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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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as perdas. Ao longo do tempo, diversas variedades foram produzidas em programas de melhoramento dirigidos para mancha estreita. Embora a doença venha merecendo pouca atenção no Brasil, a incorporação de resistência em variedades nacionais pode ser facilitada graças à existência de material estrangeiro com boas características agronômicas e portador de resistência.
Outras medidas podem contribuir para o controle da doença, entre as quais o emprego de sementes sadias ou tratadas, a eliminação do arroz vermelho, que se constitui num hospedeiro alternativo, e mesmo a rotação de cultura. Alguns fungicidas, como benomyl, maneb+zinco, mancozeb e ziram têm sido recomendados para o controle do patógeno.
QUEIMA DAS GLUMELAS - Phoma sorghina (Sacc.) Boerema et ai.
A queima de glumelas tem sido registrada em vários países e pode causar perdas significativas, dependendo de condições climáticas. No Brasil, a doença é considerada de menor importância. Assumiu, porém, sérias proporções no ano agrícola de 79-80, na região centro-oeste. Anteriormente a esta data, a doença vinha sendo observada desde 1975, em arroz de sequeiro, porém sempre com baixa intensidade. A causa provável da epidemia de 79-80 foi a ocorrência de chuvas contínuas durante a fase de emissão de panículas. Embora mais freqüente em arroz de sequeiro, a queima das glumelas pode ser encontrada esporadicamente em arroz irrigado.
No ano da epidemia, avaliação feita em três campos severamente atacados apontou perdas de produção da ordem de 29%, 41% e 45%. Estes dados demonstram que, embora seja considerada de importância pequena, a doença pode atingir proporções epidêmicas sob condições favoráveis, principalmente se chuvas contínuas ocorrerem durante o período de emissão de panículas pelas plantas.
Sintomas - O patógeno pode atacar as panículas desde o início da emissão até o estádio de grão maduro. Quando ocorre infecção inicial, as panículas emergem com grãos manchados, sendo estas manchas de coloração marrom-avermelhada, que surgem na extremidade apical e gradualmente se espalham por todo o grão (Prancha 10.5). Quando a infecção aparece após a emergência das panículas, durante a formação dos grãos, aparecem as manchas típicas de coloração marrom-avermelhada com centro claro (cinza ou branco); sob condições de umidade, numerosos picnídios podem ser encontrados sobre esta região clara da mancha. Em alguns casos, pequenas manchas marrons do tamanho da cabeça de um alfinete podem ser observadas nas glumelas. Em casos de ataques severos, os grãos podem se apresentar parcialmente formados.
Etiologia - O agente causal da queima das glumelas é o fungo Phoma sorghina, o qual já foi chamados de Phyllosticta glumarum, P oryzina, P glumicola e P orizicola. Este deuteromiceto apresenta picnídios globosos. Os conídios têm forma ovalada a oblonga. Quando na presença de umidade, a massa de conídios é liberada pelo picnídio na forma de um fluxo espiralado; este tipo de extrusão permite reconhecer prontamente o patógeno.
A sobrevivência do fungo pode ocorrer em restos de cultura e sementes contaminadas. As sementes constituem-se na principal via de disseminação do patógeno, além de atuarem como fonte de inóculo primário.
Controle - O aparecimento esporádico da doença e a baixa intensidade de ocorrência não justificam medidas específicas de controle. Variedades inoculadas artificialmente mostraram diferentes graus de resistência; os materiais mais resistentes poderão ser diretamente utilizados para plantio ou em programas de incorporação de resistência. O uso de sementes provenientes de lotes com boas condições de sanidade é altamente desejável; o tratamento de sementes é recomendado como forma de reduzir o inóculo eventualmente presente nas mesmas.
MAL DO COLO - Fusarium oxysporum (Schi.) Snyder & Hansen
O mal do colo do arroz é uma doença nova da cultura, tendo sido relatada pela primeira vez em 1980, no Brasil. A doença foi inicialmente observada em culturas de sequeiro instaladas em solos de cerrado, na região centro-oeste. A freqüência com que a doença apareceu nos plantios de 1979-80 chamou a atenção dos pesquisadores, que passaram a investigar a sua causa.
Sintomas - Os sintomas na parte aérea da planta caracterizam-se por leve amarelecimento das folhas e retardamento no crescimento; estes sintomas são mais evidentes aos 25 dias após o plantio. A diferença entre a altura das plantas afetadas e sadias aumenta com o tempo. Tanto o amarelecimento das folhas como a desuniformidade observada entre as plantas pode ser facilmente confundida com deficiência nutricional, principalmente de nitrogênio. No entanto, quando as plantas são arrancadas, pode ser observada uma descoloração escura no nó basal do colmo, justamente na região de emissão das raízes secundárias e adventícias; o nome da doença deriva deste escurecimento do colo da planta. As plantas doentes apresentam o sistema radicular pouco desenvolvido e produzem poucos perfilhos. Apesar do subdesenvolvimento, as plantas afetadas raramente são mortas pela doença.
Etiologia - O patógeno foi identificado como sendo Fusarium oxysporum, com base na presença de microconídios, macroconídios e clamidósporos. Nos testes de patogenicidade, sintomas idênticos aos observados no campo foram obtidos somente para alguns isolados, sugerindo a ocorrência conjunta de isolados patogênicos e saprofíticos. A ocorrência do patógeno também pode estar associada a nematóides formadores de galhas nas raízes, pertencentes à espécie Meloidogyne javanica.
Controle - A recomendação de medidas de controle exige maior conhecimento sobre a doença. Em razão do aumento de sua importância nas regiões de cerrado, principalmente quando o arroz é cultivado em rotação com pastagens ou por 2-3 anos sucessivamente, seria prudente promover a rotação de cultura.
QUEIMA DAS BAINHAS - Thanatephorus cucumeris (A.B. Frank) Donk. (Rhizoctonia solani Kühn)
Inicialmente descrita no Japão em 1910, esta doença encontra-se disseminada em praticamente todas as áreas do mundo onde se cultiva o arroz, principalmente em condições irrigadas. Sua importância vem aumentando devido ao uso de fertilizantes e de variedades altamente produtivas; isto implica em maior perfilhamento da planta e, conseqüentemente, em aumento de umidade na cultura, criando condições favoráveis ao patógeno.
Sintomas - Os sintomas ocorrem nas bainhas e colmos, sendo inicialmente observados próximos do nível da lâmina de água presente na cultura irrigada; sob condições favoráveis, as lesões podem ser encontradas também nas folhas e bainhas localizadas acima da linha da água. As manchas, nas bainhas e colmos, são ovaladas, elípticas ou arredondadas, apresentam coloração branco-acinzentada, com bordos de cor marrom, bem definidos; nas folhas, os sintomas são semelhantes, porém as manchas apresentam aspecto irregular. Ataques severos podem causar seca parcial ou total das folhas, além de provocar acamamento das plantas.
Etiologia - O agente causal da queima das bainhas é o deuteromiceto Rhizoctonia solani, que na fase perfeita corresponde a Thanatephorus cucumeris. O micélio jovem é claro e torna-se gradativamente marrom, apresentando septação e ramificações típicas deste fungo. Os escleródios são globosos, brancos e tomam a coloração marrom-escura quando mais velhos, podendo alcançar até 5 mm de diâmetro. Na fase perfeita, o patógeno produz basídios sobre os quais se desenvolvem os basidiósporos em número de 2-4. A morfologia das estruturas produzidas pelo fungo pode variar dependendo do isolado, tendo sido separados vários grupos morfológicos. Em relação ao grupo de anastomose, o patógeno do arroz está incluído no grupo AGI.
A sobrevivência do fungo no solo dá-se por micélio ou escleródios. O cultivo contínuo do arroz na mesma área aumenta os danos, pois os restos de cultura contribuem para o aumento do inóculo. A infecção tem início quando os escleródios, disseminados pela água da cultura irrigada, atingem as partes das plantas localizadas