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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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inicialmente no Estado do Amazonas, em 1944, estendendo-se, posteriormente, a todos os estados brasileiros. Estima-se que as perdas médias da bananicultura nacional estão na faixa de 50% da produção. Os prejuízos são advindos da morte precoce das folhas e do enfraquecimento da planta, com reflexo imediato na produção. São observados, como conseqüência da doença, diminuição do número de pencas, tamanho de frutos, maturação precoce de frutos no campo e perfilhamento lento. Em alguns microclimas, a incidência da doença é tão alta que impede completamente o enchimento dos frutos, provocando perda total na produção.
Sintomas - As infecções do mal-de-Sigatoka ocorrem nas folhas jovens da planta, incluindo geralmente as folhas zero (vela), um, dois, três e, excepcionalmente, a quatro (as folhas são contadas das mais novas para as mais velhas; a folha zero corresponde àquela, ainda não aberta). A infecção inicial caracteriza-se por uma leve descoloração com forma de ponto entre as nervuras secundárias da segunda até a quarta folha a partir da vela. Este ponto descolorido amplia-se, formando uma estria de coloração amarela. Com o tempo, estas pequenas estrias crescem, formando manchas necróticas, elípticas, alongadas, dispostas paralelamente às nervuras secundárias da folha. Desenvolve-se, por fim, uma lesão com centro deprimido, de coloração cinza, circundada por um halo amarelo (Prancha 13.4).
A lesão passa, portanto, por vários estádios de desenvolvimento, conforme descrição a seguir: estádio I - é a fase inicial de ponto ou risca de no máximo 1 mm de comprimento com leve descoloração; estádio II - é uma risca já apresentando vários milímetros de comprimento, com um processo de descoloração mais intenso; estádio III - mancha nova, apresentando forma oval alongada e coloração levemente parda, de contornos mal definidos; estádio IV - caracteriza-se pela paralisação de crescimento do micélio, aparecimento de um halo amarelo em volta da mancha e início de esporulação do patógeno; estádio V - fase final de mancha, de forma oval-alongada, com 12 a 15 mm de comprimento por 2 a 5 de largura. O centro é totalmente deprimido, de tecido seco e coloração cinza.
A partir do estádio de mancha pode-se observar frutificações do fungo em forma de pontuações negras. Em estádios avançados da doença, principalmente em ataques severos, ocorre a coalescência das lesões e, conseqüentemente, uma grande área foliar é comprometida, caracterizando o efeito mais drástico da mesma, que é a morte prematura das folhas. Manchas oriundas de infecções por ascósporos apresentam predominância apical, enquanto aquelas originadas a partir de conídios apresentam distribuição casualizada, mas com predominância basal, sendo comum a formação de linhas de infecção sobre o limbo foliar.
Etiologia - O mal-de-Sigatoka é causado por Mycosphaerella musicola, forma perfeita ou sexuada de Pseudocercospora musae. Estão envolvidos, portanto, dois tipos de esporos, um de origem sexuada, o ascósporo (bicelular e hialino), e outro de origem assexuada, o conídio (longos e multiseptados, produzidos em conidióforos reunidos em esporodóquio).
A infecção ocorre através dos estômatos, abertos ou não. O esporo depositado sobre a folha germinará em presença de um filme de água. Dependendo da temperatura, isto ocorrerá em 2-6 horas. Posteriormente, a hifa crescerá sobre a folha por 2 a 6 horas até encontrar um estômato, onde um apressório será formado, seguindo-se a penetração. O período de incubação tem se mostrado extremamente variável em função do ambiente, havendo registros de 15 até 76 dias. Além da infecção, a produção e disseminação dos esporos sexuados e assexuados são fortemente influenciadas pelas condições climáticas, podendo ser destacados três componentes fundamentais do clima: chuva, orvalho e temperatura, que exercem ação decisiva no desenvolvimento de epidemias.
Os esporos sexuais (ascósporo) e assexual (conídio) apresentam diferenças comportamentais (Tabela 13.1) que refletirão na epidemiologia da doença.
Em estações bem definidas, a produção diária do inóculo pode ser relacionada com presença de água livre sobre a folha e temperatura mínima. Temperaturas máximas são raramente limitantes. De modo geral, temperaturas abaixo de 210C provocam considerável declínio na taxa de infecção e no desenvolvimento da doença, mesmo se as condições de umidade forem adequadas. O mesmo ocorre em estações secas com baixa produção de orvalho à noite, mesmo se a temperatura for adequada.
A produção de ascósporos é maior nas folhas que ocupam as posições de cinco a dez e quando ocorrem períodos chuvosos, com temperaturas de 210C, atingindo o máximo de produção no início da estação seca. A água de chuva é essencial para a liberação dos ascósporos e a disseminação é feita principalmente pelo vento, sendo este o responsável pela disseminação a grandes distâncias.
Tabela 13.1
Os esporodóquios (estruturas onde são formados os conídios) são produzidos em maior número que os peritécios em plantações comerciais e, onde o controle é adequado, os conídios são provavelmente a maior fonte de inóculo. Durante a estação seca, a produção de conídios baixa sensivelmente, mas os mesmos se encontram presentes em lesões, sendo produzidos em noites com 10 a 12 horas de orvalho. Na ausência de um período chuvoso favorável à produção de ascósporos, os conídios são a maior fonte de inóculo, uma vez que são menos exigentes do que os ascósporos. Por outro lado, a produção de conídios é muito sensível às temperaturas abaixo de 220C. Em manchas velhas, a produção de conídios pode se estender por até 30 dias se houver alta umidade.
Controle - O mal-de-Sigatoka é uma doença de controle difícil. A integração de ações é, portanto, o melhor caminho para que o objetivo seja atingido e a harmonia do ambiente seja preservada, como se verá a seguir:
(1) Controle cultural - embora o controle químico ainda seja o principal método de controle do mal-de-Sigatoka, algumas práticas culturais são freqüentemente mencionadas como importantes ferramentas auxiliares para se atingir um bom nível de controle. Os principais aspectos a considerar são: (a) Drenagem - a rápida drenagem de qualquer excesso de água no solo, além de melhorar o crescimento das plantas, reduz as possibilidades de formação de microclima adequado ao desenvolvimento do fungo. (b) Combate às plantas daninhas - altas populações de plantas daninhas no bananal, além da competição, favorecem a formação de microclima adequado ao patógeno. (c) Desfolha - a eliminação, de forma racional, de folhas atacadas ou parte destas folhas, é de grande importância, já que reduz a fonte de inóculo no bananal. Contudo, deve ser feita com bastante cuidado para não provocar danos maiores que a própria doença. Para infecções concentradas, recomenda-se a eliminação apenas da parte afetada. Quando a incidência for alta e bem distribuída sobre a folha recomenda-se a eliminação total da mesma. (d) Outros fatores - diversos fatores, como densidade populacional, observando tanto a quantidade como a distribuição das plantas, e uma adubação bem balanceada contribui para atingir um nível ideal de controle.
(2) Controle químico - a adoção desta medida deve ser precedida de alguns cuidados e procedimentos importantes para a segurança da aplicação e a eficiência do controle, tais como: (a) Horário da aplicação - fazer as aplicações nas horas mais frescas do dia, realizando-as pela manhã e pela tarde. Somente em dias mais frios ou nublados poder-se-ia estender a aplicação por todo o dia. As pulverizações em temperaturas altas, além de representarem maior perigo para o aplicador, perderão em eficiência, principalmente pela evaporação do produto. (b) Condições climáticas - dias ou períodos de muito vento devem ser evitados. A aplicação com ocorrência de vento provocará grande deriva do produto e, conseqüentemente, redução na eficiência do controle. Da mesma forma, não deve ser feita a pulverização com a ocorrência de chuva, mesmo em pequena