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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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é mais importante sob o ponto de vista epidemiológico. Os ciclos biológicos destes patógenos e os ciclos das doenças assemelham-se aos descritos para Ustilago tritici no capítulo referente às doenças do trigo.
Controle - Recomendam-se as mesmas medidas preconizadas ao controle do carvão do trigo.
HELMINTOSPORIOSE - Pyrenophora avenae Ito & Kurib (Drechslera avenae (Eidam) El Sharif)
A helmintosporiose é uma doença comum da aveia e, aparentemente, seus ataques restringem-se a esta cultura. Embora presente em todas as regiões produtoras, causa prejuízos menos expressivos que as ferrugens, motivo pelo qual é considerada doença de importância secundária.
Sintomas - Os sintomas caracterizam-se por manchas foliares largas, elípticas ou oblongas, de coloração marrom ou roxa. As lesões se difundem pelo limbo foliar, coalescendo e, eventualmente, necrosando todo o tecido. Sob condições favoráveis, o fungo avança para as brácteas e panículas, estabelecendo-se nos grãos, onde permanece de um ano para outro. Quando sementes infectadas são utilizadas, lesões necróticas, estreitas e marrons podem ser visualizadas no coleóptilo das plântulas, as quais muitas vezes mostram-se retorcidas.
Etiologia - A doença tem como agente causal o fungo Drechslera avenae (sin. Helminthosporium avenae Eidam; D. avenaceae (Curtis: Cooke) Shoemaker), pertencente à classe Deuteromycotina. Seus conídios são cilíndricos, retos ou ligeiramente curvos, com pontas arredondadas, cinza-amarelados quando jovens e escuros quando maduros. Possuem de 4 a 6 septos, medem 80-110(m x 12-18(m e apresentam uma cicatriz na célula basal. Os conidióforos são formados individualmente ou em conjuntos de dois ou três, medindo de 200(m x 8-12(m. A forma teleomórfica, Pyrenophora avenae, ocorre freqüentemente sobre restos culturais, formando peritécios cônicos, providos de numerosas setas, dentro dos quais originam-se ascósporos elipsoidais ou ovais, arredondados em ambas as extremidades e com 3 a 6 septos. De uma estação a outra o patógeno sobrevive em restos culturais, sementes infectadas e plantas voluntárias. A disseminação é passiva direta (sementes) ou indireta (ventos).
Controle - Dada à dificuldade de obtenção de fontes de resistência ao patógeno, causada pela existência de várias raças, ainda não foram obtidos cultivares resistentes. Por esta razão, como medidas de controle, recomenda-se a eliminação de plantas voluntárias, a rotação de culturas e o uso de sementes sadias. O tratamento de sementes só é recomendado em cultivos destinados à produção de sementes. São indicados os fungicidas iprodione + thiram, tebuconazole e triadimenol, sendo que estes últimos, pelo fato de serem sistêmicos, também têm como característica retardar em alguns dias o aparecimento das ferrugens. O controle químico da doença na parte aérea é, normalmente, desnecessário e anti-econômico.
OUTRAS DOENÇAS
A septoriose, também conhecida como talo negro, é uma doença infreqüente no Brasil.
As lesões aparecem sob a forma de pequenas manchas de cor chocolate que evoluem, adquirindo forma lenticular, e coalescem passando a uma coloração marrom-acinzentada. Nos colmos, verificam-se manchas elípticas e alongadas de cor escura. O agente causal é Septoria avenae f. sp. avenae ,Frank, fungo pertencente à classe Deuteromycotina. Sob condições de alta umidade, os picnídios exsudam profusa massa rósea de conídios. Estes são hialinos, retos ou ligeiramente curvos, cilíndricos, com extremidades arredondadas e medem 20-45(m x 2,5-4(m. A forma teleomórfica, Leptosphaeria avenaria f. sp. avenaria Weber, desenvolve-se sobre restos culturais na superfície do solo, produzindo peritécios e ascósporos, sendo estes últimos os responsáveis pelo ciclo primário da doença. Desconhece-se a possibilidade do patógeno ser disseminado pela semente. A princípio, a rotação de culturas é a medida mais eficaz para o controle da doença.
A antracnose da aveia é causada pelo mesmo fungo responsável pela doença em trigo, centeio e cevada (Colletotrichum graminicola (Ces.) Wils.), tendo pequena importância nestas culturas. As lesões foliares aparecem na forma de manchas elípticas, alongadas, levemente deprimidas e marrom-acinzentadas, sobre as quais aparecem acérvulos pretos. A epidemiologia, etiologia e controle desta moléstia encontram-se descritos no capítulo de doenças do trigo.
Diferentemente do trigo e cevada, o oídio da aveia é extremamente raro, não tendo importância à cultura. Quando ocorre, é identificado pelas frutificações brancas do patógeno sobre as folhas basais, bainhas e colmos. O agente da doença é o fungo Erysiphe graminis DC Ex Merat f. sp. avenae, cuja epidemiologia e controle são semelhantes aos do oídio do trigo.
A podridão comum de raízes é provocada por Bipolaris sorokiniana, o mesmo agente da moléstia em trigo e cevada. Todavia, os sintomas em aveia são bem menos intensos, uma vez que o fungo não se multiplica nesta cultura, o que permite a inclusão da aveia em esquemas de rotação com trigo ou cevada.
Como doenças da aveia, são citadas, ainda, algumas podridões de raízes provocadas por Pythium spp., Rhizoctonia solani Kühn e Fusarium spp., o míldio, causado por Sclerospora macrospora Sacc., o ergot, incitado por Claviceps purpurea (Fr.) Tul, e uma helmintosporiose, causada por Bipolaris victoriae (Meehan & Murphy) Shoemaker, entre outras.
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DOENÇAS DA BANANEIRA
(Musa spp.)
Z. J. M. Cordeiro & H. Kimati
A bananeira é uma das frutas mais populares no Brasil. Faz parte da dieta alimentar das mais diversas classes sociais, ora na forma “in natura”, ora cozida, frita ou processada na forma de doces ou passas. Apesar do Brasil ser o segundo maior produtor mundial, com produção estimada em seis milhões de toneladas anuais, exporta apenas cerca de 1% desta produção. Percebe-se, portanto, a importância desta fruta, principalmente como alimento de consumo interno. Como todas as culturas plantadas cm grandes áreas - a banana ocupa cerca de 500.000 ha cm nosso país - os problemas aparecem e, muitas vezes, tornam-se economicamente danosos. Com a bananeira não tem sido diferente, registrando-se um grande numero de doenças que afetam diversas partes da planta (raiz, rizoma, pseudocaule, folha,