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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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fruto). Entre os patógenos causadores dessas doenças estão os vírus, as bactérias, os nematóides e os fungos. Os últimos são, sem dúvida, os mais importantes. Dentre as doenças destacam-se a Sigatoka amarela, o mal-do-Panamá, a Sigatoka negra e o moko.
“BUNCHY TOP” - “Banana hunchy top virus” - BBTV
O “bunchy top”, ou topo em leque, causado pelo BBTV, é a principal virose da bananeira. Está distribuída pela Ásia, África e algumas ilhas do Pacífico, figurando em muitos países como uma das principais doenças da cultura. Até o momento, não há relato de sua ocorrência no Brasil.
Sintomas - Caracteriza-se pelo aparecimento de estrias verde-escuras, contínuas ou não, as quais usualmente aparecem primeiro na lâmina foliar, estendendo-se ao pecíolo e nervuras das folhas. Várias semanas após a infecção observa-se estreitamento do limbo, clorose e formação de roseta. As folhas ficam mais eretas do que o normal e o estreitamento e leque no ápice do pseudocaule dá o aspecto típico de “bunchy top”. Folhas das plantas infectadas são frágeis e quebradiças. As brotações, às vezes, parecem normais, mas os sintomas surgem antes da maturidade. Todas as variedades de banana e plátano testadas até então têm se mostrado suscetíveis ao vírus.
Etiologia - Permanece sem caracterização definitiva o vírus causador do “bunchy top”. Inicialmente, houve relato de um Luteovirus, de partículas isométricas e RNA de fita dupla. Posteriormente, aventou-se a hipótese do RNA ser de fita simples. Mais recentemente, menciona-se um vírus de partículas isométricas, de 18-20 nm de diâmetro, contendo DNA de fita simples. Por outro lado, há evidências da existência de duas populações distintas do BBTV, inclusive com diferentes tipos de ácido nucléico. A transmissão ocorre de forma persistente por meio do pulgão Pentalonia nigronervosa, mas não mecanicamente. A disseminação ocorre principalmente através de mudas infectadas.
Controle - Como se trata de uma doença ainda não constatada no país, a principal ação de controle fica por conta das medidas de exclusão, para evitar a introdução do patógeno. Neste caso, rigorosas medidas quarentenárias para introdução de materiais de Musa spp, são importantes. Onde o problema já existe, o controle é feito mediante a erradicação de plantas afetadas, bem como do controle do pulgão transmissor, que é uma praga secundária da bananeira.
MOSAICO DA BANANEIRA - “Cucumber mosaic virus” - CMV
O mosaico da bananeira é causado pelo vírus do mosaico do pepino. E a mais comum das viroses que afetam a bananeira. Apesar da inexistência de levantamento, acredita-se que a mesma ocorra, na forma de mosaico pouco severo, em cerca de 10% das bananeiras cultivadas no país. Sua ocorrência é maior nos cultivares do subgrupo Cavendish, embora ocorra também nos cultivares dos subgrupos Prata, Terra e outros.
Sintomas - Variam de suaves estrias, formando mosaico em folhas velhas até severa necrose interna, nanismo c morte das plantas. Nas plantas com nanismo há formação de roseta no ponto de saída das folhas, as bainhas tendem a despregar-se do pseudocaule, podendo ainda ocorrer necrose da folha central ou cartucho. Em muitos casos as folhas são atrofiadas, lanceoladas e cloróticas, exibindo mosaico. As brotações de plantas com sintomas podem ou não apresentá-los. Sintomas em frutos são raros, mas podem ocorrer na forma de distorção dos dedos, estrias cloróticas ou necrose interna.
Etiologia - O CMV é um vírus do gênero Cucumovirus, da família Bromoviridae, apresenta partículas isométricas de 30 nm de diâmetro e um grande número de estirpes, razão pela qual os sintomas apresentados variam desde suaves estrias amarelas até necroses. Apresenta extensa gama de hospedeiros, incluindo cucurbitáceas, tomate, milho, Canna indica, Panicum colonum, Paspalum conjugatum, Digitaria sanguinalis, Musa spp., Commelina spp., entre outras. A transmissão é feita por afídeos, dos quais o mais importante é Aphis gossypii. A relação vírus-vetor é não-persistente.
Controle - A virose pode ocorrer plantas de qualquer idade, mas o problema normalmente só atinge proporções de danos econômicos em plantios novos. Desta forma, é importante conhecer a procedência das mudas para evitar o plantio de material infectado. Mesmo mudas oriundas de cultura de tecido podem ser portadoras do vírus. Outra medida preventiva é a eliminação de hospedeiros alternativos. No caso da doença já estar presente, recomenda-se a erradicação das plantas com sintomas.
ESTRIAS DA BANANEIRA - “Banana streak virus” - BSV
O problema conhecido como estrias da bananeira foi primeiro descrito sobre a variedade Poyo, proveniente da Costa do Marfim. Desde então, tem sido observado em inúmeros países, em diferentes cultivares. No Brasil. entretanto, a história deste vírus está intimamente associada com a variedade Mysore (AAB), tendo sido provavelmente introduzido com a mesma. Hoje, no entanto, sintomas similares já foram observados nas variedades Nanica e Nanicão, porém sem a confirmação da presença do vírus.
Sintomas - Os sintomas foliares iniciais são semelhantes aos causados pelo vírus do mosaico do pepino, evoluindo posteriormente para estrias necróticas. As plantas infectadas geralmente não mostram sintomas em todas as folhas. Pouco se conhece sobre as conseqüências da doença em relação à produção, mas geralmente plantas infectadas apresentam crescimento reduzido e produzem cachos menores. As vezes ocorre morte de plantas jovens da variedade Mysore, com intensos sintomas da doença.
Etiologia - O BSV, ou vírus das estrias da bananeira, pertence ao gênero Badnavirus, com partículas baciliformes de 30 x 150 nm. Muitos isolados do BSV e do “sugarcane bacilliform virus” (SCBV) são serologicamente relacionados e todos os isolados do SCBV, testados experimentalmente em bananeira, produziram sintomas da doença. E transmitido de forma semi-persistente pela cochonilha Plannococus citri. Em condições experimentais, a cochonilha da cana-de-açúcar (Saccharicoccus sacchari) transmitiu o SCBV de cana-de-açúcar para bananeira. Existe forte possibilidade de que o vírus seja transmitido pela semente, uma vez que progênies oriundas de cruzamento com Mysore obtidas no Centro Nacional de Pesquisa de Mandioca e Fruticultura Tropical (CNPMF) apresentavam OS sintomas. O mesmo foi observado cm Trinidad. A principal via de disseminação, no entanto, é através de material propagativo infectado. E possível ainda que este vírus não seja filtrado pela cultura de ápices caulinares, uma vez que mudas obtidas por este método, utilizando material oriundo de plantas com sintomas, também os apresentavam.
Controle - A doença não tem se mostrado como um grave problema em plantios comerciais. Entretanto, cuidados quarentenários devem ser tomados na introdução de novos cultivares. Deve-se utilizar mudas livres do vírus e erradicar plantas jovens com sintomas severos.
MOKO OU MURCHA BACTERIANA - Pseudomonas solanacearum (Smith) Smith (raça 2)
Durante algum tempo o moko foi considerado a principal doença da bananeira, em função basicamente dos riscos que representava para a bananicultura brasileira praticada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A constatação oficial da doença no Brasil foi feita no estado do Amapá, em 1976. Seguiu-se uma ampla campanha para levantamento e erradicação da doença cm toda a região Norte do país até 1987. Neste mesmo ano a doença foi constatada em Sergipe, originando outra ampla campanha para erradicação, levada a efeito em 1987 e, posteriormente, em 1989.
O problema continua sendo grave para a região Norte, onde a bactéria encontra, nas condições de várzea, um ambiente favorável à sua sobrevivência e propagação podendo causar perdas totais. Há poucas probabilidades que o mesmo ocorra em cultivos de terra firme, mesmo localizados na região Norte. No Estado do Acre a doença ainda não foi constatada. O foco surgido cm Sergipe, cm 1987, foi controlado e, portanto, a doença permanece restrita à região Norte do país.
Sintomas Externos