Apostila Direito Penal Especial
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Apostila Direito Penal Especial


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Tipo subjetivo: Dolo e especial fim de agir ( fim de praticar crimes) 
- Consumação: 
 - independe da realização do fim (crimes) visado. (crime formal) 
- Tentativa: não é admissível. 
Forma majorada (parágrafo único \u2013 2x): 
 - se a quadrilha ou bando é armado. 
- Quadrilha para o fim de cometer crimes hediondos: 
- se os crimes visados forem crimes hediondos, prática da tortura ou 
terrorismo, aplica-se o art. 8º da Lei n. 8.072/90. (3 a 6 anos de reclusão) 
- Quadrilha para Tráfico: 
 - incide o tipo específico (art. 35 da Lei 11.343/06). 
 
 DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA 
 
- Moeda Falsa (art. 289) 
 
- OBS: falsificação por alteração, moeda ou papel já existe, mas o agente aumenta o seu valor. 
- Crime Impossível: 
 - falso grosseiro na absoluta impossibilidade de ser aceita a moeda 
- A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura crime de 
estelionato (Sum. 73 STJ) 
 
- É majoritário o entendimento (STF/STJ) que não incide o princípio da insignificância. 
 
- Forma Privilegiada ( par. 2º - 6 meses a 2 anos): 
- aquele que recebeu de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, e a restitui 
à circulação, depois de conhecer a falsidade. 
- Forma Qualificada ( par. 3º - 3 a 15 anos) 
- o funcionário público ou diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão. 
- que fabrica, emite ou autoriza a fabricação ou emissão: de moeda com título ou peso 
inferior ao determinado em lei; de papel-moeda em quantidade superior à autorizada. 
- Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não 
estava ainda autorizada. 
 
 
 
 
 
- Falsidade ideológica (Art. 299) 
 
- Pena: 
- se o documento é público: 1 a 5 anos e multa 
- se o documento é particular: 1 a 3 anos e multa 
 
- Diferença entre falsidade material e ideológica. 
- Falsidade ideológica : 
- o documento não possui vício em sua forma, ou seja, é formalmente perfeito (não 
envolve a forma do documento). 
- seu conteúdo é falso, de modo que é provada pela apuração dos fatos. 
- Falsidade material: 
- o documento possui vício em sua forma, (rasuras, introdução de novos dizeres, 
supressão de palavras). 
- Tipo subjetivo. 
- dolo ( vontade de falsificar) e o elemento subjetivo especial do tipo (fim de 
prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade.) 
- Consumação: 
- com a simples conduta de falsificar, desde que o falso possua potencialidade do 
dano objetivado pelo agente ( crime formal). 
 - Tentativa: 
- é possível na forma inserir e fazer inserir. 
- Não é possível na forma omitir (omissivo próprio) 
 
Forma majorada (parágrafo único \u2013 1/6) 
- funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo 
- se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil. 
 
- CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL 
 
- Peculato (art. 312) 
 
- Espécies de Peculato: 
- Peculato-apropriação: 
- funcionário público apropria-se de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou 
particular, de que tem a posse em razão do cargo. 
 - delito de apropriação indébita (CP, art.168), com o sujeito ativo específico. 
 
- Peculato-desvio: 
- funcionário público desvia dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou 
particular, de que tem a posse em razão do cargo, em proveito próprio ou alheio. 
- se o desvio for em favor da própria administração(Art. 315 do CP \u2013 Emprego irregular de 
verbas públicas). 
 
- Peculato-furto (peculato impróprio): 
 - funcionário subtrai ou concorre para subtração do dinheiro, valor ou bem. 
 - não tem a posse e se vale da facilidade que lhe proporciona a qualidade de 
funcionário. (necessário o nexo causal entre a facilidade e o crime) 
 
- Peculato culposo: 
 - funcionário concorre culposamente para o crime de outrem 
- para existir depende da existência de outro crime. (crime parasitário) 
 
- Reparação do dano no peculato culposo (§3º): 
 - se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade; 
 - se é posterior a sentença irrecorrível reduz de metade a pena imposta 
- Sendo doloso o peculato, a reparação do dano poderá gerar Arrependimento Posterior 
(Art.16 do CP) 
 
- Peculato de uso: 
 - não configura o crime pela ausência do animus de apropriação. 
 
- Peculato mediante erro de outrem (art. 313) 
- funcionário público que apropria-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do 
cargo, recebeu por erro de outrem. 
- deve receber por erro espontâneo de outrem, ou seja, não induz a pessoa a erro. - Se induzir 
a erro, responderá por estelionato (art. 171). 
- O dolo de apropriar é posterior ao recebimento. 
 
- Inserção de dados falsos em sistema de informações: Peculato eletrônico(art. 313-A) 
 
- Sujeito ativo: 
- funcionário que esteja autorizado a inserir dados nos sistemas informatizados ou bancos de 
dados. 
 
a) Inserir dados falsos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da Administração 
Pública; 
b) facilitar a inserção de dados falsos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da 
Administração Pública; 
c) alterar indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da 
Administração Pública; 
d) excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou bancos de dados da 
Administração Pública. 
 
- Tipo Subjetivo: 
- Dolo e o elemento subjetivo especial do tipo ( \u201ccom o fim de obter vantagem indevida para si 
ou para outrem ou para causar dano\u201d) 
 
- Consumação: com a inserção de dados falsos, ou com a alteração ou exclusão de dados 
corretos, 
 
 
- Tentativa: é possível. 
 
- Concussão (Art. 316) 
 
 - Tipo Objetivo: 
 - exigir vantagem indevida, para si ou para outrem, direta ou indiretamente. 
 - em razão da função, ainda que fora dela, ou antes de assumi-la 
 - há ameaça de represálias, incutindo temor na vítima. 
- Tipo subjetivo: 
 - Dolo e o elemento subjetivo especial do tipo(\u201cpara si ou para outrem\u201d). 
- Consumação: 
 - com a simples exigência (crime formal). 
 - O recebimento da vantagem indevida é mero exaurimento. 
- Tentativa: é admissível.(p.ex. por escrito) 
 
 
 
- Excesso de exação (art. 316, §1º) 
 
- Tipo objetivo: 
 - 1) exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido; 
 - 2) emprega na cobrança do tributo, embora devido, meio vexatório ou gravoso, que 
a lei não autoriza. 
 
- Consumação: com a simples conduta, independente do recebimento do tributo (crime 
formal). 
- Tentativa : se admite. 
 
- Forma Qualificada (par. 2º - 2 a 12 anos): 
- A forma qualificada ocorre após a prática do crime previsto no § 1º, ou seja, o exaurimento 
funciona como qualificadora. 
- o funcionário recebe indevidamente para recolher aos cofres públicos, mas não recolhe. 
 
- Corrupção passiva (art. 317) 
 
- Tipo objetivo: 
- solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da 
função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceita promessa de 
tal vantagem. 
 a) Solicitar: significa pedir. A iniciativa é do funcionário. 
 - O particular que der a vantagem indevida não pratica crime 
b) Receber: obter a vantagem. A iniciativa é do particular (extraneus) que \u201coferece para ...\u201d. 
- O funcionário responde pelo art. 317 e o particular por corrupção ativa (art. 333) 
 
c) Aceitar promessa: concordar em receber. A iniciativa é do particular. 
- O funcionário responde pelo art.317 e o particular pelo art.333 (prometer vantagem para...). 
 
- Consumação: 
 a) solicitar: no momento em que a solicitação chega ao terceiro; 
 b) receber: com o recebimento da vantagem; 
 c) aceitar promessa: consuma-se com a simples aceitação. 
OBS: o delito se consuma independentemente do funcionário retardar ou deixar de praticar 
qualquer