Constituio Federal Comentada
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\u2014 para que se qualifique como ato revestido de validade ético-jurídica \u2014 em 
elementos de certeza, os quais, ao dissiparem ambigüidades, ao esclarecerem situações equívocas e ao desfazerem dados 
eivados de obscuridade, revelam-se capazes de informar, com objetividade, o órgão judiciário competente, afastando, desse 
modo, dúvidas razoáveis, sérias e fundadas que poderiam conduzir qualquer magistrado ou Tribunal a pronunciar o non 
liquet." (HC 73.338, Rel. Min. Celso De Mello, DJ 19/12/96)
 
\u201cNão há dúvida de que são independentes as instâncias penal e administrativa, só repercutindo aquela nesta quando ela se 
manifesta pela inexistência material do fato ou pela negativa de sua autoria. Assim, a Administração Pública, para punir por 
falta disciplinar que também pode configurar crime, não está obrigada a esperar a decisão judicial, até porque ela não pune 
pela prática de crime, por não ter competência para impor sanção penal, mas pela ocorrência de infração administrativa que 
pode, também, ser enquadrada como delito. Por outro lado, e em razão mesmo dessa independência de instâncias, o 
princípio constitucional de que \u2018ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal 
condenatória\u2019 (art. 5º, LVII) não se aplica ao âmbito administrativo para impedir que a infração administrativa que possa 
também caracterizar crime seja apurada e punida antes do desfecho do processo criminal.\u201d (MS 21.545, voto do Min. Moreira 
Alves, DJ 02/04/93)
 
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei; 
 
\u201cIdentificação criminal que não se justifica, no caso, após o advento da Constituição de 1988. Precedentes de ambas as 
turmas do Supremo Tribunal Federal. Recurso provido para determinar o cancelamento da identificação criminal do 
recorrente.\u201d (RHC 66.471, Rel. Min. Célio Borja, DJ 31/03/89)
\u201c(...) A identificação criminal não será feita se apresentada, ante a autoridade policial, a identidade civil da indiciada 
(...) \u201d (RHC 66.180, Rel. Min. Francisco Rezek, DJ 10/03/89)
"Exigência de identificação criminal que não se evidencia ser ilegal, por falta de comprovação de haver sido o paciente civilmente 
identificado." (RHC 67.066, Rel. Min. Octávio Gallotti, DJ 10/02/89)
 
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal; 
 
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STF - Constituição
\u201cO pressuposto dessa ação penal é a inércia do MP. Tendo o STJ, em recurso especial que transitou em julgado, 
reconhecido que o pedido de arquivamento formulado pelo MP e deferido pelo juiz, foi feito em tempo hábil, não há cogitar de 
ação penal subsidiária. Situação fática insuscetível de reexame na via extraordinária (Súmula 279).\u201d (RE 274.115 Agr, Rel. 
Min. Ellen Gracie, DJ 19/03/03)
\u201cA admissibilidade da ação penal privada subsidiária da pública pressupõe, nos termos do art. 5º, LIX, da CF (\u2018será admitida 
ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;\u2019), a inércia do Ministério Público em 
adotar, no prazo legal (CPP, art. 46), uma das seguintes providências: oferecer a denúncia, requerer o arquivamento do 
inquérito policial ou requisitar novas diligências. Precedentes citados: Inq 172-SP (RTJ 112/474), HC 67502-RJ (RTJ 
130/1084).\u201d (HC 74.276, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 03/09/96). No mesmo sentido: HC 67.502, Rel. Min. Paulo Brossard, DJ 
09/02/90.
 
"Não fere os itens LV, LIX e XXXV da Constituição a aplicação, pelo acórdão recorrido, do disposto no § 1º do art. 65 do 
Código Penal Militar, que restringe o cabimento da interposição de recurso pelo assistente da acusação à hipótese de 
indeferimento do pedido de assistência." (RMS 23.285, Rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 03/09/99)
 
"Habeas corpus. Processo penal. Sentença de pronúncia. Recurso em sentido estrito do assistente da acusação. 
Legitimidade, arts. 271, 584, parágrafo 1º, e 598 CPP. Desclassificação de homicídio qualificado para simples. Ausência de 
recurso do Ministério Público. Recurso do assistente provido pelo tribunal, a fim de reintroduzir as qualificadoras imputadas 
na denúncia. Matéria controvertida na doutrina e na jurisprudência. Escassos precedentes do STF: RE 64.327, RECr 43.888. 
Tendência de tratamento liberal da Corte em matéria recursal. Interesse do ofendido, que não está limitado à reparação civil 
do dano, mas alcança a exata aplicação da justiça penal. Princípio processual da verdade real. Amplitude democrática dos 
princípios que asseguram a ação penal privada subsidiária e o contraditório, com os meios e recursos a ele inerentes, art. 5º, 
LV e LIX, CF.\u201d (HC 71.453, Rel. Min. Paulo Brossard, DJ 27/10/94)
 
\u201cO direito de recorrer, que nasce no processo \u2013 embora condicionado ao exercício e instrumentalmente conexo ao direito de 
ação, que preexiste ao processo \u2013 a ele não se pode reduzir, sem abstração das diferenças substanciais que os distinguem. 
Em si mesma, a titularidade privativa da ação penal pública, deferida pela Constituição ao Ministério Público, veda que o 
poder de iniciativa do processo de ação penal pública se configura a outrem, mas nada antecipa sobre a outorga ou não de 
outros direitos e poderes processuais a terceiros no desenvolvimento da conseqüente relação processual. Ao contrário, a 
legitimidade questionada para a apelação supletiva, nos quadros do Direito Processual vigente, se harmoniza, na 
Constituição, não apenas com a garantia da ação privada subsidiária, na hipótese de inércia do Ministério Público (CF, art. 
5º, LIX), mas também, e principalmente, com a do contraditório e da ampla defesa e a do devido processo legal, dadas as 
repercussões que, uma vez proposta a ação penal pública, a sentença absolutória poderá acarretar, secundum eventum litis, 
para interesses próprios do ofendido ou de seus sucessores (C. Pr. Pen., arts. 65 e 66; C. Civ., art. 160).\u201d (HC 68.413, Rel. 
Min. Sepúlveda Pertence, DJ 18/10/91)
 
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o 
exigirem; 
 
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, 
salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; 
 
"A prisão no crime de deserção - artigo 187 do Código Penal Militar - mostra-se harmônica com o disposto no inciso LXI do 
artigo 5º da Constituição Federal." (HC 84.330, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 27/08/04)
 
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família 
do preso ou à pessoa por ele indicada; 
 
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STF - Constituição
\u201cDescumprimento do inciso LXII do art. 5º da Constituição: circunstância que não compromete a materialidade dos delitos e 
sua autoria, nem autoriza o trancamento da ação penal, podendo ensejar a responsabilidade das autoridades 
envolvidas.\u201d (HC 68.503, Rel. Min. Célio Borja, DJ 29/05/92)
 
\u201cNão ocorre descumprimento do inciso LXII do art. 5º da Constituição Federal, quando o preso, voluntariamente, não indica 
pessoa a ser comunicada da sua prisão. Encontrando-se o paciente cumprindo pena por condenação definitiva, é irrelevante 
eventual nulidade formal que tenha ocorrido no auto de prisão em flagrante, eis que se encontra preso por outro título.\u201d (HC 
69.630, Rel. Min. Paulo Brossard, DJ 04/12/92)
 
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da 
família e de advogado; 
 
"Não se reconhece a nulidade apontada pelo recorrente se o seu silêncio não constituiu a base da condenação, mas sim o 
conjunto de fatos e provas autônomos e distintos, considerados suficientes