Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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nem sempre 
é aceito como fonte primária, enq uanto a norma regra é a 
fonte primária por excelência . 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
e) Proximidade da ideia de direito: Quer dizer que quem pas­
sa a ideia sobre o que é certo ou errado é o princip io, 
u m a vez que a regra já contém a cond uta a ser adotada, 
concretamente. 
1 .2 Funções dos princípios 
A) Informadora: Se o princi pio contém o valor do ordenamento, 
ele i nforma a produção normativa, dado que as regras de­
vem estar em consonância com os valores neles constantes. 
B) Interpretativa: Os princípios fu ncionam como mecanismos 
de interpretação, de tal sorte que devemos apl icar norma 
conforme os preceitos dos princípios a ela adjecentes. 
C) Normativa: Trata-se da capacidade do pri ncíp io de ser fonte 
do direito. Conforme já estudado, ele pode ser considerado 
fonte secundária (atuando apenas nas hipóteses de lacuna 
da lei) ou fonte primária (para aqueles que, como visto em 
itens precedentes, concebem a possib i l idade de afastar-se o 
preceito da regra para ap licar diretamente o pri ncípio). 
2. PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO 
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Princípios Constitucionais: 
Da proteção ao trabalhador e prevalência da cond ição mais 
favorável (art. 7°, caput); 
\u2022 Da proteção contra a despedida arbitrária (art. 7°, 1) 
Garantia do salário mín imo (digno) capaz de atender às ne­
cessidades básicas e vitais do traba lhador e de sua famíl ia 
(art . 7°, IV); 
Periodicidade de reajuste do salário mín imo (art. 7°, IV); 
I rredutib i l idade salarial (art. ?°, VI); 
Proteção do mercado de tra ba lho da m u lher (art. 7°, XX); 
Reconhecimento dos convênios coletivos (art. 7°, XXVI); 
Proteção ao trabalhador em face da automação (art. 7°, 
XXVl l ); 
PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO 
Isonomia salaria l e de tratamento (art. 7°, XXX); 
Não d iscriminação (art. 7°, XXX, XXXI e XXXl l); 
Proib ição do traba lho i nfantil e proteção do traba lho notur­
no, perigoso e insalubre ao ado lescente (art. 70, XXXl l l); 
Redução dos riscos inerentes ao tra ba lho (art. 7°, XXI I); 
Seguro contra acidentes do traba lho a cargo do empregador 
(art. 7°, XXVl l l ) . 
2.1 Princípio da proteção 
A relação de emprego é naturalmente desigual - contém uma 
desigualdade natural. 
Isso porque, de um lado, encontra-se o empregador na condi­
ção de detentor (monopól io) dos meios de produção. O emprega­
do, de seu turno, detém apenas a força de trabalho para ofertar. 
Esse fator imp l ica uma desigualdade natural entre o empre­
gado e o empregador, que torna o empregado hipossuficiente, e 
dependente economicamente do em pregador. 
O d i reito do traba lho surge para atuar do lado fraco da ba lança 
e, assim, em reforço a essa ideia, o princípio da proteção busca 
equalizar esta diferença, protegendo o empregado nessa relação. 
Força de trabalho 
\ Empregado 
Desigualdade 
natural 
Monopólio dos meios 
de produção 
Empregador 
Empregado Dependência 
hipossuficiente -+ econômica 
Sendo assim, o princípio da proteção atua com o objetivo de 
mini mizar ou equalizar a desigualdade natural inerente a toda e 
qua lquer relação de em prego . 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
Em conclusão, este princípio vem em socorro da parte h ipossu­
ficiente da relação. 
Assim, o d ireito do trabalho é um ramo do d i reito com forte in ­
fluência estatal, po is há intervenção do Estado na relação, a fim de 
estabelecer condições mínimas de observância obrigatória . 
Américo Piá Rodrigues (1978, p. 41) entende que o princip io 
da proteção é um dos princípios do direito do trabalho. Destarte, 
os demais pri ncípios de direito do trabalho possuem o seu pró­
p rio conteúdo, não estando necessariamente vinculados à pro­
teção. Segundo este autor, do princípio da proteção, decorrem 3 
subprincípios : 
(1) Condição mais benéfica: Havendo duas ou mais condições de 
trabalho possíveis ao em pregado, prevalece aquela que lhe 
seja mais favorável . 
Requ isitos para apl icação desse subprincípio : 
- situação anterior vál ida e vigente para o empregado que 
a pleiteia e situação posterior vál ida e vigente, sendo 
que urna é mais benéfica que a outra. 
- a escolha da situação mais benéfica será feita desde que 
não haja infração a preceito legal . e desde que a condi­
ção seja melhor que a condição da lei ou norma coletiva . 
- tem que ter habitualidade na concessão da benesse. 
- A concessão deve ser voluntária e incondicionada . 
Se houver cond ição resolutiva ou se for benesse temporária 
não se ap lica o entendimento em comento. Para adquiri r a condi­
ção de benesse voluntária, e la deverá estar expressa. 
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Esse terna tem relação com a súmula 5 1 do TST, se não vejamos: 
Súmula n° 51 do TST 
NORMA REGULAMENTAR. VANTAGENS E OPÇÃO PELO NOVO RE­
GULAMENTO. ART. 468 DA CLT (incorporada a Orientação Ju­
risprudencial n° 163 da SBDl- 1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e 
25.04.2005 
1 - As cláusulas regu lamentares, que revoguem ou alte­
rem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os 
PRINCÍPIOS DO ÜIREITO DO TRABALHO 
trabalhadores admit idos após a revogação ou alteração do 
regulamento. (ex-Súmula n ° 5 1 - RA 41/1973, D J 14.06.1973) 
l i - Havendo a coexistência de dois regulamentos da empre­
sa, a opção do empregado por um deles tem efeito ju rídico 
de renúncia às regras do sistema do outro. (ex-OJ n° 163 da 
SBDl -1 - i nserida em 26.03. 1999) 
A súmu la em questão trata de duas hipóteses específicaS; 
i . Havendo revogação ou alteração, a nova norma a penas 
se a plica às novas admissões. Assim, aqueles admitidos 
na vigência da norma anterior, permanecerão tendo direi­
to à a p licação da norma então vigente ao tempo da sua 
admissão; 
2. Havendo vigência de dois regulamentos, 0 empregado 
fará a opção por u m deles. Ao realizar essa opção, terá 
como consequência imediata a renúncia a o outro - não é 
possível ter "o melhor de dois mundos". 
Exceções a esse subprincípio, ou seja, situações nas q uais o TST 
admite cond ição menos benéfica para o empregado : 
\ufffd Entendimento do TST 
OJ 159 da SDI l do TST (alteração da data de pagamento feita pelo 
em pregador, é válida, desde que: i . Ausente previsão expressa em 
contrato ou instrumento coletivo e, i i . Seja observada a periodicidade 
máxima mensal.) 
OJ 308 da SDI l do TST (alteração da jornada de trabalho do servi­
dor públ ico, a fim de que retorne à jornada in icia lmente contratada. 
É possível.) 
OJ 325 da SDI l do TST (possibi l idade de d iminuição de salári o - ganho 
rea l - a todos os empregados de uma empresa, desde que com par­
tici pação de sindicato.) 
\ufffd Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - Técnico Judiciário - TRT 6/2012) O Regulamento da empresa "BOA" 
revogou vantagens deferidas a trabalhadores em Regulamento ante­
rior. Neste caso, segundo a Súmula 51 do TST, "as cláusulas regulamen­
tares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, 
só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração 
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T HAIS MENDONÇA ALELUIA 
do regulamento". Em matéria de D ireito do Trabalho, esta Súmula trata, 
especificamente, do Princípio da 
a) Cond ição mais benéfica. 
b) Razoabi l idade. 
c) I nd isponib i l idade dos Direitos Trabalhistas. 
d) Imperatividade das Normas Trabalhistas. 
e) Dignidade da Pessoa Humana. 
Resposta: "a". 
(2) Norma mais favorável: De acordo com essa vertente do prin­
cípio, tem-se que, havendo mais de uma norma aplicável ao 
caso, deve-se optar por aquela que seja mais favorável ao tra­
balhador. Disso pressupõe-se que há a existência de mais de 
uma norma igualmente vá lida e apl icável àquele empregado. 
[ opta-se por aquela que seja mais favorável ao em pregado 
A opção não levará em consideração