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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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ocorrem em várias partes do mundo, provocando morte de sementes, “damping-off” de pré e pós​emergência, podridões de raízes e de vagens e queima de folhas em plantas adultas. Devido à ocorrência simultânea com outras doenças é difícil avaliar a importância econômica da rhizoctoniose. Entretanto, devido a sua alta freqüência e às condições favoráveis cm São Paulo, pode-se afirmar que constitui um dos mais sérios problemas.
Existem relatos de ensaios de tratamento de sementes, onde a germinação nos melhores tratamentos foi até cinco vezes superior à testemunha. Isto mostra, de certa forma, a importância da doença nesta fase da cultura, se bem que outros organismos também podem estar associados à falhas na germinação.
Sintomas - No início do desenvolvimento da cultura, as plântulas já mostram sintomas, imediatamente após o início do processo de germinação, na forma de “damping-off” de pré-emergência, ou após emergirem do solo, como “damping-off” de pós-emergência. As primeiras lesões em plântulas geralmente aparecem na região do hipocótilo, na forma de manchas encharcadas, marrom-escuras, imediatamente abaixo da superfície do solo. Aparece então, sobre esta área, um crescimento micelial, que penetra na epiderme e células corticais, causando o colapso dos tecidos. A lesão expande-se, torna-se escura, envolve o hipocótilo e o sistema radicular, causando a morte e o tombamento da plântula. Estes sintomas iniciais ocasionam redução no “stand” da cultura.
Raízes afetadas mostram pequenas lesões de coloração marrom-claro que evoluem para marrom-escuro. Em plântulas, o córtex é decomposto e a necrose pode envolver todo o sistema radicular, levando-as à morte. Em plantas adultas, porém, estas lesões se restringem às proximidades da superfície do solo. As hastes mais próximas do solo podem ser atacadas pelo fungo, que causa lesões circulares, marrons e podem matar o ramo.
R. solani pode infectar ainda os ginóforos na região da superfície do solo ou imediatamente abaixo, impedindo a formação de vagens. Se a infecção é mais tardia, o fungo causa podridão das vagens (Prancha 8.9), evidente só em plantas adultas. Esta podridão manifesta-se por uma mancha parda a preta, tomando parcial ou totalmente a casca da vagem. Em muitos casos, a vagem fica chocha ou com sementes malformadas, menores, enrugadas e desbotadas. Incidência nas vagens implica em incidência concomitante nos ginóforos, que se decompõem, facilitando o arrancamento das plantas doentes. Muitas vagens são perdidas na colheita. As vagens colhidas produzem sementes infectadas que têm seu valor comercial reduzido, quando destinadas ao consumo, ou baixo vigor e germinação, reduzindo seu valor cultural, quando utilizadas como sementes. As vagens infectadas suportam muito mal o armazenamento.
Etiologia - Rhizoctonia solani é um fungo imperfeito que corresponde ao basidiomiceto Thanatephorus cucumeris. Caracteriza-se por apresentar um micélio septado, de coloração variável, de branco a marrom, com ramificações em ângulo reto e com freqüentes constrições na região dos septos. Sua sobrevivência de uma estação de cultivo para outra dá-se facilmente em restos de cultura ou outro substrato orgânico, uma vez que o fungo tem grande capacidade saprofítica. Também há possibilidade de sobrevivência através de escleródios, que germinam estimulados por exsudatos de hospedeiros suscetíveis ou pela presença de matéria orgânica no solo. Como R. solani possui uma ampla gama de hospedeiros cultivados e selvagens e restos orgânicos destas plantas são periodicamente adicionados ao solo, sua sobrevivência dá-se por longos períodos na maioria dos solos.
A disseminação ocorre por qualquer mecanismo capaz de transportar solo, principalmente água de superfície e implementos agrícolas. Além disso, há também a possibilidade de disseminação através de sementes e, a curtas distâncias, o próprio crescimento micelial do fungo propaga a doença.
As condições que favorecem a incidência da rhizoctoniose são umidade alta e temperatura relativamente amena na fase da germinação e emergência das plântulas, ou seja, condições que mantém os tecidos tenros por mais tempo. Alta umidade e práticas culturais que estimulem denso crescimento das plantas favorecem a ocorrência da doença, não tendo, a temperatura, efeito limitante nas condições do Estado de São Paulo.
Controle - Resistência na fase de plântula e à podridão de vagens causada por R. solani é relatada, porém não em variedades comerciais. Assim, recomenda-se a rotação de culturas por 3 a 4 anos, com culturas não hospedeiras, como milho, arroz, trigo, sorgo, etc., nas áreas muito contaminadas. É importante salientar que estas culturas devem ser mantidas no limpo, dado o grande número de hospedeiros selvagens do fungo. Recomendam-se ainda arações profundas, de forma a incorporar os restos, acelerando sua decomposição. Por outro lado, existem evidências de que as vagens são predispostas à ocorrência de podridão devido a uma deficiência de cálcio ou desequilíbrio entre cálcio, potássio e magnésio. Assim, seria aconselhável efetuar calagem adequada do solo onde será implantada a cultura. Visto que o fungo pode ser veiculado pelas sementes, recomenda-se o uso de sementes sadias. Como o fungo está presente na maioria dos solos, recomenda-se ainda o tratamento de sementes com produtos à base de PCNB (quintozene), captan, thiram, carboxin e carboxin + thiram.
OUTRAS DOENÇAS
A cultura do amendoim está sujeita ainda ao ataque de outras doenças que, por vários fatores, não assumiram importância, até o momento, sob nossas condições, exceto em situações muito particulares. Assim, será apresentado a seguir um breve relato de cada uma delas, independentemente de ocorrer ou não no Brasil.
Mancha de Leptosphaerulina - O fungo Leptosphaerulina crassiasca (Sechet) Jackson & Bell causa dois tipos de sintomas em amendoim. Surgem pequenas e numerosas manchas marrons, com diâmetro menor que 1mm, circulares ou irregulares e às vezes deprimidas na superfície superior do folíolo, deixando o mesmo com aspecto salpicado. Entretanto, o sintoma mais comum é uma queima a partir do ápice do folíolo, na forma de “V” com o vértice voltado para a base e circundada por um halo amarelado nítido. O agente causal é um ascomiceto, só observado nesta fase perfeita, que esporula abundantemente nos tecidos necrosados, formando ascos com 8 ascósporos elípticos, muriformes, com septos transversais e longitudinais, com freqüentes constrições no septo. Aparentemente, a doença é controlada pelos fungicidas usados para controle das outras doenças foliares de maior importância, motivo pelo qual apresenta importância secundária na cultura.
Mofo Branco - Descrito pela primeira vez sobre amendoim na Argentina em 1992, o mofo branco é hoje amplamente disseminado no mundo e em algumas regiões é considerada a mais importante doença da cultura, causando prejuízos acima de 50% na produção. Começa como pequenas lesões encharcadas que aumentam de tamanho, permanecendo bem distinto o limite entre o tecido doente e o sadio. Um crescimento micelial branco e vigoroso aparece sobre as lesões em períodos de alta umidade. A presença de escleródios negros sobre ou dentro dos tecidos afetados é suficiente para um diagnóstico seguro. O principal agente causal é o fungo Sclerotinia minor Jagger, porém S. sclerotiorum (Lib.) de Bary pode também estar associado à doença. A infecção é favorecida por baixas temperaturas (l80C), solo úmido e alta umidade relativa (95-100%).
Mofo Cinzento - Esta doença já foi relatada na maioria dos países produtores de amendoim. Entretanto os prejuízos, quase sempre, são pequenos devido às condições desfavoráveis na época de cultivo. No Brasil, foi relatada primeiramente, no Estado de São Paulo em 1968, embora conste que sua ocorrência tivesse sido observada em 1943. É uma doença de pequena importância econômica, ocorrendo esporadicamente no “amendoim-das-secas”, cuja semeadura é realizada em janeiro-fevereiro e, portanto, desenvolve-se nos