Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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abaixo daqueles de mercado . Essa sua atitude imp licará in­
vestimento na companhia , mas não é capaz de desnaturar a natu­
reza empregatícia do seu contrato. 
De igua l sorte, quando o em pregado com pra parte dos equ ipa­
mentos, esse fato, por si só, não irá descaracterizar a sua rela­
ção, como, por exem plo, a aqu isição de com putador ou tablete, ou 
simi lares. Esse investimento, em verdade, é anal isado pe la juris­
prudência diante do caso concreto, devendo ser aval iada a partici­
pação efetiva do em pregado no negócio; se o empregado apenas 
possui uma pequena participação, não é possível descaracterizar a 
relação de emprego. A re lação será descaracterizada se o investi­
mento for significativo. 
A alheiabilidade se caracteriza por dois fatores : 
o trabalho é prestado por conta e risco de um terceiro. 
subordinação di reta ao tomador que determina a forma da 
prestação de serviço e arca com os riscos. 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
Ou seja, a prestação de serviços segue às custas de outrem, 
que detém o poder de direcionar a prestação do serviço. 
Observação: A exclusividade não é requisito da relação de em­
prego. O que é requisito é o dever de não concorrência, sob pena de 
justa causa (art. 472 da CLT). 
\ufffd Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - Analista Judiciário - Administrativa - TRT 9/2013) Conforme pre­
visto em lei, a existência da relação de emprego somente se verifica 
quando estiverem presentes algumas características, dentre as quais 
NÃO se inclui a 
a) continuidade. 
b) pessoalidade. 
c) onerosidade. 
d) subordinação. 
e) exclusividade. 
Resposta: "e". 
Observações Finais!!! Para a caracterização do contrato de tra­
balho, regido pela CLT, é imprescindível a reunião de TODOS os 
requisitos acima decl inados. 
Ai nda, de acordo com o art. 442-A da CLT, é vedado ao empre­
gador exigir, do candidato ao emprego, experiência prévia su perior 
a 6 meses. 
Para tanto, fique de olho no processo mnemônico de memo-
rização: 
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O empregado é uma pessoa legal, é, assim, F INE PERSON . 
F I -> pessoa Física 
NE -> Não Eventual idade 
PE -> PEssoal idade 
R -> Riscos pelo empregador 
S -> Su bord inação 
ON -> ONerosidade 
RELAÇÃO DE EMPREGO 
\ufffd Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(TRT 2 - Juiz do Trabalho Substituto 2\u2022 região/ 2013) No que concerne à 
caracterização da relação de emprego, a CLT traz os requisitos dispos­
tos nos artigos 2° e 3°, que se tem por diversos dos requisitos para a 
relação de trabalho. Aponte a alternativa que contenha uma hipótese 
em virtude de seu regime legal, de relação de emprego: 
a) empreitada, estágio. 
b) transporte autônomo, atleta de futebol . 
c) músico profissional, prestação diária de serviços em casa de família 
d) representação comercial, jornalista "free lance". 
e) médico de cooperativa, eletricista autônomo. 
Resposta: "c". A prestação diária imp licará conti nuidade e, consequen­
temente, reconhecimento de vínculo empregatício na condição de em­
pregado doméstico. Já o músico profissional é empregado com regula­
mentação especial - Lei 3.857/60, estando em tr.â mite o Projeto de Lei 
4-915/12, visando atualizar a sua redação. 
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1. TRABALHADOR RURAL 
1.1 Introdução 
C a p í t u l o 4 
Relações especiais 
de emprego 
Sumário \u2022 1. Trabal hador rura l : i . 1 I ntrodu­
ção; i.2 Conceito; i.3 Em pregador rural; 1.4 
Trabalhador rural: i.4.1 Empregados rurais; 
i.4.2 Não empregados; i.5 Direitos diferencia­
dos dos rurais; 2 . Trabalhador doméstico: 2 .1 . 
Conceito; 2 .2 Características do emprego do­
méstico; 2.3 Direitos dos empregados domésti­
cos: 2 .3 . 1 Direitos constitucionais de ap licação 
imediata; 2.3 .2 Direitos constitucionais depen­
dentes de regu lamentação - 3. Do empregado 
menor - 4. Da proteção à em pregada mulher. 
O trabalho rural se i nicia com os meeiros, parceiros, arrendatá­
rios e os empreitei ros rurais, que não t inham vínculo empregatício 
e eram regidos apenas pelo Código Civi l . 
O art. 7°, "b" da CLT conceituou o rural em 1943 e, ao mesmo 
tempo, o excluiu do seu âm bito de aplicação. Ou seja : ao tem po da 
edição da CLT, em que pese conceituado, o trabalhador rural não 
pod eria ser considerado empregado. 
Pelo texto da época, ao rural eram aplicadas apenas as disposi­
ções consolidadas que assim dispusessem expressamente, a exemplo 
do salário mínimo, férias, contrato de trabalho e rescisão do contrato. 
Em 1949, surgiu a Lei 605, que criou o repouso semanal remune­
rado para o trabalhador rural, mas explicitava, em seu texto, que não 
se aplicava aos meeiros, parceiros, arrendatários e os empreiteiros. 
Em 1963, surgiu a Lei 4.214, que criou o estatuto do trabalhador 
rural, am pl iando os d ireitos. Do texto consta, expressamente, a 
revogação da CLT naqui lo que lhe fosse contrário . 
Em seguida, adveio a Lei 5.889/73 que disciplinou integralmente 
o traba lho rural e revogou as legislações anteriores. 
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T HAIS MENDONÇA ALELUIA 
Por fim, a Constituição Federal de 1988 equiparou os trabalha­
dores rurais aos trabalhadores urbanos. Isso porque, até então, 
havia grande distinção entre o u rbano e o rural. Quando da edição 
da Carta Magna, os rurais passam a ter todos os d ireitos consti­
tucionais do art. 7° da Constituição vigente, ressalvadas as suas 
pecul iaridades relativas ao cumprimento desses direitos. 
Defin ida a evolução histórica do trabalho rural, im porta defin i r, 
então, qua l a re lação jurídica destinatária desse plexo legislativo. 
A definição de trabalhador ruraL presente Convenção 141 da 
Olt aprovada pelo Decreto i .703, de 17 de novem bro de 1995, con­
ceitua-o como a quele que presta serviço rural ou que tem ocupação 
similar ou conexa em região rural em tarefas campesinas, a rtesanais, 
agrícolas, pastoris e pecuárias. 
Da leitura do texto internaciona l, consid era-se trabalhador rural 
não apenas aquele que seja assalariado (em pregado rura l), mas 
também o autônomo e o eventual (boia fria). 
O art. 96 da lei 4.504/64 estabelecia que, no Brasil , o reconheci­
mento de víncu lo rural se dava, apenas, quando a prestação fosse 
rural e por conta e risco de empregador rura l . 
Já o art. 17 da le i 5.889/63 determina que é rural aquele que tra­
balha para empregador rural ainda que não seja compreendido pelo 
conceito de traba lhador rural do art. 2° da lei. 
O que se pode notar, portanto, é que houve extensão do con­
ceito de trabalhador rural pelo d ip loma internaciona l ratificado, 
de forma que passou a ser enquadrado como tal não apenas os 
empregados, mas também os trabalhadores não-em pregados. 
Por isso, questiona-se i n icia lmente, quem seria o destinatário 
da legislação do rurat se qualquer trabalhador rural ou apenas o 
empregado rura\ufffd 
Há 2 correntes se posicionando sobre essa questão. 
1ª corrente a legislação se ap l ica a qualquer trabalhador rural 
empregado ou não, desde que tenha subordinação. 
2ª corrente se ap lica a qualquer trabalhador rural ainda que 
meeiro parceiro ou seja, qualquer tipo de contrato. Não precisa 
ter subord inação. 
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RELAÇÕES ESPECIAIS DE EMPREGO 
Concordamos com o primeiro posicionamento. A presença da su­
bordinação é essencial para que haja a transferência do risco para o 
tomador do serviços (ainda que não necessariamente empregador), 
hipótese na qual pode-se cogitar da proteção do trabalhador rural . 
Nos casos em que se coloca em um contrato autônomo, a exemplo 
do meeiro, é o próprio trabalhador quem determina a forma de 
cum primento do contrato, de tal sorte que reúne em si mesmo a 
figura de tomador e prestador, e, por confundir os polos da relação 
não justifica a presença de uma legislação protecionista. 
1 .2 Conceito 
Considerada a parte i ntrod utória, insta determinar, então,