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Citação Por Hora Certa - 01

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absolutamente desvinculada do exercício do direito de defesa do réu. Na 
realidade, serve apenas para incrementar a certeza de que o réu foi efetivamente 
cientificado acerca dos procedimentos inerentes à citação com hora certa.
E nem poderia ser diferente, na medida em que também esse comunicado é 
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ficto, apenas se presumindo ter sido recebido pelo réu, pois a notificação não é – nem 
poderia ser – pessoal. Em outras palavras, mesmo expedido o comunicado, ainda assim 
não será possível afirmar com absoluta certeza que o réu foi de fato cientificado da ação 
contra ele proposta.
Sendo assim, a sua expedição não tem o condão de alterar a natureza 
jurídica da citação com hora certa, que continua sendo ficta, tampouco interfere na 
fluência do prazo de defesa do réu.
Tanto é assim que doutrina e jurisprudência são unânimes em afirmar que o 
comunicado do art. 229 do CPC não integra os atos solenes da citação com hora certa, 
computando-se o prazo de defesa a partir da juntada do mandado citatório aos autos.
Outro não é o entendimento do STJ, que já se manifestou mais de uma vez 
no sentido de que “o prazo da contestação, na citação com hora certa, inicia-se a partir da 
juntada do mandado aos autos e não da data da recepção da carta enviada pelo escrivão” 
(REsp 180.917/SP, 3ª Turma, Rel. Min. Ari Pargendler, DJ de 16.06.2003. No mesmo 
sentido: REsp 211.146/SP, Rel. Min. Waldemar Zveiter, 3ª Turma, DJ de 01.08.2000; e 
REsp 746.524/SC, 3ª Turma, minha relatoria, DJe de 16.03.2009).
Com efeito, vincular o comunicado em questão à contagem do prazo de 
defesa subverteria a vontade do legislador, que viu nessa formalidade apenas um meio de 
conferir maior transparência à citação com hora certa, sem qualquer reflexo para o direito 
de defesa do réu.
Dessarte, qualquer nulidade atrelada ao comunicado do art. 229 do CPC 
deve ser vista com extremo cuidado e temperamento, evitando-se a distorção dos reais 
objetivos pretendidos pelo legislador com a norma.
Cândido Rangel Dinamarco lembra, com propriedade, que “a consciência 
de que as exigências formais do processo não passam de técnicas destinadas a impedir 
abusos e conferir certeza aos litigantes, manda que elas não sejam tratadas como fins em 
si mesmas, senão como instrumentos a serviço de um fim” (Instituições de direito 
processual civil. Vol. II, 4ª ed. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 599).
Com efeito, o conceito de instrumentalidade das formas, contido nos arts. 
244 e 249, § 1º, do CPC, se associa à não impositividade das nulidades. O ato não é nulo 
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apenas por estar formalmente viciado. Além de não respeitar o modelo formal previsto 
em lei, o ato deve se afastar da finalidade a que se destina, causando prejuízo efetivo a 
uma das partes. Retomando os ensinamentos de Cândido Rangel Dinamarco, “a 
invalidade do ato é indispensável para que ele seja nulo, mas não é suficiente nem se 
confunde com a sua nulidade” (op. cit., p. 600).
Conforme alertei no julgamento do REsp 746.524/SC, 3ª Turma, minha 
relatoria, DJe de 16.03.2009,
 a moderna interpretação das regras do processo civil deve tender, na 
medida do possível, para o aproveitamento dos atos praticados e para a solução 
justa do mérito das controvérsias. Os óbices processuais não podem ser 
invocados livremente, mas apenas nas hipóteses em que seu acolhimento se faz 
necessário para a proteção de direitos fundamentais da parte, como o devido 
processo legal, a paridade de armas ou a ampla defesa. Não se pode 
transformar o processo civil em terreno incerto, repleto de óbices e armadilhas.
Na hipótese específica dos autos, o mandado de citação dos recorrentes foi 
juntado aos autos em 04.11.2004 (fl. 50, e-STJ), enquanto seus embargos foram 
apresentados tão somente em 30.05.2005 (fl. 70, e-STJ), ou seja, mais de 06 meses 
depois, sendo clara a intempestividade.
Registre-se, apenas para argumentar, que o comunicado previsto no art. 229 
do CPC foi expedido em 18.03.2005 (fl. 56, e-STJ), tendo os respectivos ARs sido 
juntados aos autos em 14.04.2005 (fl. 59, e-STJ). Portanto, mesmo que o prazo de defesa 
fosse contado da juntada dos mencionados ARs, ainda assim os embargos dos 
recorrentes, apresentados mais de 45 dias depois, seriam intempestivos.
Portanto, por qualquer ângulo que se analise a questão, a intempestividade 
dos embargos dos recorrentes é patente.
Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial.
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CERTIDÃO DE JULGAMENTO
TERCEIRA TURMA
 
 
Número Registro: 2008/0188304-8 PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.084.030 / MG
Números Origem: 10024044265411001 10024044265411003 10024044265411004 200800211387
PAUTA: 18/10/2011 JULGADO: 18/10/2011
Relatora
Exma. Sra. Ministra NANCY ANDRIGHI
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro MASSAMI UYEDA
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. MAURÍCIO VIEIRA BRACKS
Secretária
Bela. MARIA AUXILIADORA RAMALHO DA ROCHA
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : MC MEDICINA E CONSULTORIA OCUPACIONAL LTDA E OUTRO
ADVOGADO : GUILHERME HENRIQUE BAETA DA COSTA E OUTRO(S)
RECORRIDO : BANCO BRADESCO S/A
ADVOGADOS : LINO ALBERTO DE CASTRO
MARCOS PAULO DE SOUZA BARBOSA E OUTRO(S)
ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Obrigações - Espécies de Títulos de Crédito - Cédula de Crédito Bancário
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão 
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto 
do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a). Os Srs. Ministros Massami Uyeda, Sidnei Beneti, Paulo de 
Tarso Sanseverino e Ricardo Villas Bôas Cueva votaram com a Sra. Ministra Relatora.
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