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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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de sementes sadias produzidas em campos livres da doença. Todos os relatos da ocorrência da bacteriose estavam, até o momento, associados ao cultivar UPF-5, sugerindo maior suscetibilidade deste. Entretanto, em observações realizadas em Passo Fundo (RS) durante o ano de 1990, todos os cultivares recomendados mostraram-se suscetíveis.
MANCHA ESTRIADA - Pseudomonas syringae pv. striafaciens (Elliott) Young et ai. 
De forma semelhante à mancha do halo, a mancha estriada, detectada no Rio Grande do Sul em 1984, também foi introduzida no país através de material vegetal contaminado. Esta bacteriose, no entanto, é menos prevalecente e prejudicial que a anterior.
Sintomas - Lesões nas folhas aparecem, inicialmente, como pontos encharcados e levemente deprimidos que coalescem mais tarde, formando longas estrias ou manchas de tecido encharcado. As estrias variam em comprimento, desde poucos milímetros até o comprimento total da folha. Nesta fase, apresentam uma estreita margem amarela circundando o centro de cor ferruginosa ou marrom. Em condições de alta umidade relativa, aparecem pequenas gotas de exsudato bacteriano sobre as lesões, que posteriormente secam, formando escamas brancas. Além das folhas, outras partes da planta também são atacadas, porém, sem formação de halo. As manchas em forma de estrias e a presença de exsudatos da bactéria são as características que diferenciam, esta doença da mancha do halo amarelado.
Etiologia - A mancha estriada é causada por Pseudomonas syringae pv. striafaciens. Esta bactéria possui características morfológicas e fisiológicas muito semelhantes a P. s. coronafaciens. No caso desta última, os sintomas característicos da mancha do halo são devidos a uma toxina produzida pela bactéria, os quais são reproduzíveis mesmo na ausência do organismo. Após sucessivas repicagens em meio de cultura, a bactéria deixa de produzir a toxina, originando sintomas iguais aos causados por P s. striafaciens, razão pela qual a identificação das bactérias é dificultada. Entretanto, de acordo com a literatura, P. s. coronafaciens produz, em meio à base de tirosina, determinado pigmento, não formado por P. s. striafaciens, o que, segundo alguns autores, é suficiente para distingui-las em dois patovares diferentes. A existência de raças da bactéria é relatada.
Controle - De maneira geral, recomendam-se as mesmas medidas de controle prescritas para P syringae pv. coronafaciens.
FERRUGEM DA FOLHA - Puccinia coronata Cda. f. sp. avenae Erikss
A ferrugem da folha é a enfermidade mais importante da cultura, ocorrendo em todas as regiões onde este cereal é cultivado. Cultivares suscetíveis têm seus rendimentos severamente afetados, necessitando do uso sistemático de fungicidas, o que pode proporcionar acréscimos superiores a 2.000 kg/ha na produção. Em razão da alta variabilidade e especialização fisiológica do patógeno, a resistência dos cultivares não tem sido duradoura, motivo pelo qual um processo contínuo de seleção e melhoramento vem sendo realizado no Brasil e no exterior.
Sintomas - As pústulas desenvolvem-se principalmente nas folhas, podendo também aparecer nas bainhas e panículas. Tais pústulas são pequenas, ovais, isoladas e expõem uma massa alaranjada de uredósporos, os sinais do patógeno. A medida que finda o ciclo da cultura, aparecem pústulas mais escuras que permanecem cobertas pela epiderme. Dentro destas, desenvolvem-se teliósporos bicelulares e escuros. A ferrugem da folha se diferencia da ferrugem do colmo por apresentar pústulas menores amarelo-claras e ausência de tecidos epidermais levantados ao redor destas.
Etiologia - O agente causal da doença é o fungo Puccinia coronata f. sp. avenae, pertencente à família Pucciniaceae, ordem Uredinales e classe Basidiomycotina. Pústulas jovens produzem uredósporos unicelulares, de forma esférica ou ovalada, equinados, de coloração amarelo-alaranjada e diâmetro de 20-32jtm. Os uredósporos, que são facilmente disseminados pelas plantas, germinam em temperaturas que variam de 2 a 330C, com ótimo entre 18 e 220C, e umidade relativa de 100%, formando tubos germinativos que penetram através dos estômatos, tanto na presença como na ausência de luz. Internamente, o patógeno localiza-se na câmara sub-estomática e nutre-se a partir de haustórios curtos intracelulares. Com a maturidade da planta, as pústulas dão origem a teliósporos bicelulares, cujas células apicais são escuras, largas e com projeções em forma de coroa, razão pela qual a doença é, também, conhecida como ferrugem da coroa. Em regiões de clima quente, o fungo persiste, de uma estação para outra, através da contínua produção de uredósporos, os quais são disseminados pelo vento até 2.000 km de distância. Infecções iniciadas a partir de eciósporos produzidos sobre o hospedeiro intermediário (Rhamnus cathartica) não ocorrem no Brasil devido à ausência desta espécie em nossas regiões de cultivo.
Controle - Os cultivares resistentes têm sido pouco efetivos, uma vez que a resistência é governada por poucos genes e pode ser facilmente vencida pelo patógeno. Por esta razão, são necessários levantamentos das raças prevalecentes para orientar os programas de seleção. Até 1969, 27 raças já haviam sido descritas no RS, sendo mais freqüente a 263. Recentemente, estes estudos foram recomeçados, utilizando uma série diferencial composta de linhagens e cultivares adaptados às nossas condições. A eliminação de plantas voluntárias infectadas, muito comuns durante o verão, também é recomendada, embora não seja medida que, isoladamente, resolva o problema. O controle químico é bastante empregado nas lavouras destinadas à produção de grãos e sementes, destacando-se os fungicidas triadimefon, triadimenol, propiconazole e tebuconazole. Técnica e economicamente, os melhores resultados são obtidos com duas aplicações, a primeira no aparecimento dos primeiros sinais (0 a 5% de severidade) e a segunda aproximadamente 20 dias após.
FERRUGEM DO COLMO - Puccinia graminis Pers. f. sp. avenae Eriks & Henn 
Doença de grande importância para a cultura da aveia tem sua manifestação vinculada à ocorrência de temperaturas altas durante a primavera, motivo pelo qual, em locais de clima frio, não ocorre todos os anos. Quando presente, entretanto, causa severos prejuízos à cultura, uma vez que afeta todos os órgãos aéreos da planta.
Sintomas - Os sintomas e sinais verificados são idênticos aos da ferrugem do colmo do trigo, descritos com detalhes no capítulo correspondente.
Etiologia - A doença tem como agente causal o fungo Puccinia graminis f. sp. avenae, morfologicamente igual às demais formae speciales, diferenciando-se destas apenas por sua patogenicidade em aveia.
Controle - Recomendam-se as mesmas medidas de controle empregadas contra a ferrugem do colmo do trigo.
CARVÕES - Ustilago avenae (Pers.) Rostr e Ustilago kolleri Wille
Dois tipos de carvões, o nu e o coberto, podem ocorrer na cultura da aveia. Estas doenças têm se restringido a lavouras estabelecidas com cultivares suscetíveis e sementes infectadas. Embora pouco prejudiciais economicamente, os carvões podem comprometer ou condenar um campo destinado à produção de sementes, motivo pelo qual cuidado devem ser tomados em relação ao seu controle.
Sintomas - Os carvões são facilmente reconhecidos pelos sinais dos patógenos, que consistem em massas escuras de teliósporos localizadas nos espaços destinados à formação dos grãos. Estas massas tornam-se visíveis à medida que o tegumento que as envolve se abre para permitir a liberação dos esporos. Quando isto acontece, as brácteas se apresentam com cor cinza-claro e aspecto translúcido.
Etiologia - O fungo Ustilago avenae é o agente causal do carvão nu, enquanto que o carvão coberto é causado por Ustilago kolleri (sin. U. hordei Pers. Lagerh.), ambos pertencentes à família Ustilaginaceae, ordem Ustilaginales e classe Basidiomycotina. Ambos sobrevivem na forma de teliósporos no solo e micélio dormente no interior da semente. Esta última forma de sobrevivência