Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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posteriormente. Pugnam pela prevalência do acordo cole­
tivo sobre a convenção coletiva, sob o argu me nto de que 
aque le consid era a situação específica de cada em presa. 
\ufffd Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(TRT 3 - Juiz do Trabalho Substituto 3ª região/ 2013) Sobre o d ireito do 
trabalho, leia as afirmações abaixo e , em segu ida, assinale a alternati­
va correta, segundo a jurisprudência do TST: 
a) As cláusulas normativas d os acordos coletivos ou convenções coleti­
vas integram os contratos individuais de trabalho e somente poderão ser 
modificadas ou suprimidas mediante negociação coletiva de trabalho. 
b) O fato de o em pregador cobrar, parcia lmente ou não, importância 
pelo transporte fornecido, para local de d ifícil acesso, ou não servido 
por transporte regu lar, afasta o d i reito à percepção d o pagamento das 
horas in it inere. 
c) Mesmo havendo exti nção da atividade empresarial no âmbito da 
base territorial do sindicato, subsiste a estabilidade do d irigente sindical. 
d) O registro da cand idatura do empregado a cargo de d irigente sindi­
cal durante o período de aviso prévio, ainda que indenizado, assegu­
ra- lhe a estabi l idade, visto que ap l icável a regra do § 3º do art. 543 da 
Consol idação das Leis do Trabalho . 
e) o vigia sujeito ao trabalho noturno não tem d ireito ao respectivo 
adicional . 
Resposta: "a". É a nova redação da súmu la 277 do TST, que contemplou 
a ultrativi dade das normas coletivas. 
(Cespe - Analista Judiciário - Administrativa - TRT 10/2013) No d ireito d o 
trabalho, apl ica-se o princípio da norma mais favorável, que autoriza o 
i ntérprete a ap licar a norma mais benéfica ao trabalhador, a inda que 
essa norma esteja em posição hierárquica i nferior no sistema jurídico. 
Resposta: Certo. 
Robson
Sublinhado
Robson
Destacar
Robson
Sublinhado
1. PRINCÍPIOS 
i.1 Princípios x regras 
C a p í t u l o 2 
Princípios do 
Direito do Trabalho 
Sumário \u2022 1 . Princípios: 1.1 Princípios x regras: 
i . i . 1 Critérios de distinção entre princípios e 
regras; 1.2 Fu nções dos princípios - 2. Princí­
pios do d ireito do trabalho: 2.1 Princípio da 
proteção; 2.2 Princípio da primazia da reali­
dade; 2.3 Princípio da intangibi l idade salarial 
ou irredutibi l idade salarial; 2.4 Princípio da 
continuidade; 2.5 Princípio da continuidade 
da empresa/preservação da em presa/função 
social da em presa; 2.6 Princípio da inaltera­
bi l idade contratual lesiva; 2.7 Princípio da 
irrenu nciabi l idade, intra nsacionabi l idade ou 
i ndisponibi l idade. 
Os pr incípios são as espécies normativas que contemp lam e po­
sitivam os d i reitos fundamentais, informando todo o orde namento 
jurídi co, bem ass im a i nterpretação das demais normas-regra, já 
postas em vigência' -
É dizer: os p rincípios são normas de direito fundamental, ao 
passo q u e os d i reitos fundam entais são , exatam ente, as garantias 
ne les i nseridas. Acerca d i sso, afi rmou Alexy (2002, p . 47): 
i . "El pu nto decisivo para la distinción entre regias e principios es que los prin­
cipios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida 
pos_ib le, e n relación con las posibi l idades jurídicas y lácticas. Por lo tanto, los 
princípios son mandatos de optimización, que están caracterizados por el hecho 
de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su 
cumplimiento no sólo depende de las posibi l idades sino también de las jurídi­
cas." ln Teoria de los Derechos Fundamentales. 3' rei mepressão. Madrid: Centro 
de Estudios Político y constitucionales, 2002., p. 86 e 87. 
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T HAIS MENDONÇA ALELUIA 
Entre el concepto de norma de derecho fundamental y el 
dei derecho fundamental existen estrechas conexiones. 
S iempre que alguien posee u n derecho fundamental, existe 
una norma vál ida de derecho fundamental que le otorga 
este derecho. 
N esse sentido, a inda, i nteressante a segui nte passagem : 
I n icia lmente, vale subl inhar, c o m Dworl\ufffdin, q u e conduzir uma 
argumentação util izando pri ncípios necessariamente resul­
ta na tentativa de estabelecer algum direito fundamental, 
envolvid o na questão, já que, segundo ele, "principies are 
propositions thar describe rights", pelo que se d iferenciam 
de outro importante standard argumentativo, aquele que 
invoca políticas públicas (policies) que seriam "propositi on 
thar describe goals". (D ID IER Jr., 2004, p.03) 
Diferentes deles são as regras. Estas, por sua vez, contemplam 
uma previsão concreta, e, dado o seu conteúdo, aqu i lo há de ser 
feito, n a forma como dete rminam. Nem m ais, nem m enos (ALEXY, 
2002, p . 47 ) . 
o conteúdo do princípio é com posto por uma razoabi l idade que 
pode ser su perada, desde que sejam consideradas m ais adequa­
das as razões opostas. Destarte, a aplicação do princípio depende 
da situação tática concreta e a " maior e melhor medida" da sua 
apl icabi l idade sobre esta. Há de ser considerado, portanto, o peso 
do princípio sobre aqueles fatos específicos. 
É bem certo, de acordo com os ensinamentos de Alexy, que os 
princípios são mandados abertos, de previsão abstrata, que não 
contém uma previsão concreta de a lgo a ser feito ou não ser feito. 
Do pri ncípio subtrai-se o valor, aqui lo que deve ser. Com isso, en­
tretanto, não se pode imaginar que o princípio seja um mero com­
plem ento à previsão da regra, ou uma a lternativa possível quando 
as regras não se m ostrem sufic ientes. Não . Isso porque, ta nto quan­
to as regras, são normas que permitem "juízos concretos de dever 
ser" (MARINON I , 2012, p. 48). 
N esse sentido, os princípios se impõem sobre os fatos concre­
tos e fundamentam a aplicação das normas que, concretamente, 
dispõem sobre aque la ação. Ou seja : tam bém atuam dando valo­
ração normativa aos fatos e delimitando o âmbito de aplicação 
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PRINCÍPIOS 00 DIREITO DO TRABALHO 
das regras , a fim de que estas não agridam as suas previsões. As 
regras se acomodam, na ap l icação concreta, à previsão va lorativa 
dos princípios, à qua l estão condicionadas. Isso permite ao intér­
prete estabelecer uma interpretação crítica da norma em face do 
caso concreto . 
Esse entendim ento contraria a positivismo clássico, que não ad­
mite que o juiz, na a p licação da norma, mantenha certo grau de 
subjetivism o, defin indo o seu sign ificado. Havia, neste momento 
ideo lógico, o temor de que se instalasse a imprevisib i l idade das 
relações jurídicas e, consequentemente, i nsegurança. Assim, esta 
atividade de dimensionar normas a partir de princípios deveria 
pertencer ao órgão político, uma vez que não autorizad a ao âmbito 
jud icia l . A este ú lt imo, l im itava-se a a p licação do conteúdo gramati­
cal da norma produzida pelo legislativo (MARINON I, 2012, p . 49/50). 
Nessa esteira, o estado contemporâneo concebe a força nor­
mativa da constituição e dos princípios constitucionais , que são 
responsáveis não apenas pelo dever ser dos atos da vida humana, 
mas, mais que isso, pelo dever ser da forma de a p licação das regras. 
A fina l idade nesta a p licação é encontrar, dentro da regra posta, 
a regra jurídica que se mostra efetiva e adequada ao caso concre­
to. Essa atividade somente é possível a partir de certo grau de 
subjetivism o do intérprete. 
i.1.1 Critérios de distinção entre princípios e regras: 
a) Grau de abstração : O princi p io é abstrato, ao passo que a 
regra é norma concreta. 
b) Capacidade normogenética: É a capacidade de gerar nor­
mas. Os princípios gera m normas-regra, de conteúdo mais 
concreto. 
e) Grau de determinação da conduta concreta: As regras tra­
zem um fazer ou não fazer especifico, ao passo que os prin­
cípios não definem uma conduta concreta. 
d) Atuação enquanto fonte do direito : O principio