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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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meses de baixa temperatura. Todas as partes da planta estão sujeitas ao ataque do fungo, especialmente tecido debilitado devido a injúrias. A infecção geralmente começa pelos tecidos que estão em contato com o solo e, sob condições favoráveis, o fungo coloniza rapidamente os tecidos da planta, matando alguns ramos ou a planta inteira. A necrose dos tecidos da haste estende-se, atingindo pedúnculos, vagens, colo e parte das raízes. Sob condições de alta umidade, os tecidos afetados revestem-se de um crescimento pulverulento cinza constituído por micélio e frutificações do fungo. Plantas afetadas tendem a ocorrer em reboleiras e, quando colhidas, desprendem as vagens com facilidade. As vagens afetadas são escuras e chochas ou apresentam sementes enrugadas e mal desenvolvidas.
O agente causal é Botrytis cinerea Pers. ex. Fries que apresenta características necrotróficas. E um fungo que se desenvolve bem somente cm baixas temperaturas (abaixo de 200C) e alta umidade. A temperatura elevada é o fator limitante da sua ocorrência no “amendoim das águas”, o mais importante sob o ponto de vista de expressão econômica no Estado de São Paulo.
Podridão de Aspergillus - Esta doença foi relatada pela primeira vez em 1926 como podridão da coroa. A doença provavelmente está disseminada em todas as áreas de cultivo do amendoim. Os prejuízos, na forma de redução no “stand” podem chegar a 50% mas, geralmente, não ultrapassam 1%. Plântulas e plantas novas são muito suscetíveis ao patógeno. Manifesta-se como podridão de sementes, “damping-off” de pré-emergência e murcha de plantas novas, geralmente até 30 dias após a semeadura. Os tecidos afetados são cobertos por micélio, conidióforos e conídios. Em alguns casos pode ocorrer seca da haste principal ou até morte da planta.
O agente causal é Aspergillus niger van Tiegh., cuja esporulação é favorecida por alta umidade e calor. Trata-se de um fungo de solo, mas em alguns lotes de sementes sua incidência pode estar acima de 90%. A predisposição é o fator principal para a ocorrência da doença. Assim, condições ambientais desfavoráveis à planta, variações bruscas na umidade do solo, semente de má qualidade e danos ocasionados por outros fatores geralmente estão associados à doença.
Antracnose - Embora amplamente disseminada no mundo, esta doença não assumiu importância econômica que mereça maior atenção. Caracteriza-se por lesões alongadas em ambas as faces do folíolo, raramente em pecíolos e hastes, quando o agente causal é Colletotrichum mangenoti Chevaugeon. Quando o agente é C. dematium Pers ex. Fr. Grove aparecem pequenas manchas amarelas, encharcadas, de 1-3 mm de diâmetro, podendo se expandir em alguns casos tomando toda a extensão do folíolo. Lesões nos pecíolos são freqüentes e pode ocorrer morte da planta. Pode ocorrer ainda ataque de C. arachidis Sawada.
Seca das Folhas - É causada por Myrothecium roridum Tode ex. Fr. e surge como lesões circulares ou irregulares de 5 - 10 mm de diâmetro, de cor cinza e circundada por halo clorótico. Corpos de frutificação (esporodóquios) negros surgem nas duas faces do folíolo, dispostos em anéis concêntricos.
Podridão Negra de Cylindrocladium - Trata-se de uma doença descrita nos EUA em 1965, causando podridão de ginóforos, vagens e raízes, com prejuízos que podem ultrapassar 50% da produção. A planta afetada mostra inicialmente clorose e murcha das folhas. O hipocótilo, as raízes primárias e secundárias e as vagens tornam-se escuras e necróticas. É típica a distribuição inicial em reboleiras. O sinal característico da presença do patógeno é os peritécios avermelhados sobre os tecidos afetados, somente próximo da superfície do solo. O agente causal é Cylindrocladium crotalariae (Loos) Bell & Sobers, que corresponde a Calonectria crotalariae (Loos) Bell & Sobers, em sua fase sexuada.
Murcha de Verticillium - Causada por Verticillium dahliae Kleb., foi relatada inicialmente na Ásia em 1937 e hoje encontra-se amplamente disseminada pelo mundo, causando prejuízos de até 60% da produção. Entretanto, na maioria das áreas é de importância secundária, inclusive no Brasil. Os sintomas manifestam-se por amarelecimento, murcha e subdesenvolvimento da planta. Internamente pode-se observar descoloração vascular.
Mofo Amarelo - Como doença da planta de amendoim, o mofo amarelo tem pequena importância, devido à baixa patogenicidade dos seus agentes causais. Entretanto, os fungos Aspergillus flavus Link e A. parasiticus Speare, são considerados muito importantes pelas micotoxinas (aflatoxinas) que produzem, quando associados a sementes de amendoim, especialmente em regiões tropicais e subtropicais.
Podridão de Pythium - Várias espécies de Pythium podem causar “damping-off” de pré e pós-emergência, murcha vascular, podridão de raízes e podridão de vagens em amendoim. Todas as espécies são cosmopolitas e têm ampla gama de hospedeiros. A principal espécie parece ser P myriotylum Drechs., embora outras como P aphanidermatum (Edson) Fitz, P debaryanum Hesse, P irregulare Buis e P ultimum Tow, também sejam patogênicas ao amendoim.
Fusariose - Cerca de 17 espécies de Fusarium já foram associadas à cultura do amendoim. Destas, apenas algumas são responsáveis por doenças, como E. solani f. sp. phaseoli (Burkh.) Snyd. & Hans, E oxysporum (Schlecht) Snyd. & Hans, E roseum (LK.) Snyd. & Hans, E moniliforme (Sheld.) Snyd. & Hans e E tricinctum (Cdo.) Snyd. & Hans. Estes fungos, presentes no solo ou veiculados pelas sementes são responsáveis por podridão de raízes, ginóforos, vagens e sementes, “damping-off” e murcha vascular. Geralmente as espécies de Fusarium fazem parte do complexo de patógenos que causa estas doenças. A infecção isolada por esses fungos em amendoim é esporádica e epidemias são raras, exceto para podridão de vagens, onde Fusarium spp, faz parte do complexo de patógenos.
Murcha Bacteriana - E uma doença importante em algumas regiões do mundo mas secundária na maioria dos países produtores de amendoim. O agente causal, Pseudomonas solanacearum E.F.Sm., pode ser disseminado através de sementes e, portanto, medidas de quarentena devem ser adotadas para evitar a introdução de linhagens virulentas da bactéria em áreas onde a doença não é problema, como é o caso do Brasil.
Viroses - A cultura do amendoim pode ser afetada por cerca de 15 viroses. Nenhuma delas, no entanto, tem sido problema sério no Estado de São Paulo, exceto em ocorrências esporádicas como no caso da mancha anular causada pelo vírus do vira-cabeça do tomateiro que, nas poucas vezes em que foi relatada, mereceu atenção por reduzir grandemente a produção.
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Maezono,