Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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a h ierarqu ia das normas. 
Isso porque, consoante já tratado no estudo das fontes do direito 
do tra ba lho, o topo da p irâmide hierárqu ica é com posto pela norma 
mais favorável e não por um d i p loma normativo. 
Há entendimentos no sentido de que o subprinci pio da norma 
mais favorável cede à flexibilização autocompositiva. Isso quer di ­
zer que cede à norma coletiva que piora a condição do em prega­
do. Ou seja, entre norma coletiva e a lei prevaleceria a primeira, 
mesmo que menos favorável ao em pregado - isso porque a Consti­
tuição admite a redução de salário . 
Ex. : O J 413 (auxílio a l imentação) e súmu la 423 TST (turno in inter­
ru pto de revezamento). 
P inho Pedreira (1999, p . 72) entende q ue, para estabelecer a 
norma mais favorável, é preciso passar por 3 caminhos, que são 
limites da sua a p licação: 
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- I nstrum enta l : esse princípio só se a plica entre as normas 
em conflito, ou seja, a sua util ização depende da existên­
cia de um conflito entre normas. 
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Destacar
PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO 
- Materia l : está adstrito ao conteúdo das normas em confl i­
to, de forma que não pode trazer nada de novo. 
- Limitação ap l icativa: o juiz tem que estabelecer um m éto­
do de comparação a partir do caso concreto, no que se 
configurou o conflito entre normas. 
Exceções: 
- mesmo sendo mais favorável, a norm a que vio le a lei não 
será a pl icada. 
- lei estadua l que conceder benefíci o trabalh ista não é nor­
ma ma is benéfica, porque a com petência é exclusiva da 
U nião federal para legis lar sobre o d ireito do traba lho . 
Há, contudo, uma exceção, consistente no estabelecimen·­
to de pisos regionais de salário mín imo . 
- os decretos regu lamentadores a utônomos, sem respaldo 
em le i , uma vez que o poder executivo apenas pode criar 
regulamentações nos l im ites estabelecidos por le i . 
- norma coletiva fora d o seu prazo de vigência. 
- norma de flexibi l ização do traba lho pela via coletiva. 
(3) ln dúbio p ro operário ou pro misero: De acordo com esse 
subpri ncípio, o intérprete, diante de duas possíveis e plau­
síveis interpretações de uma norma, deve adotar aque la 
que seja mais benéfica ao empregado. 
adota-se aquela mais 
favorável ao empregado 
Para ap licação do presente subprincípio, é necessário que ha­
jam duas interpretações p ossíveis e razoáveis. 
Surge, então, u m questionamento i m portante: a a plicação do in 
dubio pro operário cinge-se u n icam ente à interpretação do direito 
m aterial do traba lho ou abrange também o processo do trabalho 
(valoração da prova)? Ou seja: dada a dúvida processual , o j u iz 
deve j u lgar em favor do em pregado? 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
U m premissa é essencial e basi lar: não há, processua lmente, 
como ap licar de forma analógica o entend imento do processo pe­
na l . Isso porq ue, no processo penal , há a presunção de inocência, 
sendo que não há nada semelhante no processo do traba lho . 
Por isso, para responder esse questionamento, há 3 correntes: 
\u2022 ia corrente: nunca se aplica ao processo do trabalho, uma 
vez que se trata de princípio do di reito materia l do trabalho. 
Segundo este entendimento, este princípio serve apenas para 
a inspiração do legislador trabalhista. Isso quer dizer que o 
legislador, ao criar normas de processo, irá buscar normatizar 
em busca da proteção do empregado na relação processual . 
Assim, no processo, juiz se coloca em posição de imparcia­
l idade, garantindo o direito à paridade de armas entre as 
partes; destarte, na hipótese de dúvida, não se pode falar em 
aplicação desse princípio, dado que o que se aplica é a regra 
de ônus de prova (art. 818 da CLT). Ou seja: havendo dúvida, 
o juiz deve ju lgar conforme a regra do ônus, o que significa 
decidir contra quem tinha o ônus de provar. 
N esse sentido encontramos Rodrigues Pinto, Amauri Mascaro 
N asci mento, Wagner Giglio e Vólia Bomfim (2012, p . 183). 
\u2022 2\u2022 corrente: não se aplica exatamente ao processo, mas se 
aplica para a interpretação da norma de processo. Assim, 
havendo dúvida sobre uma norma de processo, o j u iz deve 
interpretar da form a que favoreça ao em pregado na relação 
processual . N esse sentido, Sergio Pintos Martins. 
\u2022 3\u2022 corrente: defende a aplicabilidade desse princípio inclu­
sive para a valoração da prova em processo. Ou seja, o ju iz 
poderia aplicar este princípio para a aval iação das provas 
do processo. N estes term os, havendo dúvida sobre o defe­
rimento ou não de um pedido, porque provas em sentidos 
diversos, e, a m bas, se m ostrando igualmente capazes de 
convencer o m agistrado, o ju iz deveria j u lgar a favor do em­
pregado, por ap licação deste princípio . Nesse sentido, P iá 
Rodrigues. 
Afastada a questão processu al, não paira dúvida de que esse 
princípio pode ser apl icado em caso de d úvida sobre a norma 
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PRINCÍPIOS DO ÜIREITO DO TRABALHO 
material . N essa esteira, destaca-se que a aplicação desse princípio 
seguirá o preenchimento de uma situação-tipo em que contenha: 
D úvida razoável sobre o a lcance da norma. 
Que a interpretação não esteja em d issonância com a vonta­
de do legis lador. 
2.2 Princípio da primazia da realidade 
No direito do traba lho, prevalecem os acontecimentos táticos 
provados no processo, sobre a forma ou documento produzido 
pelas partes. Sendo assim, o que i nteressa é o que aconteceu no 
plano da realidade, não obstante eventua l conteúdo de documento 
confeccionado durante a relação (cartão de ponto, contrato traba­
lho , recibo de pagamento, TRCT, etc.). 
Um exemplo clássico de a plicação desse princípio está no art. 
461 da CLT, que prevê a possi b i l idade de equi paração salarial sem­
pre que, no plano dos fatos, em pregado exerça as mesmas ativida­
des de paradigma, fazendo jus a o mesmo patamar salaria l deste 
- entendimento acompanhado pela súmu la 06 do TST. 
Assim, prevalece o que ocorreu no p lano tático sobre a existên­
cia de documentos solenes. 
Su rge, então, um questionamento: é possível aplicar este prin­
cípio contra o empregado? Tome-se o seguinte exem plo: o em­
pregado responsável pe los recursos humanos, eq uivocadamente, 
inscreve uma função superior na CTPS de outro empregado, sem 
q ue, no plano da real idade, ele tenha exercido a ind igitada função. 
Ou seja, a função constante dos seus documentos jamais fora por 
ele exercida, mas se trata de fu nção de hierarqu ia su perio r. Essa 
previsão docu mental dará d i reito ao em pregado a receber dife­
renças sa lariais? 
Há dois entendimentos doutrinários que podem ser destacados 
sobre o assunto. I n icia lmente, temos o entendimento segu ndo o 
qua l a primazia da realidade é u m princípio do direito do tra­
balho , a plicando-se à relação traba lhista, i ndependentemente de 
quem será o beneficiado . Sendo assim, aplica-se ao contrato e 
não a uma parte determinada dessa re lação. Esse entend imento se 
coaduna com o conceito de princípio, apresentado nas primeiras 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
l in has. Trata -se de valor que rege a re lação contratua l, de tal sorte 
que não deve estar vincu lado à possibi l idade de beneficia r o em­
pregado, especificamente. 
Outros, entretanto, com preendem que este princípio é parte do 
princípio da proteção, de tal sorte que, por isso, só pode ser apli­
cável em favor do empregado. Este segundo entendim ento torna o 
princípio da proteção superior aos demais e, por isso, a leitura da 
primazia segue o seu preceito máximo protetivo. 
Não concordamos, dado que o princípio da proteção não é ab­
so luto, haja vista existir a possibi l idade de flexi b i l ização de direitos 
trabalh istas, conforme previsão legal. 
\ufffd Atenção! 
A real idade não pode i nfri ngir/violar preceito