Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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é solidária 
entre os em pregadores. 
Na defi nição do trabalho ru ral, o legis lador trouxe, além da 
menção ao empregador rural, a referência ao local de trabalho. A 
distinção entre os conceitos de propriedade rural e prédio rústico 
por ser encontrada nos segu intes li mites: 
A propriedade rural seria aquela na qual os meios de pro­
dução são formados por maquinário moderno e tecnológi­
co, sem aparência rústica, mas localizada no â m bito rural. 
O prédio rústico, por sua vez, é o estabelecimento de ca­
ráter rud imentar, com pouca ou nenhuma tecnologia e de 
edificações s imples, localizado em área rural. 
i.4 Trabalhador rural 
Os trabalhadores ru rais podem ser empregados ou não empre­
gados, co nform e tenham o seu vínculo recon hecido e formalizado, 
ou não. 
1.4.1 Empregados rurais 
Sendo empregad os, o vínculo pod erá ser por prazo indeter­
minado (em pregado rural) ou por prazo determinado (safrista). 
O primeiro deles foi tratado mais deta lhadamente nas l inhas 
precedentes. 
Safrista 
É a contratação do trabalhador rural por pequeno prazo. Trata­
-se de contrato de trabalho por prazo determinado. Encontra-se 
previsto no art. i4-A da lei 5889/73, com a seguinte redação: 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
Art. i4-A. O produtor rural pessoa física poderá realizar 
contratação de trabalhador rural por pequeno prazo para 
o exercício de atividades de natureza temporária. 
Constitui o em pregado rural por curto período de tempo, con­
tratado por prazo determinado para atender às necessidades da 
safra. 
O curto período de tempo significa duração de até 2 meses, para 
cada ano, sob pena de considera r-se por prazo indeterminado. 
§ i0 : A contratação de trabalhador rural por pequeno pra­
zo que, dentro do período de i (um) ano, superar 2 (dois) 
meses fica convertida em contrato de trabalho por prazo 
i ndeterminado, observando-se os termos da legislação 
aplicável. 
Na h ipótese do contrato por pequeno prazo, a inscrição no INSS 
poderá ser feita por simples inclusão do nome do empregado na 
GFIP do empregador e o órgão previdenciário se organizará para 
obter os dados dessa inscrição. 
O contrato por prazo determinado, por ser exceção à regra de 
indeterminação do prazo, deve ser formal . A sua formalização 
poderá ocorrer de duas formas : 
(1) com a assinatura da carteira de trabalho; 
(2) mediante contrato escrito em d uas vias. Pode haver a dis­
pensa da assinatura da carteira de trabalho, mas o empre­
gado não deixa de ter nenhum direito, só não haverá o ato 
formal de preencher a cartei ra . Essa ú ltima opção é possível 
desde que : 
(2.1) tenha autorização na norma coletiva. 
(2.2) deve haver a qualificação do empregador e do imóvel 
rural fazendo constar i nclusive a m atricula do imóvel . 
(2.3) qua l ificação do em pregado. 
Atenção! 
Só poderá se valer do trabalho do safrista o empregador rural que 
não explora atividade agroeconômica. 
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RELAÇÕES ESPECIAIS DE EMPREGO 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - Juiz do Trabalho Substituto 4\u2022 região/ 2012) A contratação de 
trabalhador rural por pequeno prazo 
a) pode ser realizada para o exercício de atividades de natureza tem­
porária por produtor rural pessoa física, proprietário ou não, que ex­
plore d i retamente atividade agroeconômica, e, se superar dois meses 
de contratação d entro do período de um ano, será convertida em 
contrato de trabalho por prazo indeterminado. 
b) pode ser real izada para o exercício de atividades de natureza tem­
porária por produtor rural pessoa física, jurídica e agroindustrial, pro­
prietária ou não, que explore diretamente atividade agroeconômica, e, 
se superar três meses de contratação dentro do período de um ano, 
será convertida em contrato de trabalho por prazo indeterminado. 
c) pode ser realizada para o exercício de atividades de natureza tem­
porária ou permanente, apenas por produtor rural pessoa física, pro­
prietária ou não, que explore d i retamente atividade agroeconõmica 
ou agroindustrial, e, se superar três meses de contratação dentro do 
período de um ano, será convertida em contrato de trabalho po r prazo 
indeterminado. 
d) pode ser realizada para o exercício de atividades de natureza tem­
porária ou permanente, por produtor rural pessoa física, jurídica e 
agroindustrial, proprietária ou não, que explore diretamente atividade 
agroeconõmica, e, se superar dois meses de contratação dentro do 
período de um ano, será convertida em contrato de trabalho por prazo 
indeterminado. 
e) não pode ser realizada para o exercício de ativi dades de natureza 
tem porária por se caracterizar como "merchandage". 
Resposta: Letra A. 
l.4.2 Não empregados 
a) Boia-fria: é o trabalhador que não tem fixação jurídica a 
nenhum tomad or. Esse trabalhador oferece sua mão de 
obra ind istintamente no mercado e executa tarefas de na­
tureza eventua l . Em razão disso, e le não pode compor a 
safra, pois esta não é eventual, é certa. São i ntermediados, 
mu itas vezes, pelos "tu rmeiros" ou "gatos", com quem não 
estabelecem qualquer sorte de vínculo empregatício. Eles 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
arregimentam mão-de-obra para ofertar nas propriedades 
rurais, colocando-os à d isposição do proprietário rural . Esse 
t ipo de i ntermediação é considerada i l ícita e, por esse moti­
vo, gera o d ireito ao reconhecimento de vínculo d iretamente 
com o tomador, e não com esses i ntermediadores. 
\u2022 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - Técnico Judiciário - TRT 18/ 2008) Os "turmeiros" ou "gatos" que 
agenciam o trabalho do "bóia-fria" 
a) não estabelecem com ele víncu lo empregatício, não sendo equipa­
rados a empregador. 
b) estabelecem com ele vínculo empregatício em razão da subord ina­
ção jurídica existente. 
c) estabelecem com ele vínculo empregatício em razão da subord ina­
ção econômica existente. 
d) estabelecem com ele vínculo empregatício, sendo equiparados a 
empregador na forma da Conso l idação das Leis do Trabalho. 
e) estabelecem com ele vínculo empregatício uma vez que supor­
tam o risco do negócio em razão da capacidade econômico-fi nanceira 
existente. 
Resposta: "a". 
700 
b) Grileiro: é trabalhador autônomo, que presta serviço por 
conta própria, gera lmente no transporte de boia fria . 
c) Agregado: é o trabalhador rural que não ganha nada em 
troca do seu trabalho. Os tomadores a legam a concessão 
de outros benefícios em troca do trabalho (morad ia, a l i ­
mentação, etc). Trata-se de redução à condição aná loga de 
escravo. 
d) Parceiro Rural: o contrato de parceira rural com porta uma 
cessão da propriedade rural, em troca de uma participação 
na produção. 
e) Arrendamento rural: é o aluguel da propriedade rural. Não 
é partici pação no lucro, e sim aluguel, com valor fixo. 
f) Meeiro: é o parceiro de um contrato de meação agrária, de 
manei ra que terá d i reito a 50°4' da participação. 
RELAÇÕES ESPECIAIS DE EMPREGO 
É possível que um mesmo trabalhador rural reúna dois contra­
tos diversos. O trabalh.ador pode ser ao mesmo tempo em pregado 
e parceiro do seu em pregador, trabalhando, por exem plo, na pro­
priedade do em pregador como em pregado e, concomitantemen­
te, sendo o seu parceiro em parte da propriedade na qual mora. 
Trata-se da hi pótese de contrato misto. 
Havendo dois contratos, estes devem ser totalmente autôno­
mos e d issociados entre si . Consequentemente, é vedado desco nto 
de salário popJp-nta do outro contrato, art. 12 da lei 5889/73 e art. 
25 do decretci'.,\ufffd\ufffd_(1 26/7 4. 
\ufffd.'\ufffd\ufffd .. :\ufffd/!?e: 
i.5 Direitos diferenciados dos rurais 
Com a Constitu ição Federal de 1988, os trabalhadores urbanos 
e rurais foram equiparados. Os rurais possuem os mesmo di reitos 
dos urbanos, mas o exercício desses direitos pode ser d iferente,