Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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a respeito das Fontes do 
Direito do Trabalho. Para sanar a d iscussão, indagaram ao professor da 
turma sobre as fortes autônomas e heterônomas. O professor respon­
deu que as Convenções Coletivas de Trabalho, as Sentenças Normativas 
e os Acordos Coletivos são fontes 
Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
FONTES 00 DIREITO DO TRABALHO 
a) autônomas. 
b) heterônomas, autônomas e heterônomas, respectivamente. 
c) autônomas, autônomas e heterônomas, respectivamente. 
d) autônomas, heterônomas e autônomas, respectivamente. 
e) heterônomas. 
Resposta: "d". 
\u2022 Convenções e Acordos Coletivos: Até 1967 esses institutos 
eram chamados, pela CLT, de contratos coletivos de traba­
lho. Foi apenas em 1967 que veio a d istinção entre conven­
ção e acordo - hoje consu bstanciada no art. 611 e §1º da CLT. 
Por conta disso, a lguns artigos da CLT, a exem plo do art. 59, 
usam a antiga denominação, contrato coletivo de trabalho. Este 
fato também pode ser detectado em a lgu mas leis esparsas, que 
também trazem o termo ultrapassado . D iante disso, existe um 
questionamento acerca do que seria o contrato coletivo de traba­
lho. Não há unanimidade. 
Gomes e Gotttschal l\ufffd (2008, p . 203) entendem que o contrato co­
letivo é o contrato de equipe, ou seja, "aquela modal idade de con­
trato em que há uma p lural idade de sujeitos-empregados". Assim, 
para e les, o contrato coletivo se configura quando se oferta em­
prego para um gru po de pessoas. Exemplo : contratar uma banda. 
Esse entend imento não parece ser o mais adequado, pois há 
pessoas diferentes dentro do grupo, o que exige d i reitos d iferentes 
- a estabi l idade gestante, se um dos componentes for mulher, por 
exemplo. Isso porque o direito do trabalho individua l fo i concebido 
para a formação de contratos individuais de trabalho; as contra­
tações coletivas, que são aq uelas objeto do nosso atual estudo, 
consideram o em pregado em seu ente coletivo, o s indicato. 
Adotamos o entendimento no sentido de que o contrato coletivo 
de trabalho, em verdade, não passa da antiga nomenclatura desti­
nada à contratações coletivas previstas no art. 611 da CLT, antes da 
sua modificação, operada pelo Decreto-Lei 229/67 - no mesmo sen­
tido, Vólia Bomfim (2012, p . 5 14). Atua lmente, portanto, encontra-se 
. substituído pelos novos institutos, sendo que a convenção coletiva 
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Robson
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Robson
Sublinhado
THAIS MENDONÇA ALELUIA 
e o acordo coletivo de trabalho, que são as nomenclaturas atuais, 
estão regulados no art. 6n da CLT. 
I n ic ialmente, há de se ter em mente que, ambos, são negó­
cios jurídicos especiais, concernentes especificam ente às relações 
trabalhistas. Por meio deles, o s ind icato dos empregados fi rma, 
para toda a categoria ou para em pregados de uma determinada 
em presa, normas gerais e abstratas que i rão reger a relação entre 
as partes. 
A convenção coletiva é ap l icável a toda uma categoria ao passo 
que o acordo coletivo é ap l icável a toda uma empresa . 
\ufffd Na hora da prova, fique atento!!! 
Não confundir acordo coletivo (empresa x sindicato dos empregados) 
e convenção coletiva (sindicato dos empregadores x sindicato dos 
empregados). 
Para não confund ir: 
r 
Acordo e oletivo 
S indicato E m presa : 
\ __ ---------- --- -- ---\ufffd-- - __ :\ufffd \ufffd\ufffd:\ufffd\ufffd\ufffd \ufffd:-- _ _) 
Vogais e 
consoantes 
Consoantes 
combinam 
A força vinculante dessas normas está autorizada_ pelo art. 7°, 
XXVI da CF/88 . Destarte, gozam de força vincu lante e observância 
obrigatória. 
Essas normas tem prazo máximo de vigência de 2 anos (art. 
614, §3º da CLT), dentro dos quais elas se ap l icam, ou seja, em re­
gra, não integram o contrato de trabalho defin itivamente, contudo 
somente poderão ser modificadas ou su prim idas mediante nova 
negociação coletiva (Súm ula 277 do TST). 
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Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
FONTES 00 DIREITO DO TRABALHO 
\u2022 Entendimento do TST 
Súmula n\u2022 277 do TST - CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO ou ACORDO 
COLETIVO DE TRABALHO. EFICÁCIA. U LTRATIVIDADE (redação alterada na s 
na sessão do Tribunal Pleno realizada em 14.09.2012) - Res. 185/2012, 
DEJT divulgado em 25, 26 e 27.09.2012. As cláusulas normativas dos acor­
dos coletivos ou convenções coletivas i ntegram os contratos ind ividu­
ais de trabalho e somente poderão ser modificados ou suprimidas 
mediante negociação coletiva de trabalho. 
Assim, tem-se que, durante o seu prazo de vigência e até o 
advento de nova norma coletiva , elas se apl i cam i ntegra lmente e 
integram os contratos de trabalho. A norma coletiva que lhe seja 
posterior , entretanto, não está obrigada a manter os mesmos pa­
drões , podendo mod ificar ou até mesmo, extinguir d i reitos, con­
siderados os dados econômicos da categoria no momento da sua 
edição. 
O tempo de vacância , todavia, será preenchido pela norma 
anterior . Considera-se tempo de vacância aquele entre o fina l 
da vigência de uma norma coletiva e a efetiva edição d a norma 
subsequente. 
Assim, u ltra passada a data-base sem que seja atingida a 
nova norma coletiva, será apl icada a norma anterior até a sua 
formulação. 
Regra : 
NC1 
NC1 
Aplica-se a NC1 
até o advento da NC2 
data base 
(fim da vigência) 
NC2 
=/= 
A norma poderá 
modificar os direitos 
de vacância 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
É a chamada ultratividade das normas coletivas, pois estas se 
incorporam aos contratos ind ividuais de tra ba lho até que venham 
ser excluídas por outro instrumento de mesma natureza. Nesse 
sentido, destacamos o enu nciado n . 002 do TRT da Sª região (Bahia) : 
No 002 TRT 5ª região - ULTRATIVIDADE DE NORMAS COLETIVAS. 
"As cláusulas normativas, ou seja, aquelas relativas às con­
dições de trabalho, constantes dos instrumentos decorren­
tes da autocomposição (Acordo Coletivo de Trabalho e Con­
venção Coletiva de Trabalho) gozam do efeito ultra-ativo, 
em face do quanto d ispõe o art. 1 14, § 2°, da Constituição 
Federal de i988, incorporando-se aos contratos ind ividuais 
de trabalho, até que venham a ser modificadas ou excluídas 
por outro instrumento da mesma natureza." 
\ufffd Como esse assunto é cobrado nas provas? 
(FCC - Técnico judiciário - TRT 16/ 2009) Considere: 
1 . Lei ordinária. 
l i . Medida provisória. 
Ili. sentenças normativas. 
IV. Convenção Coletiva de Trabalho. 
V. Acordo Coletivo de Trabalho. 
São Fontes de origem estatal as ind icadas APENAS em 
a) IV e V. 
b) 1, l i e V. 
c) 1 e l i . 
d) 1, l i, IV e V. 
e) 1, l i e I l i . 
Resposta: "e". O acordo coletivo de trabalho e a convenção coletiva 
de trabalho são fontes formais autônomas do direito do trabalho, pro­
duzidas pelo sindicato dos empregados com uma empresa ou com o 
sindicato dos empregadores - art. 611 da CLT. 
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Usos e Costumes: Atenção, uso não é fonte formal de direito 
do trabalho. Trata-se de prática habitual no cumprimento de 
um contrato. 
"Por uso entende-se a prática habitual adotada no con­
texto de uma relação jurídica específica, envolvendo as 
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Robson
Sublinhado
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Sublinhado
FONTES 00 DIREITO DO TRABALHO 
específicas partes componentes dessa relação e produ­
zi ndo, em consequência, efeitos exclusivamente no deter­
minado âmbito dessas mesmas partes. (. .. ) Por costume 
entende-se, em contrapartida, a prática habitual adotada 
no contexto mais amplo de certa empresa, categoria, re­
gião, etc., fi rmando um modelo ou critério de conduta geral, 
impessoal, aplicável ad futurum a todos os trabalhadores 
integrados no mesmo tipo de contexto." (DELGADO, 2010, p. 
153/154) 
Assim, o uso, por não ter caráter geral, não pode ser ad mitido 
na cond ição de fonte do direito. Ele tem ap licação estrita a uma 
relação jurídica específica . 
O costume, por outro lado, é abstrato e