06 Materiais de Aviacao ANAC
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é facilmente conformado em formas 
complicadas. Tem resistência relativamente 
baixa e não tem as propriedades necessárias 
para ser componente estrutural de uma aerona-
ve. Altas ligas resultantes têm mais dificuldade 
em serem conformadas (com algumas exceções) 
e têm menor resistência à corrosão que o alu-
mínio 1100. 
 A utilização de ligas (a inserção de ou-
tros elementos) não é o único método de au-
mentar a resistência do alumínio. 
Como outros materiais metálicos, o alu-
mínio torna-se mais forte e mais duro quanto 
mais for laminado, conformado, etc, ou seja, 
trabalhado a frio. Uma vez que a dureza depen-
de do trabalho a frio realizado, a série 1100 (e 
algumas outras séries) pode ser encontrada em 
vários graus de dureza. A condição normalizada 
é indicada por "0". Caso seja endurecido por 
trabalho a frio, sua condição é indicada por "H". 
 As ligas mais amplamente usadas na 
construção aeronáutica são endurecidas, mais 
por tratamento térmico, que por trabalhos a frio. 
 Essas ligas são designadas por símbolos 
um pouco diferentes: "T4" e "W" indicam solu-
ção (sólido) tratada a quente e temperada, mas 
não envelhecida, e "T6" indica uma liga endu-
recida por tratamento a quente. 
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W. Solução (sólida) tratada a quente, endure-
cimento instável. 
T. Tratado para produzir endurecimento está-
vel, outros que não F, O ou H 
 
 T2 - Normalizado (somente para produtos 
forjados). 
 T3 - Solução (sólida) tratada a quente e, 
após, trabalhada a frio. 
 T4 - Solução (sólida) tratada a quente. 
 T5 - Somente envelhecida artificialmen-
te. 
 T6 - Solução (sólida) tratada a quente e, 
após artificialmente envelhecida. 
 T7 - Solução (sólida) tratada a quente e, 
então estabilizada. 
 T8 - Solução (sólida) tratada a quente, 
trabalhada a frio e , então, envelhecida ar-
tificialmente. 
 T9 - Solução (sólida) tratada a quente, 
artificialmente envelhecida e, então, traba-
lhada a frio. 
 T10 - Artificialmente envelhecida e, en-
tão, trabalhada a frio. 
 
 Dígitos adicionais podem ser adiciona-
dos do T1 até o T10 para indicar a variação no 
tratamento, o qual significativamente altera as 
características do produto. 
 Na forma industrial (já trabalhada a frio) 
as chapas de ligas de alumínio comercializadas 
são marcadas com o número da especificação 
em cada pé quadrado (ft2) do material. 
Se por acaso não constar essa identifica-
ção, é possível identificar-se uma liga, termica-
mente tratada, de outra que não tenha recebido 
tratamento térmico, imergindo-se uma amostra 
do material em uma solução de soda cáustica 
(hidróxido de sódio) a 10% (em massa). 
Àquela que foi tratada termicamente, 
porque em geral possui cobre, vai ficar preta, 
enquanto as outras (por não possuírem cobre) 
continuam brilhantes. 
No caso de material cladeado (cladding) 
sua superfície se mantém brilhante, mas olhan-
do-se nos bordos, verificar-se á que os mesmos 
possuem uma camada interna preta. 
 
Alumínio cladeado (cladding) 
 
 Os termos "ALCLAD\u201d e \u201cPURECLAD" 
são usados para designar chapas que consistem 
numa chapa interna de liga de alumínio, ensan-
duichada por duas chapas com espessura de 
5,5% da espessura da chapa do miolo. 
As chapas de alumínio puro proporcio-
nam uma dupla proteção ao miolo, evitando, o 
contato com qualquer agente corrosivo, e prote-
gendo o miolo eletroliticamente contra algum 
ataque causado por arranhões ou outras matérias 
abrasivas. 
 
Titânio e ligas de titânio 
 
 O titânio foi descoberto por um religioso 
inglês chamado Gregot. Porém, o primeiro mé-
todo comercial de produção do titânio metálico, 
a partir de seu minério, só ocorreu em 1925. 
O Bureau de Minas dos Estados Unidos 
começou a produzir esponja de titânio em 1946, 
sendo que só após 4 anos começou sua fundição 
efetiva. 
 O emprego do titânio é muito abran-
gente. É usado em muitos empreendimentos 
comerciais e sua demanda tem aumentado mui-
to, especialmente para bombas e outros itens 
sujeitos a ambientes corrosivos. 
Na construção ou reparo de aeronaves, o 
titânio é usado no revestimento de fuselagens, 
carenagens de motores, paredes de fogo, longa-
rinas, estruturas primárias, reforçadores, ele-
mentos de fixação e dutos de ar. 
 O titânio é usado para a fabricação de 
discos de compressores, anéis de espaçamento 
(de motor), palhetas do compressor (as fixas e 
as do disco), alojamento das turbinas e mais 
uma vintena de pequenas peças do motor. 
 A aparência do titânio é a mesma 
do aço inoxidável. Um método rápido usado 
para identificar o titânio é o teste da centelha ou 
fagulha. 
Raspado no esmeril, o titânio solta uma 
fagulha branca, brilhante, sendo que a parte fi-
nal dessa chispa espouca em várias pequenas fa-
gulhas brancas e brilhantes. 
 É também possível sua identificação, 
umedecendo o titânio, usando-o para traçar uma 
linha sobre um pedaço de vidro. Sendo titânio, 
ficará uma linha escura semelhante a um traço 
de pincel. 
 Em termos de elasticidade, densidade e 
resistência à temperatura elevada, o titânio se 
situa entre o alumínio e o aço inoxidável. Tem 
um ponto de fusão entre 1500º C (2730º F) e 
1730º C (3155º F) baixa condutividade térmica 
e pequeno coeficiente de expansão. É aproxi-
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madamente 60% mais pesado que o alumínio e 
cerca de 50% mais leve que o aço inoxidável. 
 Por causa do seu alto ponto de fusão, 
suas propriedades em altas temperaturas são de-
sapontadoras. 
O limite máximo de resistência do titâ-
nio cai rapidamente acima de 430º C (800º F). A 
absorção de oxigênio e nitrogênio do ar em 
temperaturas acima de 540º C (1000º F) fazem o 
metal tão quebradiço (após um relativamente 
longo intervalo de tempo) que cedo ele se torna 
incapaz de ser trabalhado. Entretanto, se a expo-
sição for breve, o titânio pode ser exposto até 
1650º C (3000º F) sem significativa perda de 
resistência. 
 Essa é uma característica que atende aos 
requisitos para paredes de fogo das aeronaves. 
 O titânio não é magnetizável e sua resis-
tividade elétrica é comparável a do aço inoxidá-
vel. Algumas das principais ligas de titânio são 
bastante duras. 
O tratamento térmico ou emprego de li-
gas não desenvolve características de dureza na 
mesma proporção que as ligas de aço Foi só 
recentemente que uma liga de titânio, tratada 
termicamente, foi desenvolvida. 
Antes do desenvolvimento dessa liga, o 
aquecimento e a laminação eram os únicos mé-
todos de conformação que poderiam ser realiza-
dos. Entretanto, é possível produzir-se uma no-
va liga maleável nas condições ambientais e 
endurecê-las por tratamento térmico. 
 Ferro, molibdênio e cromo são usados 
para estabilizar o titânio e produzir ligas que 
serão endurecidas por têmpera ou envelheci-
mento. A adição desses metais também adiciona 
ductilidade. 
 A resistência a fadiga do titânio é maior 
que a do aço ou do alumínio. O titânio torna-se 
mais macio quanto maior for o seu grau de pu-
reza. Não é, porém, um procedimento prático a 
distinção entre os vários graus de titânio, co-
mercialmente puro, ou sem liga, através de aná-
lise química; mais fácil é fazê-lo através de suas 
propriedades mecânicas. 
 
Designações do titânio 
 
 A classificação A-B-C das ligas do titâ-
nio foi estabelecida para dar um conveniente e 
simples método, para descrever todas a ligas de 
titânio. O titânio e suas ligas possuem três tipos 
básicos de cristais: A (alfa), B (beta) e C (com-
binação de alfa e beta). Suas características são: 
A (alfa) - Bom desempenho geral, boa soldabi-
lidade; resistente e forte, tanto frio quanto quen-
te; resistente à oxidação. 
 
B (beta) - flexibilidade; excelente ductilidade 
em flexão; forte, tanto frio quanto quente, po-
rém vulnerável à contaminação. 
 
C (combinação entre alfa e beta, com relação ao 
desempenho)