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Manual de Fitopatologia Vol. 2

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junta-se ao córtex, podendo-se observar o caminhamento dos sintomas do rizoma para as brotações a ele aderidas.
Etiologia - O mal-do-Panamá é causado pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cubense, pertencente à classe dos Deuteromicetos, não se conhecendo seu estádio sexuado. É um fungo de solo com grande capacidade de sobrevivência na ausência do hospedeiro. A hipótese mais provável para esta sobrevivência é a formação de estruturas de resistência denominadas de clamidósporos. Porém, baseado no fato de existirem no solo linhagens não-patogênicas de F oxysporum, morfologicamente indistinguíveis de F oxysporum f. sp. cubense, é possível que a sobrevivência ocorra também em estado saprofítico. Esta hipótese pode ser reforçada pelo fato de linhagens não​patogênicas serem capazes de formar heterocarios com linhagens patogênicas. Assim, os núcleos da forma patogênica persistiriam no micélio de crescimento saprofítico, voltando a atuar quando em presença da planta hospedeira.
São conhecidas quatro raças fisiológicas do patógeno, das quais a 1, 2 e 4 são importantes para bananeira e a 3 é importante apenas para Heliconia sp. A forma mais simples de diferenciação das raças seria mediante o uso de variedades indicadoras, onde a variedade Gros Michel é indicadora da raça 1, a Bluggoe, indicadora da raça 2 e as variedades do subgrupo Cavendish são indicadoras da raça 4, que poderia também ser identificada por características morfológicas em meio especial de cultivo. Vale salientar, no entanto, que o uso de variedades indicadoras não tem funcionado a contento para agrupar isolados do patógeno em raças. Em função disto, tentativas têm sido feitas na busca de metodologias mais seguras, que possam melhor caracterizar isolados do patógeno em todo o mundo e, se possível, agrupá-los em raças fisiológicas. Pesquisas têm sido dirigidas para o estudo de grupos de compatibilidade vegetativa (VCGs) ou ainda estudos com DNA de F oxysporum f. sp. cubense, utilizando-se técnicas de biologia molecular, como RAPD/PCR. Percebe-se, entretanto, que dentro de um mesmo VCG pode estar incluída mais de uma raça e que, até o momento, os estudos iniciais com RAPD ainda não permitiram a diferenciação de raças.
O estabelecimento do patógeno no tecido hospedeiro ocorre via sistema radicular e, principalmente, via raízes secundárias, atingindo posteriormente o xilema, onde ocorre abundante esporulação, com transporte de conídios pelo fluxo transpiratório. Duas hipóteses tentam explicar a ocorrência da murcha. Uma delas seria mediante a produção de toxinas e a outra, devido ao impedimento físico ao fluxo de água.
A disseminação da doença pode ocorrer de diversas formas. Os rizomas, raízes e pseudocaule de plantas doentes liberam grande quantidade de inóculo na superfície do solo e a transmissão da doença estaria na dependência do contato de raízes de plantas sadias com este inóculo. Outras formas freqüentes de disseminação seriam a água de irrigação, de drenagem e de inundação, animais, homem, equipamentos e material de plantio infectado. Para o caso específico do Brasil, a disseminação via material de plantio infectado é importantíssima, uma vez que inexistem produtores de mudas certificadas de banana.
Por tratar-se de um fungo veiculado pelo solo, as alterações químicas e/ou físicas do mesmo podem contribuir para maior ou menor incidência da doença, admitindo-se, inclusive, que qualquer estresse sofrido pela planta interfira diretamente no seu mecanismo de resistência. Plantas cultivadas em solos com maiores níveis de pH, cálcio, magnésio, zinco e, principalmente, maiores teores de matéria orgânica estão menos sujeitas à infecção por F oxysporum f. sp. cubense.
Controle - O uso de variedades resistentes continua sendo o melhor método de controle. Entre os grupos de variedades resistentes podem ser destacados: (1) grupo AAA - Nanica, Nanicão, Grande Naine e Yangambi. As três primeiras são suscetíveis à raça 4 do patógeno que, entretanto, ainda não foi constatada no país; (2) grupo AAB - destacam-se os cultivares Terra, Terrinha e D’Angola (todas do subgrupo Terra) e ainda o cultivar Mysore; (3) grupo AAAB - destaca-se o cultivar Ouro da Mata, também conhecido como Prata Maçã, que até o momento tem se mostrado resistente.
Como variedades de média suscetibilidade pode-se destacar a Prata Anã, Prata, Pacovan e Pioneira.
Ainda dentro da linha de controle genético, híbridos tetraplóides, gerados em programa de melhoramento genético da bananeira, têm se mostrado promissores não só pela resistência à doença, como também pelas características agronômicas superiores, garantindo-lhes boas chances de se tornarem variedades comerciais.
Apesar da inexistência de medidas eficazes no controle do mal-do-Panamá, uma série de recomendações de caráter geral deve ser observada, mesmo nos cultivos que utilizam as variedades resistentes, porque as mesmas não estão livres da ocorrência de casos da doença. As recomendações abaixo são uma garantia a mais no cultivo da bananeira: (1) dar preferência ao plantio em áreas sem história de ocorrência do mal-do-Panamá; (2) utilizar mudas sadias obtidas de produtores credenciados ou de bananais jovens e vigorosos; (3) proceder à limpeza das mudas, mediante descorticamento do rizoma, eliminando-se aqueles com algum sintoma; (4) analisar e corrigir o solo, elevando o pH para níveis próximos à neutralidade; (5) dar preferência a solos férteis com altos níveis de matéria orgânica, prática que tem se mostrado como o fator mais importante na redução da doença; (6) evitar solos mal drenados; (7) exercer um bom controle sobre os nematóides e a broca-do-rizoma, já que podem atuar como agravantes da doença; (8) inspecionar periodicamente o bananal e erradicar plantas com sintomas da doença, procedendo posteriormente a uma calagem na região da planta erradicada, prática que impedirá ou reduzirá o aparecimento de novas plantas afetadas.
PODRIDÃO DA COROA - Cephalosporium sp.; Fusarium spp.; Colletotrichum musa e; Deighthoniella torulosa e Ceratocystis paradoxa
Com a prática do despencamento dos frutos para comercialização, o problema mais importante em pós-colheita é a podridão da coroa ou almofada.
Sintomas - Com o ferimento deixado pelo despencamento, cria-se um ponto de fácil acesso para fungos e bactérias oportunistas. O estabelecimento destes patógenos provoca escurecimento e necrose do tecido, seguido do aparecimento de sinais do patógeno na superfície afetada. Os primeiros sintomas normalmente aparecem sete dias após a inoculação, espalhando-se rapidamente durante a maturação, podendo, posteriormente, passar da almofada para o pedicelo dos frutos e, muitas vezes, para os próprios frutos, tornando-os imprestáveis para o consumo.
Etiologia - Os seguintes fungos têm sido associados à podridão da coroa: Cephalosporium sp., Fusarium spp., Colletotrichum musae, Deighthoniella torulosa e Ceratocystis paradoxa. Estes fungos são parte da flora encontrada em flores e folhas velhas, frutos e restos florais, além da água usada na lavagem do látex. São, portanto, patógenos que vêm aderidos à superfície do ferimento durante o beneficiamento da fruta. O problema é mais grave em frutos que passam por períodos de transporte superiores a 10 dias.
Controle - As medidas de controle devem incluir desde práticas culturais ainda no campo, rapidez no manuseio da fruta, limpeza nos galpões de beneficiamento e, por último, controle químico. Desta forma, as seguintes medidas devem ser tomadas: (1) eliminação de fontes de inóculo no campo (brácteas e folhas de transição, folhas secas, restos florais); (2) redução do tempo entre a colheita e a refrigeração da fruta; (3) limpeza e desinfestação dos tanques de despencamento e lavagem, após o uso; (4) imersão ou pulverização com produtos a base de tiabendazol, benomyl ou tiofanato metílico, em concentrações que variam de 200 a 400 ppm, dependendo da distância do mercado consumidor.
ANTRACNOSE - Colletotrichum musae (Berk. & Curtis) Arx
A doença é um problema