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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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Monte Alegre e Baia Periforme, de cebola, assim como Chonan, Roxo-Pérola de Caçador e Centenário, de alho, mostram-se mais resistentes. Rotações de cultura e práticas que reduzam as horas de molhamento foliar, como boa drenagem do solo e menor densidade de plantas, são recomendadas para o controle da doença. Aplicações de fungicidas à base de mancozeb, iprodione, chlorothalonil e vinclozoline são efetivas no controle da doença, devendo-se tomar cuidado com o surgimento de resistência mia população do patógeno, não baseando o controle em um único fungicida.
FERRUGEM - Puccinia porri G Wint. (smn Puccinia alui Rudolphi)
Apesar de incidir sobre várias espécies do gênero AI/iam, a ferrugem é especialmente importante para o alho e cebolinha. Sua severidade é variável, dependendo das condições climáticas e do estádio de desenvolvimento da cultura.
Sintomas - As plantas são suscetíveis à doença em qualquer estádio de desenvolvimento. Inicialmente, aparecem sobre as folhas pequenas pontuações esbranquiçadas, que evoluem para pústulas alaranjadas, circulares, medindo 1-3 mm, recobertas pela cutícula da folha. Estas pústulas correspondem à fase uredial do fungo. Com o passar do tempo, há o rompimento da cutícula que recobre as pústulas, com exposição de uma massa pulverulenta de coloração amarelada, constituída de uredósporos do fungo. Num estádio mais avançado da doença, teliósporos de coloração marrom-escura podem se formar nas pústulas. Folhas com alta severidade podem se tornar amareladas e morrer, causando o depauperamento das plantas, com formação de bulbos de tamanho reduzido. Quando ocorre em canteiros de mudas, a doença pode levá-las à morte.
Etiologia - A doença é causada pelo fungo basidiomiceto Puccinia porri, da ordem Uredinales. E provavelmente autoécio, com todas as fases de seu ciclo de vida ocorrendo sobre um mesmo hospedeiro. As fases de pícnio e écio são raras na natureza. A doença ocorre mais freqüentemente em condições de alta umidade relativa do ar e baixa índice pluviométrico. Temperaturas moderadas favorecem a infecção, sendo a mesma inibida quando valores acima de 240C e abaixo de 100C são registrados. Plantas estressadas, expostas a condições de seca ou umidade em excesso, bem como a adubações desequilibradas, com pesadas aplicações de nitrogênio e matéria orgânica, ou ainda cultivadas em solos compactados e de baixada, são mais suscetíveis ao ataque.
Controle - A utilização de cultivares mais resistentes à doença, como Caiano Roxo, Gigante de Lavínia e Centenário, é recomendada. Com relação ao manejo da cultura, é importante evitar-se o plantio em solos compactados, de baixada, bem como adubações desequilibradas. O controle químico é efetivo, sendo utilizado com freqüência nas lavouras de alho. Fungicidas à base de mancozeb, maneb, triadimefon, bitertanol, oxicloreto de cobre e propiconazole mostram-se eficientes no controle da doença.
ANTRACNOSE FOLIAR, CACHORRO QUENTE OU MAL-DE-SETE​VOLTAS Glomerella cingulata (Stonemam) Spaud. & H. Schrenk. (Colletotrichum gloeosporioides (sensu V. Arx, 1957) f. sp. cepae)
Esta doença, que ocorre em plantações de cebola desde a fase de canteiro até a colheita e armazenamento dos bulbos, é de grande importância em várias regiões produtoras do Brasil. Embora inicialmente considerada como uma doença tipicamente brasileira, tem sido descrita cm outros países, como a Nigéria, recebendo o nome de “twister” e causando perdas de produção da ordem de 50-100%. No Brasil, o nome “mal-de-sete-voltas” costumava ser empregado para outras enfermidades como a podridão basal, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cepae. Atualmente, a denominação tem sido quase que exclusivamente utilizada com referência à antracnose foliar. o que foi favorecido com a descrição do agente causal desta como sendo C. gloeosporioides f. Sp. cepae evitando as controvérsias que ocorriam por Ocasião das primeiras constatações da doença em nosso país.
Sintomas - Em canteiros de mudas, a doença manifesta-se sob a forma de tombamento (“damping-off”), mela ou estiolamento. Mesmo antes da emergência, as modinhas podem apodrecer, ficando recobertas por uma massa rosada de esporos do longo.
No campo, onde a doença caracteristicamente distribui-se em reboleiras, os sintomas mais comuns são enrolamento, curvatura e amarelecimento de folhas. Ocorre alongamento e rigidez na região do pescoço das plantas, onde pode-se verificar grande abundância de pontuações pretas, constituídas de acérvulos do patógeno. Nas folhas, aparecem lesões alongadas, deprimidas, de coloração parda, dentro das quais também se formam numerosos acérvulos. normalmente distribuídos em círculos concêntricos. Estas lesões podem crescer e coalescer, provocando a morte das folhas, que caem e deixam o talo nu, resultando na produção de bulbos pequenos e que apodrecem rapidamente durante o armazenamento. A partir dos acérvulos, em condições de muita umidade, são liberadas massas gelatinosas de coloração rosada ou alaranjada, que contem os esporos do fungo.
Etiologia - Em 1961, o agente causal desta doença foi identificado como sendo Colletotrichum chardonianum Nolla que, segundo Arx é sinônima de Colletotrichum gloeosporioides. Em 1979, após ter-se demonstrado na ESALQ, Piracicaba, que o fungo que infectava cebola tinha especificidade de hospedeiro, ou sendo o mesmo que ocorre em outras culturas, foi sugerido o nome Colletotrichum gloeosporioides (sensu Arx. 1957) f. sp. cepae para se referir aos isolados patogênicos à cebola. Esta tem sido a denominação aceita em nosso país até os dias atuais. Em outros países onde ocorre,	a causando apenas como causando doença denominada “twister’’, fungo é classificado C. gloeosporioides (Penz.) Penz. & Sacc., sem referência à forma especial. mas sim a fase sexuada Glomerella cingulata.
C. gloeosporioides f. sp. cepae é um fungo Deuteromiceto que produz acérvulos sobre uma base estomática subcuticular que, na maturidade, rompem a cutícula pela formação de conidióforos e setas, expondo as frutificações. Os conídios são hialinos, unicelulares, cilíndricos com as listras obtusas e asseptados. Seu formato elipsoidal distingue-os nitidamente dos de C. dematium f.sp. circinans, agente causal da antracnose da cebola branca.
O fungo sobrevive no solo, em restos de culturas e nas sementes. A disseminação a longas distâncias, de um campo para outro, dá-se principalmente através de sementes, bulbinhos e mudas contaminadas. Dentro de um mesmo campo, de uma planta para outra, os conídios são disseminados principalmente pelos respingos de água de chuva ou de irrigação, que conseguem dissolver a massa mucilaginosa que os envolve. Os conídios que são depositados sobre tecido hospedeiro, em condições de alta umidade e temperaturas entre 23-300C, germinam formando tubo germinativo, apressório e então penetram diretamente o tecido através da cutícula. Através de inoculações artificiais, verificou-se que, além da cebola, este fungo pode infectar outras espécies do gênero Allium, como A. cepae var. aggregatum, A. fistulosum e Allium porrum.
Controle - O controle desta doença nas nossas condições é baseado principalmente na aplicação de fungicidas, destacando-se aqueles à base de benomyl e tiofanato metílico. Com relação à utilização de materiais resistentes, vários testes têm sido feitos para identificar esta característica em diferentes populações. Para cebolas de ciclo de dias curtos, verificou-se que o cultivar Barreiro é uma boa fonte de resistência, e alguns de seus híbridos com Baia Periforme, como Pira Ouro, Pira Lopes e Pira Tropical apresentam algum nível de resistência. Variação no índice de resistência de diferentes materiais também parece ocorrer em populações de cebolas de ciclos de dias longos. Não há, entretanto, nenhuma variedade comercial totalmente resistente ao patógeno.
MÍLDIO - Peronospora destructor (Berk.) Casp.
Esta doença é cosmopolita, embora tenha sua importância variável com as condições de clima de cada região. No Brasil, tem maior