Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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em 16, 17 
e 18.1 i.2010 
O empregado que trabalha em empresa de reflorestamento, cuja 
atividade está diretamente ligada ao manuseio da terra e de ma­
téria-prima, é rurícola e não industriário, nos termos do Decreto 
n.0 73.626, de 12.02.1974, art. 2°, § 4°, pouco· importando que o 
fruto de seu trabalho seja destinado à indústria. Assim, aplica-se a 
prescrição própria dos rurícolas aos direitos desses empregados. 
RELAÇÕES ESPECIAIS DE EMPREGO 
(Cespe - Analista Judiciário - Administrativa - TRT 10/2013) Em relação 
ao direito do trabalho, ju lgue os itens a seguir. 
O seguro-desemprego, concedido em caso de desem prego involuntá­
rio, é um direito constitucional dos trabalhadores urbanos, não fazen­
do jus a esse benefício os trabalhadores rurais. 
Resposta: Errado. É d ireito comum . 
2 . TRABALHADOR DOMÉSTICO 
2.i. Conceito 
O em pregado doméstico era regido pela lei 5_859/72 . Após esta 
lei, os di reitos foram am pliados pelo originário parágrafo ú nico da 
Constituição Federal de i988. 
Em segu ida, adveio a Lei 11 .324/2006, responsável por prosse­
guir com o i ntuito am pl iativo, trazendo outros d ireitos aos traba­
lhadores domésticos. 
Após a EC 72/13, responsável por alterar sign ificativamente o 
parágrafo ún ico do art. 7° da CF/88, o rol de d ireitos dos em pre­
gados domésticos foi a inda mais estendido, tendo sido inseridos 
direitos de aplicação imediata e, outros, que a inda estão carentes 
de regu lamentação . 
Quanto à sua conceituação, à semelhança do tra balho rural, a 
caracterização de um empregado enquanto doméstico - e a con­
sequente exclusão da incidência de toda a norma constitucional e 
· celetista - se opera a partir da figura do empregador. Não há d i ­
ferença substancial entre o empregado dom éstico e o empregado 
celetista regular; a figura do em pregador doméstico e as caracterís­
ticas do emprego é que o tornam "doméstico" e im plicam redução 
dos d ireitos a eles destinados. 
O conceito de empregado doméstico encontra-se no artigo lº 
da Lei 5859/72 : 
Art. 1° Ao empregado doméstico, assim considerado aquele 
que presta serviços de natureza contínua e de finalidade 
não lucrativa à pessoa ou à famma no âmbito residencial 
destas, aplica-se o disposto nesta lei. 
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Do trecho transcrito, percebe-se que o foco do conceito de em­
pregado doméstico está na figura do em pregador doméstico (men­
ção expressa à família, ao local de trabalho e à fina l idade da pres­
tação do serviço), de tal sorte que, o que diferencia o em pregado 
da CLT do empregado doméstico é a pessoa do empregador. Ambos 
os em pregados podem executar o mesmo trabalho/serviço/ativida­
de (dirigir, por exemplo), entretanto, o que separa a legislação que 
rege u m ou outro é a figura do empregador. 
2.2 Características do emprego doméstico 
A) Pessoa física 
Tanto o empregado quanto o empregador doméstico deverão 
ser pessoas físicas. 
Não se admite, portanto, que o empregador seja uma pessoa 
jurídica, nem mesmo que seja um profissional liberal ou pessoa 
sem personalidade. Desse contexto, surgem três questões juris­
prudenciais quanto ao em pregador pessoa física: 
(1) Possibi l idade do imóvel pertencer à pessoa jurídica que o 
util iza para acolher os seus executivos. 
É o caso de em presa que mantém um imóvel, de características 
resid enciais, para abrigar executivos da empresa que sejam des­
locados até aquela local idade. Nesse caso, pode ser considerado 
doméstico o em pregado que trabalha dentro de residência manti­
da pela pessoa jurídica para abrigar seus executivos? Parece-nos 
que não . 
Não podemos nos afastar da premissa de que a h ipótese em 
questão é modal idade a contratação de em pregado, por uma pes­
soa jurídica, para a manutenção de um imóvel. Retom a-se, então, 
uma noção já venti lada anteriormente: à caracterização do empre­
go dom éstico, a atividade do em pregado pouco im porta. Portanto, 
não é o fato de se cuidar de uma casa, lavar roupas ou fazer comida 
que torna o em pregado doméstico - é a figura do seu empregador. 
Sendo assim, na questão em exame, diferentemente do caso 
em que a empresa aluga uma casa para o executivo e ele, pes­
soa física, contrata o em pregado, o prestador estará real izando 
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RELAÇÕES ESPECIAIS DE EMPREGO 
a manutenção do imóvel de forma subordinada à pessoa jurídica. 
A h ipótese de que estamos tratando, nesse contexto, abarca um 
imóvel de posse/propriedade da pessoa jurídica, por ela admin is­
trado, equivalente e semelhante, em verdade, a um hotel. 
Assim, esse empregado não reúne as características necessá­
rias para o enquadramento na cond ição de doméstico. 
(2) E se ocorre do empregador assinar a carteira de trabalho 
com o nome da pessoa jurídica da qua l é sócio e no, plano 
da rea l idade, o em pregado é doméstico? 
Trata-se da situação em que o em pregador, em que pese reú­
na as características do emprego doméstico, por possuir pessoa 
jurídica, vale-se desta para assinar a CTPS do seu empregado e 
formalizar o contrato. 
Há alguns entend imentos acerca dessa h ipótese: 
\u2022 Teoria da prevalência da norma mais favorável (ou Teo­
ria do contágio da norma mais favorável): segu ndo esse 
entendimento, houve violação direta e literal ao art. io 
da lei 5859/72 e, assim, há dúvida acerca da ap licação da 
norma trabalh ista. Na dúvida entre uma ou outra, deve 
prevalecer a norma mais favorável ao empregado, que, 
in casu, é a CLT (empregado regular celetista). 
\u2022 Teoria da prevalência do princípio da primazia da rea­
lidade: deve-se reconhecer o que ocorreu no plano dos 
fatos. Nesse caso, o que ocorreu no plano dos fatos foi 
emprego doméstico. Portanto, forçoso conclu i r que essa 
assinatura na carteira foi um erro material e deve ser 
retificado. 
Vól ia Bomfim (201 1, p . 369) adota essa teoria e acrescenta que : 
"Em face do art. 112 do CC, que determina que nas decla­
rações de vontade a i ntenção prevalecerá sobre o sentido 
l iteral da li nguagem." 
(3) Como fica a situação de repúblicas estudantis, albergues e 
conventos? 
Nessa situação, o que ocorre é uma reunião não intencional de 
pessoas, que configuram no polo tomador da prestação do serviço. 
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Tal un iao não é espontânea, não existe família e, por isso, não 
pode ser considerado como empregador doméstico. Esse, i n clusive 
é o entend imento defendido por Vólia Bomfim (2012, p . 345). 
Poderá ser, nesse caso, um mero prestador de serviços ou, 
ainda, empregado celetista regular. 
Se, por outro lado, a reun ião das pessoas ocorreu em virtude 
de ato de vontade e dividem voluntariamente a habitação, com a 
contratação conjunta de u m em pregado, há a possibi l idade de se 
considerar como vínculo de em prego doméstico, pois a reun ião se 
assemelha a uma famíl ia. 
\ufffd Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - Analista Judiciário - TRT i4/2011) Karina e Mariana residem no 
pensionato de Ester, l ocal em que dormem e realizam as suas refei­
ções, já que Gabriela, proprietária do pensionato, contratou Abigail 
para exercer as funções de cozinheira . Jaquel ine reside em uma repú­
bl ica estudantil que possui como funcionária Helena, responsável pela 
l impeza da república, além de cozinhar para os estudantes moradores. 
Abigail e Helena estão grávidas. Neste caso, 
a) nenhuma das empregadas são domésticas, mas ambas terão direi­
to a estabi l idade provisória decorrente da gestação. 
b) ambas são empregadas domésticas e terão direito a estabi l idade 
provisória decorrente da gestação. 
c) somente He lena é empregada doméstica, mas ambas terão direito 
a estabil idade provisória decorrente da gestação. 
d) somente Abigail é empregada doméstica, mas ambas terão direito 
a estabil idade provisória decorrente da gestação.