Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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trabalho autônomo pode­
ria ser subordinado, haja vista ser possível a contratação de um pres­
tador autônomo com pessoalidade, mesmo inexistindo subordinação. 
Conclui-se, pois, que a parassubordinação é figura diversa da su­
bordinação prevista na CLT. O estado de sujeição é mais tênue. 
Subordinação estrutural ou integrativa 
É a id eia de que a su bordinação se man ifesta também pela 
inserção do empregado na estrutura e dinâmica do empregador, 
i ndependentemente de ordem direta. Isso quer dizer que o traba­
lhador integra o processo prod utivo da em presa, de tal sorte que, 
por esse motivo, i nfere-se, conseq uentemente, que, a inda que não 
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RELAÇÃO DE EMPREGO 
receba ordens diretas, estará inserido na estrutura organ izacional 
da empresa e submetido aos seus regra mentos. 
Para Maurício Godinho Delgado, se inserido o trabalhador na 
atividade fim da empresa, ele tem subordinação estrutural e, as­
sim, ele é empregado. 
O vínculo é extraído, nesse contexto, a partir da inserção do 
empregado no processo produtivo da empresa . 
Entretanto, se a em presa tem atividade fim vazia - ou seja, 
aq uela empresa sem em pregado na atividade fim - aí sim pode-se 
reconhecer a su bordinação estrutural e o vi nculo empregatício. 
Todavia, consideramos que a id eia do il ustre doutrinador e mi­
nistro deve ser l ida com cautela, sob pena de reconhecer-se víncu­
lo indevidamente. 
2.4 Onerosidade 
O contrato de trabalho é essencia lmente contraprestativo. Em 
outras palavras,o em pregado trabalha com o objetivo de receber 
alguma coisa em troca - a contraprestação. 
Essa contraprestação pod erá ser ajustada mediante o pagamen­
to em pecúnia ou em uti l idades. A onerosidade se man ifesta pela 
contraprestação, ainda que esta não se materialize em pecún ia . 
Há 2 vertentes : 
(i) A onerosidade é objetiva : pelo fato contraprestação . Se 
houve contraprestação, o contrato é oneroso. 
(2) A onerosidade é subjetiva : necessidade do empregado em 
receber a contraprestação para a sua subsistência. Contu­
do, não i nteressa se o empregado quer ou não trabalhar. 
Assi m, não importa a natu reza da contraprestação, se in natura 
(uti l idades) ou em d inheiro, o que importa é haver contraprestação. 
Ex.: uma pessoa que todo dia l impa a piscina da vizi nha porque 
gosta. Falta aqu i a contraprestação . E le não l impa a p isci na para 
receber contra prestação (para receber algo em troca). Por ausên­
cia da contraprestação, diz-se faltar a onerosidade e, conseq uente­
mente, não pode ser recon hecido vínculo de em prego. 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
Aq ui, cabe-nos um questionamento. 
Imagine a situação em que o objeto do contrato é lícito. Todavia, a 
contraprestação não é em direito admitida. A questão consiste, então, 
em saber se a contraprestação que não preenche o conceito de salário 
é, ou não, capaz de gerar o reconhecimento de vínculo empregatício. 
Tomemos, como exem plo, a possi bi l idade do em pregado rece­
ber contraprestação em media nte concessão de bebida alcoólica 
(que não compõe o conceito de salário, nem pode ser admitido o 
pagamento deste sob esta forma - i nteligência do art. 458 d CLT). 
Haveria onerosidade e, consequentemente, víncu lo empregatício? 
Entendemos que sim. A onerosidade - tanto na sua vertente ob­
jetiva, quando na vertente subjetiva - tem relação com a l igação do 
trabalhador ao recebimento de uma contra prestação - que, veja­
-se, não é necessariamente pecuniária, nem mesmo salaria l . 
Destarte, sob a ótica objetiva, temos o empregado que, mesmo 
trabalhando por outro motivo, que não o recebimento de salário, 
presta serviços contra uma prestação do tomador. Anal isando-se 
subjetivamente, considera-se o empregado presta serviços na ex­
pectativa de receber a lgo em troca. 
Nesses termos, o em pregado que trabalha contra uma presta­
ção de natu reza não salarial - como ocorre com as bebidas alcóo­
l icas - preenche o requ isito da onerosidade. 
Sendo assim, é possível, em tese, recon hecer o vínculo em pre­
gatício, desde que, logicamente, haja o preench i mento dos demais 
requisitos, bem assim o objeto do contrato seja lícito . 
Ainda, nesse parti cu lar, surge outra questão . 
O problema gravita em torno do reconhecimento da atividade 
espiritual (igreja, padre, pastor, etc) enquanto vínculo empregatício. 
Não se pode afastar da premissa de que a prestação de servi­
ços atende a uma crença do prestador, que o faz em busca de uma 
contraprestação divina, um retorno que se configura majoritaria­
mente como espiritual - nesse sentido, Vó l ia Bomfim (2012, p. 254). 
Há de se notar que essa prestação de serviço tem uma contra­
prestação que não pode ser avaliada economicamente. Ainda que 
haja o pagamento de alguma quantia, essa quantia não implicará 
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RELAÇÃO DE EMPREGO 
preenchimento do requisito de contraprestação, visto que, na verdade, 
visa possibil itar a sobrevivência e subsistência para propagação da fé . 
Há de se notar que a formação de um contrato depende de in­
teresses antagônicos entre as partes do contrato. Assim, no caso do 
contrato de trabalho, o interesse do empregador é antagônico àque­
le do empregado. Na prestação de serviços religiosos, esse antago­
nismo não pode ser encontrado, na medida em que ambas as partes 
da relação - e não contrato - têm o interesse comum de promoção 
do ideal espiritua l . A relação contratual imp licaria a existência, para 
as partes, de deveres e obrigações. Não é o caso, uma vez que a 
vinculação entre o religioso e a entidade religiosa não é pautada na 
existência de deveres, mas na promoção do bem comum religioso. 
Essas características que envolvem essa relação impedem o re­
conhecimento de vínculo empregatício. 
Assim, a jurisprudência apresenta prevalência no sentido de 
que, mesmo quando há pagamento e mesmo quando a atividade é 
administrativa , não há vínculo de emprego . 
\ufffd Entendimento do TST 
AGRAVO DE INSTRUMENTO - PASTOR EVANGÉLICO - RELAÇÃO DE EMPREGO -
NÃO-CONFIGURAÇÃO - REEXAME DE PROVA VEDADO PELA SÚMULA 126 DO TST. 
O vínculo que une o pastor à sua igreja é de natureza religiosa e vocacio­
nal, relacionado à resposta a uma chamada i nterior e não ao i ntuito de 
percepção de remuneração terrena. A subordinação existente é de índo­
le eclesiástica, e não empregatícia, e a retribuição percebida d iz respeito 
exclusivamente ao necessário para a manutenção do religioso. Apenas 
no caso de desvirtuamento da própria instituição religiosa, buscando 
lucrar com a palavra de Deus, é que se poderia enquadrar a igreja evan­
gélica como empresa e o pastor como empregado. No entanto, somente 
mediante o reexame da prova poder-se-ia concluir nesse sentido, o que 
não se admite em recurso de revista, nos termos da Súmula 126 do TST, 
pois as premissas táticas assentadas pelo TRT revelam que a função 
exercida pelo Reclamante estava estritamente ligada à intimidade da 
consciência religiosa e à assistência espiritual desde a adesão à função 
de pastor por livre manifestação de vontade, não sendo hipótese de vín­
culo de emprego. Agravo de instrumento desprovido. (TST, Processo: AIRR 
- 74040-42.2005.5.05.0024 Data de Ju lgamento: 27/08/2008, Relator Ministro: 
lves Gandra Martins F i lho, 7ª Turma, Data de Publicação: DJ 05/09/2008). 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
Há entend imento em sentido contrário, haja vista não ser possí­
ve l se afastar da ideia de que qua lquer igreja tem que se submeter 
à lei , dentre as quais a trabalhista. Sendo assim, se a igreja exige a 
prestação de um serviço - há uma marcação de horário específico 
para a rea l ização dos cu ltos/missas e com promissos criados para 
o prestador -, com as características de em pregado, deveria ser 
reconhecido o vínculo. 
Observação: o preso não tem vínculo empregatício por expressa 
disposição