Constituio Federal Comentada
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Constituio Federal Comentada


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inadmissível círculo de proteção que o faça imune ao poder extradicional do Estado brasileiro, 
notadamente se se tiver em consideração a relevantíssima circunstância de que a Assembléia Nacional Constituinte formulou 
um claro e inequívoco juízo de desvalor em relação a quaisquer atos delituosos revestidos de índole terrorista, a estes não 
reconhecendo a dignidade de que muitas vezes se acha impregnada a prática da criminalidade política." (Ext 855, Rel. Min. 
Celso de Mello, DJ 01/07/05)
 
\u201cÉ constitucional o art. 2º, I, da Lei 8.072/90, porque, nele, a menção ao indulto é meramente expletiva da proibição de graça 
aos condenados por crimes hediondos ditada pelo art. 5º, XLIII, da Constituição. Na Constituição, a graça individual e o 
indulto coletivo \u2014 que ambos, tanto podem ser totais ou parciais, substantivando, nessa última hipótese, a comutação de 
pena \u2014 são modalidades do poder de graça do Presidente da República (art. 84, XII) \u2014 que, no entanto, sofre a restrição do 
art. 5º, XLIII, para excluir a possibilidade de sua concessão, quando se trata de condenação por crime hediondo. Proibida a 
comutação de pena, na hipótese do crime hediondo, pela Constituição, é irrelevante que a vedação tenha sido omitida no D. 
3.226/99.\u201d (HC 84.312, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 25/06/04). No mesmo sentido: HC 81.407, DJ 22/02/02; HC 
77.528, DJ 22/10/99.
 
"A concessão de indulto aos condenados a penas privativas de liberdade insere-se no exercício do poder discricionário do 
Presidente da República, limitado à vedação prevista no inciso XLIII do artigo 5º da Carta da República. A outorga do 
benefício, precedido das cautelas devidas, não pode ser obstado por hipotética alegação de ameaça à segurança social, que 
tem como parâmetro simplesmente o montante da pena aplicada. (...). Interpretação conforme a Constituição dada ao § 2º do 
artigo 7º do Decreto 4.495/02 para fixar os limites de sua aplicação, assegurando-se legitimidade à indulgencia 
principis." (ADI 2.795-MC, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 20/06/03)
\u201cA pena por crime previsto no art. 2º, § 1º, da Lei nº 8.072/90 (crime hediondo) deverá ser cumprida em regime fechado. 
Inocorrência de inconstitucionalidade. CF, art. 5º, XLIII.\u201d (HC 85.379, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ 13/05/05)
"Não pode, em tese, a lei ordinária restringir o poder constitucional do Presidente da República de 'conceder indulto e 
comutar penas, com audiência, se necessário, dos órgãos instituídos em lei' (CF, art. 84, XII), opondo-lhe vedações materiais 
não decorrentes da Constituição." (HC 81.565, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 22/03/02)
file:///K|/STF%20-%20CF.htm (39 of 574)17/08/2005 13:02:40
STF - Constituição
 
\u201cRevela-se inconstitucional a possibilidade de que o indulto seja concedido aos condenados por crimes hediondos, de tortura, 
terrorismo ou tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, independentemente do lapso temporal da condenação.\u201d (ADI 
2.795-MC, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 20/06/03)
 
¿A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal - da qual tenho respeitosamente divergido (RTJ 132/1083, 1108-1109 - RTJ 
158/403, 423-425) - admite, não obstante a existência de expressa vedação constitucional, que se efetue a extradição, ainda 
que para efeito de cumprimento, no Estado estrangeiro, da pena de prisão perpétua (RTJ 115/969 - RTJ 158/403, v.g.), 
somente restringindo a entrega extradicional, quando houver, no tratado de extradição, previsão de comutação dessa pena 
perpétua para sanção penal de caráter temporário (RTJ 173/407).(...) O Itamaraty informou `que o Brasil depositou, em 
09.09.02, o instrumento de ratificação (...) relativo ao Acordo de Extradição entre os Estados-Partes do Mercosul, Bolívia e 
Chile¿ (fls. 418). Ocorre, no entanto, que, em virtude da ausência de promulgação, mediante decreto presidencial, dessa 
convenção internacional, ainda não se consumou a incorporação, ao sistema de direito positivo interno do Brasil, do referido 
Acordo de Extradição, eis que não se completaram - mesmo tratando-se de acordo celebrado no âmbito do Mercosul (RTJ 
174/463-465) - os ciclos de integração desse ato de direito internacional público (RTJ 179/493- -496), o que torna 
inaplicáveis, pelas autoridades brasileiras, no âmbito doméstico, as cláusulas da mencionada convenção, uma das quais 
estipula, de modo expresso, que `O Estado-Parte requerente não aplicará ao extraditado, em nenhum caso, a pena de morte 
ou a pena perpétua privativa de liberdade¿ (Artigo XIII, n. 1), impondo-se, em tal hipótese, ao Estado-Parte, para conseguir a 
extradição, que assuma o compromisso formal de comutar, em pena temporária (não superior a trinta anos, no caso do 
Brasil), a sanção revestida da nota da perpetuidade (Artigo XIII, n. 2). Isso significa, portanto, considerada a jurisprudência 
hoje prevalecente no Supremo Tribunal Federal (da qual respeitosamente dissinto), que, enquanto não sobrevier, mediante 
decreto do Senhor Presidente da República, a promulgação do referido Acordo de Extradição entre os Estados-Partes do 
Mercosul, Bolívia e Chile, não haverá qualquer obstáculo, caso deferido o pedido extradicional, à entrega do ora extraditando, 
ainda que para cumprir pena de prisão perpétua. (...).¿(Ext 855, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 09/04/03)
 
\u201cPode ser triste que, assim, ao torturador se reserve tratamento mais leniente que ao miserável 'vaposeiro' de trouxinhas de 
maconha: foi, no entanto, a opção da lei que \u2014 suposta a sua reafirmada constitucionalidade \u2014 é invencível, na medida em 
que, no tocante ao regime de execução, o art. 5º, XLIII, da Constituição não impôs tratamento uniforme a todos os crimes 
hediondos.\u201d (HC 80.634, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 20/04/01). No mesmo sentido: HC 82.681, DJ 04/04/03.
\u201cO acórdão recorrido ao estender a aplicação da Lei 9.455/97, que admitiu a progressão do regime de prisão para o crime de 
tortura, aos demais crimes previstos no inciso XLIII do artigo 5º da Constituição Federal, com base no tratamento unitário que 
esse dispositivo constitucional teria dado a todos eles, divergiu do entendimento desta Corte, que, por seu Plenário, ao julgar 
o HC 76.371, decidiu que essa Lei só admitiu a progressão do regime do cumprimento da pena para o crime de tortura, não 
sendo extensível, sequer a pretexto de isonomia, aos demais crimes hediondos, nem ao tráfico de entorpecentes, nem ao 
terrorismo.\u201d (RE 246.693, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 01/10/99)
 
"Improcede a alegação de que indevida a imposição de regime integralmente fechado. Constituição Federal, inc. XLIII do art. 
5º. Não se cuida aí de regime de cumprimento de pena. A Lei nº 8.072, de 26/07/1990, aponta, no art. 1º, os crimes que 
considera hediondos (latrocínio, extorsão qualificada pela morte, extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada, 
estupro, atentado violento ao pudor, epidemia com resultado morte, envenenamento de água potável ou de substância 
alimentícia ou medicinal, qualificado pela morte, e genocídio; tentados ou consumados). No art. 2º acrescenta: os crimes 
hediondos, a prática da tortura, o tráfico de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: \u2014 anistia, graça 
e indulto; \u2014 fiança e liberdade provisória. E no § 1º: a pena por crime previsto neste artigo será cumprida integralmente em 
regime fechado. Inclusive, portanto, o de tráfico de entorpecentes, como é o caso dos autos. A Lei nº 9.455, de 07/04/1997, 
que define os crimes de tortura e dá outras providências, no § 7º do art. 1º, esclarece: \u2018o condenado por crime previsto nesta 
Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regime fechado\u2019. Vale dizer, já não exige que, no crime de 
tortura, a pena seja cumprida integralmente em regime fechado, mas apenas no início. Foi, então, mais benigna a lei com o 
crime de tortura, pois não estendeu tal regime aos demais crimes hediondos, nem ao tráfico de entorpecentes, nem