A.; Chandler, J.M. Cotton protection practices in the USA. and world. In: Cotton. Amer. Soe. Agron., Crop. Sei. Soe. of Amer. and Soil Sei. Soe. of Amer. Madison, Wisconsin. 1984. p.288-1309.