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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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Salgado, C.L.; Cia, E.; Balmer, E.; Monteiro, A.R.; Abreu, C.P. Influência da porcentagem de areia e Meloidogyne incognita (Kofoid & White) Chitwood sobre a incidência de murcha de algodoeiro causada por Fusarium oxysporum f.sp. vasinfectum (Atk.) Snyder & Hansen. Anais E.S.A. “Luiz de Queiroz 23: 312-323, 1966.
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DOENÇAS DO ALHO E DA CEBOLA
(Allium sativum L. e Allium cepa L.)
M. E. T. Nunes & H. Kimati.
MOSAICO-EM-FAIXAS, NANISMO AMARELO OU CRESPEIRA - “Onion yellow dwarf virus” – OYDV.
Esta doença tem sido relatada na maioria dos países produtores de cebola, podendo reduzir a produção e a qualidade de sementes e bulbos de plantas afetadas. O vírus também foi identificado em alguns cultivares de alho, mas seus efeitos nesta cultura não são muito claros, uma vez que as plantas normalmente estão infectadas por um complexo viral. No Brasil, foi primeiramente relatada em 1966, em plantações de cebola de Indaiatuba, Piedade e São José do Rio Pardo, em São Paulo, e na zona de Belo Horizonte, em Minas Gerais.
Sintomas - Em plantas de cebola, a doença manifesta-se inicialmente através de estrias cloróticas a amareladas na base das primeiras folhas. Depois, todas as folhas novas que surgem apresentam sintomatologia que varia desde as estrias isoladas até o completo amarelecimento, algumas vezes associados com enrolamento, enrugamento e queda das folhas. Bulbos formados em plantas infectadas têm tamanho reduzido. Hastes florais afetadas também mostram intenso amarelecimento, enrolamento e enrugamento; formam inflorescências menores e com menor número de flores, culminando com a produção de sementes de baixa qualidade.
Plantas de alho com infecção combinada de OYDV e outros vírus apresentam sintomas de mosaico severo.
Etiologia - O OYDV é uma espécie do gênero Potyvirus, da família Potyviridae. Suas partículas são alongadas, medindo 722-820 nm de comprimento e cerca de 16 nm de diâmetro. Sob microscópio comum podem ser observadas inclusões circulares à ligeiramente alongadas associadas aos tecidos infectados, enquanto em microscópio eletrônico é possível observar inclusões, na forma de cata-ventos, e partículas isoladas do vírus associadas a vesículas.
A gama de hospedeiros deste vírus é pequena, incluindo basicamente espécies de Liliáceas, como cebola, alho, algumas espécies ornamentais do gênero Allium e chalota (A. cepa var. ascalonicum). No Brasil é também relatado em Allium fistulosum.
O vírus mantém-se em bulbos, canteiros de mudas e plantas voluntárias. É transmitido por várias espécies de pulgões, de maneira não-persistente, e através da propagação vegetativa das culturas. Embora o ataque às hastes florais danifique as inflorescências e flores, produzindo sementes de baixa qualidade, este vírus não é transmitido por sementes.
Controle - As medidas de controle para esta virose baseiam-se no cultivo em áreas livres do vírus, longe de culturas ou plantas voluntárias infectadas. O controle dos vetores com inseticida não é eficiente, uma vez que o vírus é rapidamente transmitido de forma não-persistente. Em virtude deste tipo de relação vírus-vetor e do fato de a virose ser limitada a plantas do gênero Allium, a rotação de culturas é medida de controle eficiente. A semeadura direta é mais indicada para o controle da virose do que a propagação vegetativa, já que o vírus não é transmitido pela semente. Outras medidas incluem a eliminação de plantas doentes e indexação do material de propagação vegetativa (mudas, bulbilhos), além da obtenção de clones livres do vírus através da cultura de meristemas, como no caso do alho.
MOSAICO DO ALHO - Potyvirus
Plantas de alho mostrando sintomas de mosaico podem estar infectadas por diferentes espécies de vírus, isoladamente ou em associação. Por ser uma cultura propagada vegetativamente, através dos bulbilhos, o acúmulo e perpetuação de vírus em plantas de alho são um grave problema, que culmina com a drástica redução nos rendimentos da cultura e na longevidade dos bulbos em armazenamento. Acredita-se que cultivares infectados ainda constituam a regra nos campos de diversos países produtores, embora programas de produção e certificação de material propagativo livre de vírus tenham sido desenvolvidos.
A falta de informações sobre a relação entre os diferentes espécies de vírus envolvidas, a confusa identificação das mesmas e a utilização da expressão “mosaico” para designar doenças com diferentes causas, dificultam a descrição de cada uma das viroses isoladamente.
Sintomas - O sintoma característico da doença é o mosaico típico, que pode estar associado à presença de riscas e mosqueado nas folhas e é mais pronunciado em folhas mais jovens. A redução no tamanho das plantas e dos bulbos também ocorre, sendo mais facilmente observada quando se dispõe de plantas livres de vírus para comparação. Muitas vezes, a associação com algumas viroses latentes faz com que os sintomas da doença sejam ainda mais drásticos, levando a maiores reduções no rendimento da cultura.
Etiologia - Muitos vírus estão comumente presentes em plantas de alho. Acredita-seque algumas espécies do gênero Potyvirus, da família Potyviridae, sejam as principais espécies associadas ao mosaico do alho. Dentre elas, já foram descritos: a) “garlic yellow streak virus”, descrito na Nova Zelândia; b) “garlic yellow stripe virus” (GYSV) ou vírus do estriado amarelo do alho, descrito na Califórnia. Embora relatos iniciais, inclusive no Brasil, considerassem este como sendo uma estirpe do vírus do nanismo amarelo da cebola, trabalhos mais recentes, após purificação dos dois isolados, demonstraram ser ambos apenas remotamente relacionados serologicamente; e) “onion yellow dwarf virus” (OYDV), que é associado com sintomas mais severos de mosaico em plantas de alho; d) “garlic mosaic virus” (GMV) ou vírus do mosaico do alho. Ainda não está totalmente esclarecido se este é um vírus distinto ou se o agente descrito em alguns países, como a França, seria na verdade OYDV, LYSV e “garlic yellow streak virus” atuando isoladamente ou em conjunto; e) “leek yellow stripe virus” (LYSV) também foi encontrado em alguns cultivares de alho e pode contribuir para os sintomas de mosaico, estando muitas vezes associado ao OYDV.
Qualquer que seja o vírus associado, a propagação vegetativa do alho é o principal mecanismo através do qual os vírus associados ao mosaico são transmitidos e podem ser levados de uma região para outra. Os potyvirus também podem ser transmitidos por pulgões de maneira não-persistente.
Controle - A forma ideal de controle do mosaico do alho é a obtenção de plantas livres de vírus para posterior propagação. Programas de produção e certificação têm sido desenvolvidos e empregados. O aprimoramento de técnicas de purificação dos diferentes vírus e, conseqüentemente, dos testes serológicos para sua detecção, têm permitido o aprimoramento destes programas de certificação.
PODRIDÃO BACTERIANA - Erwinia carotovora subsp. carotovora (Jones) Bergey et al.
A podridão bacteriana, ou podridão mole é de ocorrência comum durante o armazenamento de bulbos de cebola, podendo causar prejuízos variáveis, de acordo com as condições cm que estes são estocados. Esta doença pode iniciar seu desenvolvimento no campo, durante a maturação dos bulbos, se houver chuva antes da colheita. A bactéria destrói, inicialmente, tecidos foliares mortos e progride até atingir as escamas do bulbo, culminando com seu total apodrecimento.
Sintomas