A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
24 pág.
Jurisdição e Competência

Pré-visualização | Página 8 de 11

apreensão, para que eles não pereçam ou se 
deteriorem. Surge a herança jacente, que mais tarde se transformará em vacante, se 
persistir a ausência de sucessores. 
Também correm no domicílio do falecido as ações para cumprimento de 
disposições de última vontade deixadas em testamento e aquelas nas quais o espólio for 
réu, seja de que tipo forem, salvo se fundadas em direito real sobre bens imóveis, que 
não são atraídas e permanecem no foro de situação da coisa. Portanto, ações de 
usucapião, desapropriação ou reivindicatórias de bens imóveis que integrem o espólio 
serão propostas no foro de situação. 
Como a regra do CPC, art. 96, é de competência relativa, o foro de eleição 
prevalecerá sobre o do domicílio do falecido. Se houver necessidade de demandar o 
espólio em virtude de um contrato no qual consta o foro de eleição, será este que 
prevalecerá. Nesse sentido, JTA, 44/206. 
Por essas razões, não se afigura correto falar em juízo universal do inventário, 
expressão que só seria adequada se todas as ações fossem por ele atraídas. 
h) Foro do domicílio do devedor para ação de anulação de títulos 
extraviados ou destruídos: o procedimento dessas ações vem previsto no CPC, art. 
907. Duas são as hipóteses em que se pode pedir a anulação: a de desapossamento 
injusto e a de perda do título. O titular do crédito que, desapossado do título, queira reavê-
lo deverá propor ação reivindicatória, seguindo a regra geral de competência. Todavia, se 
a pretensão for de anulação, segue-se o disposto no CPC, art. 100, III, que estabelece a 
competência do foro do domicílio do devedor. 
 
5.3.3. Competência para as ações em que a União é parte 
 
A Constituição Federal estabelece foro especial para as demandas em que a 
União é parte. A competência é da justiça federal, e o foro será aquele do art. 109, §§ 12 
a 32. Se a União é autora, a demanda será aforada na seção judiciária onde tiver 
domicílio o réu, caso em que não se pode falar propriamente em foro especial. Se, porém, 
a ação versar sobre direito real que tem por objeto bem imóvel, prevalece o foro do local 
de situação, apesar do silêncio da CF a respeito. 
As demandas em que a União for ré serão aforadas na seção judiciária em que o 
autor for domiciliado, naquele onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à 
demanda ou onde esteja situada a coisa. 
Serão propostas no foro de situação da coisa apenas as ações reais que versem 
sobre bens imóveis. A regra é absoluta. Nas ações pessoais ou reais sobre bens móveis, 
o foro será concorrente, podendo o autor optar entre o de seu domicílio ou o do local do 
ato ou fato, sendo relativa a competência. 
É controversa a possibilidade de extensão dessas regras às autarquias e 
empresas públicas. Há decisões entendendo que não (RTJ, 154/185, e RTFR, 156/67). 
Parece-nos, porém, que sim, pois as mesmas razões estão presentes para a União e os 
demais entes, tendo apenas a lei dito menos do que deveria dizer. 
Nas ações previdenciárias em que o juiz estadual faz as vezes do federal, quando 
as varas federais não foram ainda instaladas, a competência será do foro do domicílio do 
segurado. 
 
5.3.4. Competência para as ações em que figuram como parte os Estados 
federados 
 
Os Estados e a Fazenda Estadual não têm foro privilegiado. Por isso, a sua 
participação no processo não altera as regras gerais de competência de foro. A demanda 
que verse direito real sobre imóvel será proposta no foro de situação da coisa. Caso o 
Estado seja autor, e a ação verse sobre direito pessoal, ou direito real sobre bem móvel, a 
competência será do foro do domicílio do réu. Se o Estado for réu, as demandas serão 
propostas no seu domicílio, que é a respectiva capital (nos juízos privativos da Fazenda, 
onde houver). 
 
5.4. Competência funcional 
 
As regras de competência funcional para apuração de foro têm natureza absoluta 
e são aplicadas naquelas demandas que mantêm vínculo ou relação com outra que já 
está em curso. Por razões de conveniência, e para evitar eventual desarmonia dos 
julgados, a distribuição é feita por dependência, devendo a demanda posterior ser 
processada no mesmo foro que a anterior. 
É dessa natureza a regra que determina que a execução de título judicial se faça 
no mesmo foro em que correu o processo de conhecimento. A razão é evidente: o foro e o 
juízo onde foi proferida a sentença terão melhores condições de processar a execução e 
de julgar eventuais embargos de devedor. Ou a que determina que os embargos de 
terceiro sejam distribuídos ao foro e juízo onde corre o processo em que foi determinada a 
constrição, ou o aforamento da oposição no foro e juízo da ação principal (CPC, art. 57). 
Também constitui regra de natureza funcional a que determina que o juiz da causa 
principal seja o competente para a acessória (CPC, art. 108) e para a reconvenção, a 
ação declaratória incidente, as ações de garantia e outras que respeitam ao terceiro 
interveniente (CPC, art. 109), o que inclui, além da já mencionada oposição, a 
denunciação da lide e o chamamento ao processo. 
 
5.5. Competência de juízo 
 
O último estágio da verificação de competência é o relacionado ao juízo em que a 
demanda deve ser aforada, o que exige consulta não ao CPC, mas às leis estaduais de 
organização judiciária. A competência de juízo é sempre absoluta e não está sujeita a 
prorrogação ou derrogação, mesmo quando apurada pelo critério territorial ou do valor da 
causa. O CPC admite a eleição de foro, mas não de juízo. É permitido, por exemplo, que 
se eleja o foro da capital quando a competência for relativa. Mas incorre em grave erro 
aquele que elege o foro central da capital. E que este não é "foro" no sentido que o CPC 
empresta à palavra, mas um aglomerado de juízos, ao qual a lei estadual de organização 
judiciária dá o nome de "foro central", em contraposição aos "foros regionais", outros 
aglomerados de juízos. 
A competência dos foros centrais e regionais é absoluta, sendo estabelecida 
pelas leis estaduais de organização judiciária. 
A lei de cada Estado faz uso dos critérios que lhe pareçam mais apropriados para 
a apuração da competência do juízo. Os mais utilizados são os que levam em conta a 
matéria, o valor da causa e o território. 
Nas comarcas de maior porte, é comum o estabelecimento de varas com 
competência específica para o julgamento de determinadas matérias. Em regra, existem 
varas cíveis, criminais, de família e sucessões, da Fazenda Pública, de registros públicos, 
de acidentes de trabalho, de falências, entre outras. A sua competência será dada pela 
matéria sobre a qual versar a demanda. 
Nas comarcas em que há um foro central e foros regionais, a competência de uns 
e outros é dada por uma combinação entre o critério do valor da causa e o territorial. 
Por exemplo, na cidade de São Paulo, compete ao foro central o julgamento de 
demandas em que o valor da causa supere quinhentos salários mínimos (com algumas 
exceções estabelecidas em lei para demandas de valor superior, que podem correr nos 
foros regionais, ou de valor inferior, que só podem correr no central). Ações de valor 
inferior a quinhentos salários-mínimos só correrão no foro central quando, sendo pessoais 
ou reais sobre móveis, o réu estiver domiciliado na região central, ou, versando sobre 
direito real imobiliário, o bem estiver nessa região. A competência dos foros regionais é 
para causas de menor valor (com as exceções acima mencionadas), observando-se o 
domicílio do réu. As ações que versam direito real sobre imóveis correrão no foro de 
circunscrição do imóvel, seja qual for o valor da causa. 
Em qualquer hipótese, a incompetência de juízo é sempre absoluta, o que permite 
ao juiz declará-la de ofício. 
 
5.6. Os juizados especiais cíveis 
 
A propositura da demanda no Juizado Especial Cível, nas causas de sua 
competência,