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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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- A murcha bacteriana da bananeira é uma doença vascular sistêmica podendo, assim, atingir todos os órgãos da planta, desde o estádio de brotação jovem até plantas em produção. (a) Plantas jovens - no caso de brotações, são freqüentes os sintomas de malformação foliar, em que as folhas permanecem enroladas até a necrose total da brotação. São freqüentes também os casos de murcha e amarelecimento das folhas basais, com posterior colapso dos pecíolos, podendo ocorrer também a necrose da folha vela antes das demais mostrarem qualquer sintoma da doença (Prancha 13.1). (b) Plantas adultas - a doença manifesta-se principalmente por murcha, amarelecimento e necrose das folhas, iniciando-se geralmente pelas folhas mais centrais e evoluindo progressivamente para as demais. A folha pode curvar-se dorsalmente e ter o pecíolo comprometido em qualquer ponto. Nas plantas que ainda não entraram em produção, a tolha vela é a última a sucumbir. Nas plantas em produção, a bactéria pode penetrar pela inflorescência ou outra via, e externar os sintomas através dos frutos, que podem apresentar sinais de malformação, rachaduras, amarelecimento precoce e irregular e, finalmente, seca e escurecimento total. Nos casos de penetração via inflorescência, as brácteas mais velhas caem prematuramente sem se enrolar, desprendendo também o conjunto de flores masculinas por elas protegido. Num estádio mais avançado da doença, ocorre seca ascendente do coração e da ráquis masculina.
Sintomas Internos: (a) Rizoma - através de um corte transversal do mesmo, o moko é visualizado pela descoloração dos feixes vasculares, representados pontos escurecidos, de coloração variando de pardo ao vermelho-tinto, dispersos por todo o rizoma, na maioria das vezes concentrando-se na parte central e formando um anel de coloração marrom. Pode-se também observar tais feixes vasculares descoloridos lias conexões do rizoma com as brotações laterais. (b) Pseudocaule - os sintomas de descoloração vascular podem ser observados através de corte transversal (pontos escurecidos) ou longitudinal (estrias escurecidas). Os sintomas geralmente concentram-se nas bainhas mais centrais e no eixo floral, no caso das plantas em produção. Nos estádios mais avançados da doença, a necrose atinge toda a parte central, que torna-se completamente escurecida, contrastando com as bainhas mais periféricas, ainda com aparência normal ( Prancha 13.2). (c) Cacho - o engaço cortado transversal ou longitudinalmente apresenta os feixes vasculares avermelhados. Tais sintomas estão presentes também nas ráquis feminina e masculina. Os frutos seccionados (Prancha 13.3) exibem podridão seca e escurecimento da polpa. Através de corte transversal dos mesmos, pede-se observar a presença de feixes vasculares escurecidos na casca.
A diagnose diferencial da murcha bacteriana como a murcha de Fusarium parece complicada a primeira vista, principalmente quando os sintomas ocorrem em plantas que ainda não entraram em produção, mas existem alguns aspectos diferenciais seguros, mesmo em condições de campo: (1) Idade da Planta - os sintomas de moko manifestam-se em plantas de todos os estádios de desenvolvimento, enquanto os do mal-do-panamá geralmente ocorrem em plantas acima do quarto mês de idade: (2) Origem e evolução dos sintomas - de maneira geral, os sintomas de moko iniciam-se na parte central e evoluem rumo à periferia, contrariamente aos causados pelo mal-do-panamá, que evoluem da periferia para o centro. Assim, as primeiras folhas a mostrarem sintomas de murcha, amarelecimento e necrose são as mais jovens nos casos de moko e as mais velhas nos casos de mal-do-panamá. Através de corte transversal do pseudocaule, observa-se que os sintomas de descoloração vascular são mais concentrados na região central, no caso de moko, ao contrário do mal-do-Panamá (Pranchas 13.2 e 13.6); (3) Sintomas no cacho - como anteriormente descrito, o moko afeta diretamente todos os órgãos da planta, enquanto que nos casos de mal-do-Panamá não se observam sintomas da doença no cacho; (4) Rachaduras no pseudocaule - encontram-se com freqüência rachaduras no pseudocaule de plantas afetadas pelo mal-do-Panamá porque as bainhas externas, por serem as mais afetadas, paralisam o desenvolvimento, enquanto a parte central, aparentemente normal, continua se desenvolvendo, provocando assim o fendilhamento das bainhas mais externas; (5) Teste do copo - o moko e o mal-do-Panamá podem ser facilmente diferenciados por este teste, que consiste em obter fatias delgadas de aproximadamente 3,0 cm de comprimento por 0,2 cm de largura de qualquer um dos órgãos afetados, de modo a retirar parte dos feixes vasculares descoloridos. Toma-se um copo de vidro liso e transparente com água limpa até dois terços da altura e adere-se a fatia obtida à parede do mesmo, mantendo-a alguns milímetros dentro da água no sentido longitudinal. Nos caso de moko, dentro de aproximadamente um minuto, pode-se observar a descida de um ou mais filetes densos e contínuos de fluxo bacteriano de coloração leitosa, partindo dos vasos seccionados em direção ao fundo do copo. Nos casos de mal-do-Panamá este fenômeno não ocorre.
Etiologia - O moko-da-bananeira é causado pela bactéria Pseudomonas solanacearum, raça 2. São conhecidas até o momento cinco estirpes desta raça que são patogênicas à bananeira. As mesmas têm sido separadas através de hospedeiros diferenciais, aspecto das colônias em meio de tetrazólio, pelo hábitat e pela maior ou menor capacidade de ter, como vetores, os insetos visitadores de inflorescências. São caracterizadas como: estirpe D (“distortion”), isolada de Heliconia, causa distorção foliar e murcha lenta cm bananeiras; estirpe B (banana), provavelmente um mutante de D, causa murcha rápida em bananeiras; estirpe SFR (“small, fluidal, round”) provavelmente é oriunda de Heliconia ou é mutante de B, sendo facilmente transmitida por insetos em países da América Central; estirpe H (Heliconia) é uma estirpe presente na Costa Rica que afeta plátanos (AAB) sem afetar outras bananas (AAA); estirpe A (Amazônia) ocorre apenas nas margens de rios sujeitas a inundações periódicas (Peru, Colômbia e Venezuela) e pode ser facilmente transmitida por insetos.
Em condições de terra firme, no Estado do Amazonas, a bactéria sobrevive cerca de dois meses na ausência do hospedeiro durante o período seco, atingindo quatro meses durante o período chuvoso. Isto indica que o teor de umidade do solo é de grande importância na sobrevivência desta bactéria.
O material de plantio desempenha papel importante na disseminação da murcha bacteriana, tanto a curta como a longa distância. Dentro do plantio, a bactéria pode se disseminar de planta a planta através de contatos inter-radiculares de touceiras doentes com touceiras sadias. As ferramentas usadas na capina, desbaste, desfolha, corte do coração e colheita são também de grande eficiência na disseminação da bactéria. Os insetos visitadores de inflorescências também se constituem em eficientes vetores, principalmente das estirpes “SFR” e “A”, que escoam com maior facilidade de cicatrizes de brácteas florais ou de outros ferimentos em qualquer parte da planta onde a bactéria esteja presente.
A bactéria apresenta uma vasta gama de hospedeiros alternativos que podem ser fator decisivo na manutenção do patógeno no campo e, conseqüentemente, no estabelecimento de um novo foco da doença. Cerca de 39 espécies de ervas hospedeiras deste patógeno foram identificadas em bananais da América Central, embora nem todas sejam hospedeiras de estirpes que atacam a bananeira. Através de inoculação artificial, foram encontradas 12 espécies de ervas, na Colômbia, capazes de conduzir a estirpe B, sem mostrarem sintomas externos. Em Honduras, foram feitos isolamentos a partir de plantas crescendo no campo e em inoculações em casa-de-vegetação, concluindo-se que de 64 espécies testadas, além de espécies de Musa e Heliconia, as dez listadas a seguir se comportaram como hospedeiras potenciais da estirpe SFR de P. solanacearum: