RADIOLOGIA PRÁTICA PARA O ESTUDANTE DE MEDICINA
204 pág.

RADIOLOGIA PRÁTICA PARA O ESTUDANTE DE MEDICINA


DisciplinaRadiologia4.985 materiais48.406 seguidores
Pré-visualização27 páginas
a hipoplasia da cabeça do fêmur (*), luxação
com desvio lateral coxofemoral e interrupção da linha de Shenton à direita.
Fig. 11-34.
Radiografia da bacia em AP. Adulto. Notar a seqüela
da luxação congênita do quadril esquerdo. Esta
paciente teve luxação quando criança, não sendo
tratada. Observar o acetábulo original raso e a
formação de um novo acetábulo (pseudo-acetábulo)
acima, articulado à cabeça do fêmur.
OSTEOARTICULAR I 167
Fig. 11-35.
Radiografia da bacia em AP. Doença de Legg-Calvé-Perthes. Observamos a fragmentação e o achatamento da
cabeça do fêmur esquerdo com encurtamento do colo. Osteoporose por desuso no acetábulo e regiões
adjacentes.
Fig. 11-36.
Radiografia da bacia em AP. Legg-Perthes à esquerda.
Osteopenia periarticular, achatamento com aumento
da densidade da epífise femoral e irregularidade na
sua superfície. Acetábulo preservado.
168 RADIOLOGIA PRÁTICA PARA O ESTUDANTE DE MEDICINA
Fig. 11-37.
Radiografia de bacia em AP. Epifisiólise à esquerda.
Notar deslocamento epifisário femoral esquerdo,
redução aparente da altura da epífise, borramento da
fise e discreta interrupção da linha de Shenton.
Comparar com a articulação direita.
Fig. 11-39.
Radiografia simples da articulação coxofemoral
direita. Epifisiólise. Observa-se o deslocamento da
cabeça do fêmur no sentido medial e posterior,
determinando redução relativa da sua altura e
borramento da fise. Deformidade do colo femoral
associada.
Fig. 11-38.
Radiografia da bacia em
AP. Epifisiólise bilateral.
Notar parafusos metálicos
fixando a cabeça do fêmur.
O deslocamento epifisário
foi corrigido. Observamos
deformidade do colo
femoral à direita.
OSTEOARTICULAR II 12
ALTERAÇÕES HEMATOPOIÉTICAS
Anemia falciforme
É uma doença de natureza genética em que os paci-
entes apresentam a hemoglobina S. Esta mostra duas
cadeias alfa normais e duas cadeias beta anômalas. Nas
cadeias beta o glutamato, na posição seis, encontra-se
substituído pela valina, formando-se então precipitados
que deformam os glóbulos vermelhos (hemácias
falciforme ), quando sob baixa tensão de oxigênio. Dessa
forma os achados radiológicos dar-se-ão basicamente
pela hiperplasia normoblástica da medula óssea e pela
obstrução vascular determinada pelas hemácias anô-
malas, causando isquemia e necrose.
Achados radiológicos
\u2022 Perda óssea por hiperplasia medular, o achado
mais comum, resulta em densidade óssea diminuí-
da.
\u2022 Padrão trabecular grosseiro (malha de arame).
\u2022 Presença de infarto ósseo. Destruição irregular
com reação periosteal, geralmente nas epífises das
crianças com mais idade.
\u2022 Infarto ósseo em diáfises de adultos.
\u2022 Nas vértebras, a osteoporose pode provocar defor-
midades por compressão, ocasionando o aspecto
de biconcavidade.
\u2022 A vértebra da anemia falciforme apresenta depres-
são central semelhante a um degrau no platô ver-
tebral.
\u2022 Um aspecto de "cabelo eriçado" do crânio, tão
típico da talassemia, é infreqüente mas pode haver
aumento do espaço diplóico.
\u2022 Cardiomegalia.
\u2022 Infarto do baço (redução do volume) com calcifi-
cações, podendo chegar à auto-esplenectomia.
\u2022 Fraturas patológicas e osteomielite podem ocor-
rer.
3 ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS
Osteomielite
É a inflamação aguda ou crônica dos ossos geral-
mente causada por bactérias e eventualmente por fun-
gos, que se instalam preferencialmente em ossos bem
vascularizados.
Devemos lembrar que a osteomielite inicial é diag-
nosticada pela cintilografia e a RM é tão sensível quan-
to esta. A RM pode ainda trazer informações sobre as
estruturas vizinhas.
Três mecanismos básicos permitem que um orga-
nismo infeccioso alcance o osso:
1. Disseminação hematogênica: o local de infecção
é distante como a pele, as amígdalas, a vesícula
biliar ou o trato urinário. E mais comum em crian-
ças e ocorrem nas metáfises ósseas. Nos adultos
mais comum na coluna vertebral.
2. Disseminação por foco contíguo: o comprometi-
mento ósseo deriva da infecção de tecidos moles
vizinhos ao osso envolvido. Por exemplo, os den-
tes para a mandíbula ou dos seios paranasais para
a calota craniana ou face.
3. Implantação direta: através de um ferimento
diretoseja por projétil de arma de fogo, perfuração
por corpo estranho, fratura exposta ou por um
procedimento cirúrgico.
Osteomielite aguda e crônica
Sinais radiológicos
\u2022 O edema de partes moles com perda dos planos
de gordura é o sinal mais precoce (24 a 48 horas).
\u2022 Lesão lítica destrutiva inicial no osso (7 a 10 dias),
geralmente acompanhado por reação periosteal.
\u2022 Lesão óssea progressiva da cortical e medular,
com esclerose endosteal e reação periosteal (2 a 6
semanas).
169
170 RADIOLOGIA PRÁTICA PARA O ESTUDANTE DE MEDICINA
\u2022 Areas de seqüestro ósseo necrótico (6 a 8 sema-
nas). E um osso morto dentro de uma área de os-
teomielite.
\u2022 A capa de novo osso periosteal circundante do
osso é chamada de invólucro.
\u2022 No estágio denominado osteomielite crônica for-
ma-se um trajeto fistuloso com drenagem através
do invólucro.
\u2022 O abscesso de Brodie é um abscesso ósseo de
tamanho variado que representa um foco subagu-
do ou crônico de infecção ativa.
Tuberculose
A infecção é de origem hematogênica e freqüente-
mente é demonstrada a doença pulmonar simultânea.
As costelas e a coluna vertebral são os locais mais fre-
qüentemente atingidos. Pode ocorrer tanto nos ossos
quanto nas articulações.
A artrite tuberculosa é monoarticular e geralmen-
te secundária a uma osteomielite tuberculosa adja-
cente. Apresenta uma tríade: osteoporose periarticu-
lar, erosões ósseas periféricas e redução gradual do
espaço articular, que é característica da doença. A
redução do espaço articular é de evolução arrastada,
diferenciando-a da artrite piogênica que possui evo-
lução rápida.
Aspectos radiológicos
\u2022 Durante a segunda infância, possui uma aparência
cística, com destruição cortical irregular, expan-
são para os tecidos moles, sem neoformação óssea
periosteal.
\u2022 Em crianças e adultos manifesta-se como lesão
lítica localizada na metáfise, com esclerose margi-
nal e reação periosteal sobrejacente, podendo-se
expandir para os tecidos moles e sem formação de
seqüestros .
\u2022 A infecção na coluna vertebral manifesta-se atra-
vés de um estreitamento do espaço discal, com
destruição dos platôs vertebrais adjacentes ao dis-
co. Massa (fuso) paravertebral é comum. Rara-
mente o processo infeccioso pode destruir uma
única vértebra ou parte de uma vértebra (pedícu-
lo) sem invasão do disco.
V ALTERAÇÕES METABÓLICAS
Osteoporose
É a doença óssea sistêmica mais comum. É carac-
terizada por formação insuficiente ou reabsorção au-
mentada de matriz óssea, resultando em redução da
massa óssea e aumento da radiotransparência do osso
com adelgaçamento das corticais e trabéculas. As fra-
turas tornam-se mais freqüentes. Desta forma existe uma
redução da densidade radiológica de todo o esqueleto
ósseo aos raios X. Seu diagnóstico, entretanto, é dado
pela densitometria.
Os locais-alvo das alterações são o esqueleto axial
(coluna vertebral e pelve) e as regiões periarticulares
do esqueleto apendicular. A osteoporose pode ser do
tipo difuso ou localizado. As vértebras apresentam-se
bicôncavas.
Manifesta-se principalmente nos indivíduos idosos
e nas mulheres depois da menopausa, assim como nos
casos de imobilização prolongada, bem como em
numerosas doenças endócrinas (h iperparatireioidis-
mo, doença de Cushing, etc).
Uma avaliação objetiva da osteoporose pode ser
feita medindo-se a espessura da córtex do terceiro me-
tacarpiano. A soma das espessuras das corticais na
metade da diáfise deve ser pelo menos de 50% da
espessura total do metacarpo no mesmo nível.
Raquitismo e osteomalácia
O raquitismo (em crianças) e a osteomalacia (em
adultos) são o resultado de mineralização deficiente
(calcificação) da matriz
Anderson
Anderson fez um comentário
Excelente material Como faço para baixar este arquivo?
0 aprovações
Wilson
Wilson fez um comentário
35
0 aprovações
Carregar mais