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Jurisdição e Competência

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contra o ausente, que devem ser propostas no seu último domicílio, e do incapaz, que 
deve ser demandado no domicílio de seu representante, como manda o CC, art. 76. 
Admite-se a existência de foros concorrentes quando a ação puder ser proposta 
em mais de um foro, indistintamente. E o que ocorre nas demandas de natureza pessoal 
propostas em face de dois ou mais réus com domicílios em comarcas diferentes. Diz a lei 
que o autor poderá propor a ação em qualquer uma delas. Ou ainda nas ações propostas 
por vítimas de acidente de trânsito, que podem ser aforadas no domicílio da vítima ou no 
do local do acidente. 
 
5.3.1. Foro comum (art, 94 do CPC) 
 
A opção do legislador brasileiro foi considerar como foro comum para a 
propositura de ações o do domicílio do réu. Esse o critério que deve prevalecer na falta de 
fixação de foro especial. 
A escolha do legislador afigura-se a mais apropriada: o autor tem a vantagem de 
eleger o momento mais oportuno para aforar a sua demanda e de selecionar quem será, 
ou serão os réus em face de quem ela será proposta. Razoável, portanto, que prevaleça o 
toro do domicílio do réu, para que ele tenha, ao menos, o benefício de responder à 
demanda, sem a necessidade de deslocar-se. 
Embora a lei mencione "réu", a regra geral aplica-se também aos processos 
cautelares (que seguem a regra de competência do processo principal) e os de execução. 
O disposto no CPC, art. 94, aplica-se às ações fundadas em direito pessoal, seja 
sobre bens móveis ou imóveis, e em direito real sobre bem móvel. Quando o bem 
pretendido for móvel, a competência será sempre do domicílio do réu. Quando imóvel, 
cumprirá verificar se a ação versa sobre direito real (CC, art. 1.225) ou pessoal. No 
primeiro, aplica-se o art. 95, e a demanda será proposta no foro de situação do imóvel. No 
segundo, segue-se a regra geral. 
O art. 94 é válido para as pessoas naturais e jurídicas, sendo incumbência da lei 
civil conceituar domicílio, o que ela faz nos arts. 70 a 76. O domicílio da pessoa natural é 
o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo. Quanto às relações 
concernentes à profissão, c também domicílio da pessoa natural o lugar onde ela é 
exercida (CC, art. 72). A lei civil acolheu a possibilidade de pluralidade de domicílios. Se o 
réu tiver mais de um, a demanda poderá ser proposta em qualquer deles, havendo aí 
foros concorrentes, que também existirão quando a demanda for ajuizada em face de 
mais de um réu com domicílios diferentes. 
O domicílio daquele que não tem residência habitual será o lugar onde ele for 
encontrado (CC, art. 73), caso em que a demanda será aí proposta ou no domicílio do 
autor (CPC, art. 94, § 3º). 
Há pessoas que têm domicílio necessário, e nesse foro serão demandadas, como 
o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso (CC, art. 76). O domicílio das 
pessoas jurídicas é aquele estabelecido no CC, art. 75: da União, o Distrito Federal; dos 
Estados e Territórios, as respectivas capitais; do Município, o lugar onde funcione a 
administração municipal; e das demais pessoas jurídicas, as respectivas diretorias ou 
administrações ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou ato constitutivo. 
Caso a pessoa jurídica tenha diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um 
deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. 
Todas essas regras de fixação de domicílio do Código Civil repercutem no CPC, 
em que há vários dispositivos que parecem instituir foro especial, mas que se limitam a 
definir qual o domicílio de certas pessoas. 
Por exemplo, como a lei civil diz que o domicílio do incapaz é o do seu 
representante legal, o CPC, art. 98, determina que aí ele seja demandado. O mesmo vale 
para o domicílio do ausente (art. 97), da agência ou sucursal, pelas obrigações nela 
contraídas (art. 100, IV, b), o local da sede, para os litígios em que for demandada pessoa 
jurídica (art. 100, IV, a), o do exercício da atividade principal, para sociedades sem 
personalidade jurídica, e o do domicílio do de cujus, para as causas relacionadas a 
inventários e partilhas. 
Esses não são foros especiais, mas comuns, tendo a lei processual apenas 
indicado o domicílio dessas pessoas ou entes. Isso é importante porque, como foros 
comuns, eles não prevalecem sobre os especiais. 
O foro comum é apurado utilizando-se o critério territorial de competência. Por 
isso, ela é relativa, podendo ser objeto de modificação, na forma da lei processual civil. 
 
5.3.2. Foros especiais 
 
a) Foro de situação da coisa: o art. 95 estabelece um foro especial: as ações 
que versam sobre direito real sobre bens imóveis devem ser propostas no foro de 
situação da coisa (forum rei sitae). O mesmo dispositivo ainda estabelece que a 
competência, nesse caso, é, em regra, absoluta. Em regra, porque se permite a eleição 
de foro ou a opção pelo domicílio do réu, desde que a demanda não verse sobre 
propriedade, vizinhança, servidão, posse, divisão e demarcação de terras e nunciação de 
obra nova, caso em que a competência será relativa. 
A regra do art. 95 decorre da conveniência de que o litígio seja decidido no local 
em que está a coisa, para que o juiz tenha mais subsídios para proferir o julgamento. 
Cabe ao legislador civil definir quais são os direitos reais e quais os bens imóveis. Para os 
fins de apuração de competência, ele considerou as ações possessórias como reais, tanto 
que determinou o seu aforamento no foro de situação da coisa. Mas só para fins de 
competência as possessórias devem ser consideradas reais. Sua verdadeira natureza 
jurídica é pessoal, pois a posse não foi incluída entre os direitos reais enumerados no CC, 
art. 1.225. Tampouco seguem as regras das ações que versam sobre direito real 
imobiliário, no que concerne à necessidade de outorga uxória no polo ativo e litisconsórcio 
necessário no polo passivo (art. 10, § 2º, do CPC). 
Quando o autor formular pedidos cumulados, de natureza pessoal e real sobre 
bens imóveis, prevalece a competência absoluta do foro de situação da coisa (RT, 65 
1/186). No entanto, tem sido decidido que “A regra de competência absoluta insculpida no 
art. 95, CPC, não tem incidência quando o pedido de reintegração de posse é deduzido 
como mero efeito ou extensão do pedido principal de resolução do compromisso de 
compra e venda” (RSTJ, 74/229). 
Nas ações de resolução de contratos de compra e venda, ou compromisso, com 
pedido cumulado de reintegração de posse, a competência será a do domicílio do réu, 
porque a devolução da coisa é consequência da resolução do contrato, sendo esta a 
postulação principal. 
A força atrativa do foro de situação da coisa estende-se também às ações 
conexas. Caso o imóvel esteja situado em mais de um foro, a demanda poderá ser 
proposta em qualquer um deles (foro concorrente). 
O legislador, ao enumerar, no art. 95, os tipos de litígios relacionados a direitos 
reais, em que a competência será absoluta, sanou a maior parte das dificuldades que 
poderiam surgir sobre o assunto. Entretanto, ainda há situações de grande controvérsia 
doutrinária e jurisprudencial. Por exemplo, a ação em que se pede a desapropriação 
indireta de imóvel, isto é, a reparação de danos, proveniente do apossamento de um bem 
pela Fazenda Pública, sem regular processo expropriatório. Conquanto o pedido seja de 
indenização, o que faria supor a sua natureza pessoal, tem-se pacificado o entendimento 
de que a demanda deve ser proposta no foro de situação da coisa, porque ela repercute 
no direito de propriedade. Acolhido o pedido e feito o pagamento da indenização, haverá 
transferência de propriedade do bem para o ente público que dele se apossou. 
Também há controvérsia sobre as demandas de adjudicação compulsória. O art. 
24 do Decreto-lei n. 58/37 estabelece que a competência é a do foro de situação do lote 
comprometido