RADIOLOGIA PRÁTICA PARA O ESTUDANTE DE MEDICINA
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diogênicas.
2. Padrão radiográfico:
A) Edema intersticial:
\u2022 Aumento do calibre dos vasos do lobo superior
(redistribuição do fluxo).
\u2022 Borramento perivascular.
\u2022 Borramento peribrônquico, notando-se aumento
da espessura da parede brônquica, especialmente
nos brônquios segmentares vistos de cima (seg-
mentos anteriores dos lobos superiores).
\u2022 Borramento (enevoamento) hilar. O edema é mais
pronunciado nos hilos pela maior quantidade de
li nfáticos e tecido conjuntivo nesta topografia.
\u2022 Aparecimento das linhas septais de Kerley. (Linhas
A: 5 a 10 cm, curvilíneas em direção ao hilo; li-
nhas B: 1,5 a 2,0 cm, horizontais e na periferia
pulmonar, sendo melhor visíveis junto ao seio
costofrênico ; e linhas C: mesmas medidas que B loca-
lizadas nas regiões anteriores e posteriores dos
pulmões.)
\u2022 Edema subpleural.
\u2022 Padrão de infiltrado reticular difuso pode originar-
se da soma de todos os sinais acima descritos.
B) Edema alveolar:
\u2022 Edema pulmonar basal: nódulos acinares (alveola-
res) que tendem à coalescência, bilaterais, mais
extensos nas regiões basais e que podem atingir os
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lobos superiores dependendo da gravidade da
doença de base.
\u2022 Edema em "asa de borboleta": possui distribuição
periilar.
\u2022 Broncograma aéreo pode aparecer, dificultando a
diferenciação com pneumonia.
\u2022 O derrame pleural freqüentemente está associado.
\u2022 Todas as alterações descritas acima resultam em
diminuição do volume (complacência) e aumento
da densidade pulmonar.
a/ ESTENOSE MITRAL
Estreitamento da válvula mitral com conseqüente
redução do fluxo sanguíneo do átrio esquerdo (AE)
para o ventrículo esquerdo (VE). Em geral é resultante
de uma endocardite reumática. Aumenta primei-
ramente o AE e o VD com conseqüente elevação da
pressão capilar pulmonar e desenvolvimento de hiper-
tensão no território arterial pulmonar, e aparecimento
dos sinais radiográficos típicos na circulação pulmo-
nar. Calcificações na válvula e no AE podem ser evi-
denciadas.
Na estenose mitral de longa duração o achado de
micronódulos no interstício sugerem deposição de
hemossiderina (hemossiderose) e, eventualmente, os-
sificação.
V DOENÇA CARDIOVASCULAR
HIPERTENSIVA
\u2022 Paciente com hipertensão arterial sistêmica
\u2022 Sobrecarga de VE.
\u2022 Coração apresenta-se inicialmente normal.
\u2022 Hipertrofia ventricular esquerda concêntrica.
\u2022 Dilatação e alongamento da aorta.
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136 RADIOLOGIA PRÁTICA PARA O ESTUDANTE DE MEDICINA
V INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA
(ICC)
Caracterizada pela incapacidade do coração em
manter um débito cardíaco satisfatório. A insuficiência
ventricular esquerda induz ao edema pulmonar com
dispnéia e cianose periférica. Na insuficiência ventri-
cular direita há uma congestão venosa sistêmica com
dilatação das veias cervicais, edema periférico, hepa-
tomegalia e ascite. Freqüentemente há insuficiência
biventricular. Assim, pode-se evidenciar na radiografia
de tórax a dilatação de uma ou várias câmaras cardía-
cas, com posterior dilatação global. A dilatação das
veias pulmonares com acentuação das silhuetas vas-
culares também é um achado importante. Os edemas
intersticial, determinando borramento vascular, e al-
veolar, com derrame pleural, são estágios conseqüen-
tes da doença.
TROMBOEMBOLISMO PULMONAR (TEP)
Resulta da oclusão de vasos arteriais pulmonares
por êmbolos provenientes das veias dos membros infe-
riores e pélvicas. A radiografia simples pode ser
normal (20% dos casos) ou mostrar um ou mais dos se-
guintes sinais:
Achados radiográficos:
\u2022 Dilatação dos vasos pulmonares centrais.
\u2022 Interrupção do trajeto vascular com diminuição
abrupta do calibre (sinal do nó).
\u2022 Hipertransparência por oligoemia (sinal de Wes-
termark).
\u2022 Atelectasias discóides.
\u2022 Consolidação alveolar, habitualmente homogê-
nea, sem broncograma aéreo e delimitada por li-
nha convexa que aponta para o hilo (Corcova de
Hampton).
\u2022 A tríade clássica da embolia pulmonar inclui: con-
solidação alveolar, derrame pleural de pequeno
volume e elevação do diafragma, sendo este o
sinal isolado mais comum da embolia pulmonar.
\u2022 O TEP pode ocorrer com ou sem infarto pulmonar.
No TEP com infarto existe a presença de cavidade,
derrame pleural volumoso e condensação com a
resolução superior a três semanas.
A cintilografia pulmonar por ventilação/perfusão
mostrando defeito segmentar único ou múltiplos e a
arteriografia pulmonar ou TC espiral evidenciando
falhas de enchimento arteriais firmam o diagnóstico.
CARDIOVASCULAR II 137
Fig. 10-1.
Cardiopatia congênita acianótica. Comunicação
interatrial (CIA). Notar a área cardíaca normal com sinais
de hiperfluxo pulmonar observando-se as imagens
arteriais estendendo-se até a periferia do pulmão.
Fig. 10-2.
Cardiopatia congênita cianótica. Tetralogia de Fallot. (A) PA. (B) Perfil com esôfago contrastado. Observar a
hipertrofia e o aumento do VD (ventrículo direito), fazendo o sinal do tamanco holandês e ocupando o espaço
retroesternal. Oligoemia pulmonar.
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Fig. 10-3.
Hipertensão arterial pulmonar
severa. Síndrome de Eisenmenger. A
paciente possuía um CIV
(comunicação interventricular) que
evoluiu com inversão do fluxo
intracardíaco que agora ocorre da
direita para a esquerda. Observar o
abaulamento do arco médio (tronco
da artéria pulmonar) e o aumento do
calibre dos vasos pulmonares
centrais. A elevação da ponta do
coração indica o aumento do VD
(ventrículo direito).
A
Fig. 10-4.
Insuficiência ventricular esquerda. (A) PA. (B) Perfil. Pequeno aumento do volume das câmaras esquerdas
associado à redistribuição do fluxo e edema intersticial pulmonar. Presença de linhas B de Kerley no limiar da
visibilidade. Notar a presença de diminuto derrame cissural no perfil (setas).
CARDIOVASCULAR II 139
Fig. 10-5. Fig. 10-7.
Edema agudo de pulmão. Condensações alveolares
bilaterais, mais extensas nos lobos inferiores.
Edema agudo de pulmão. Radiografia de tórax no
leito em AP. Observar as condensações alveolares
extensas bilaterais. Notar a dificuldade do
diagnóstico pelo padrão radiográfico não satisfatório
em alguns exames realizados no leito.
Fig. 10-8.
Fig. 10-6.
Edema agudo de pulmão. Radiografia do tórax em AP.
Edema agudo de pulmão. Observar os eletrodos de Paciente no CTI. Observar a presença de extensas
monitoração cardíaca e tubo orotraqueal consolidações alveolares poupando a periferia dos
corretamente posicionados. Paciente internado no pulmões onde a remoção do líquido é mais rápida e
CTI. direcionada para os hilos. Bomba linfática.
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Fig. 10-9.
Edema agudo de pulmão pós-infarto agudo do miocárdio. (A) PA. (B) PA. Observar a acentuada redução das
condesações alveolares após 48 h de tratamento.
Fig. 10-10.
Estenose mitral. Cardiopatia reumática. Observar a
calcificação curvilínea na parede do átrio esquerdo
(seta). Esternorrafia.
B
CARDIOVASCULAR II 141
Dupla lesão mitral com estenose predominante. (A) PA. (B) Perfil com esôfago contrastado. Sinais de aumento
de AE (átrio esquerdo) e do VD (ventrículo direito) com estase na circulação pulmonar.
Fig. 10-12.
Insuficiência mitral. Aumento das câmeras
esquerdas com estase. A insuficiência protege a
circulação pulmonar, diminuindo os níveis
pressóricos.
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Fig. 10-13.
Insuficiência cardíaca. (A) PA. (B) Perfil com esôfago contrastado. Entre os sinais clássicos já descritos observar
o aumento do VE que, no perfil, ocupa o espaço retrocardíaco sem determinar compressão esofagiana. Sinais de
severa hipertensão arterial pulmonar associada.
Insuficiência cardíaca congestiva. Observar a
inversão do padrão vascular e a associação de
edema intersticial e alveolar com pequeno
derrame pleural bilateral.
Anderson
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Excelente material Como faço para baixar este arquivo?
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