Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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Por fim, Ana presta serviços 
para uma pessoa, em seu âmbito residência, sem aferição de lucro 
com sua mão-de-obra, considerando-se doméstica. 
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REtAÇÕES ESPECIAIS OE TRABALHO 
2. TRABALHADOR AUTÔNOMO 
O trabalho autônomo reúne duas características prmc1pai\ufffd a 
um, é retirada do trabalhador a subordinação (diametra lmente 
contraditória com a autonomia); a dois, os riscos da atividade tam­
bém são transferidos imediatamente para o prestadoi: 
Constitui, portanto, uma relação de trabalho lato sensu, que não 
se confunde, por isso mesmo, com a relação de em prego . A Lei 
8.212/91 contém uma defin ição de trabalho autônomo como sendo: 
"a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômi­
ca de natureza u rbana, com fins l ucrativos ou não." (art. i 2, V, h) . 
São diversos os exemplos de atividades autônomas, sendo as 
mais comu ns as prestações de serviço por empreiteiros, por pro­
fissionais l iberais, representantes comerciais. 
Outro ponto de distinção significativo consiste o fato de que 
o trabalho do prestador autônomo pode ser, ou não, infungível . 
Por isso, o prestador autônomo poderá, pessoalmente, ser o res­
ponsável pela prestação do serviço, do mesmo modo que poderá 
repassar a prestação concreta do serviço a terceiro. 
Portanto, o contrato de traba lho autônomo poderá possuir cláu­
sula rígida relacionada à pessoal idade da prestação do serviço, 
sem que isso torn e a relação como de em prego. 
\u2022 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - Analista Judiciário - Judiciária - TRT 6/2012) Quanto à relação de 
emprego e às relações de trabalho "lato sensu", é I NCORRETO afirmar: 
a) Relação de emprego é aquela em que pessoa física presta serviços 
de natureza não eventual e de forma pessoal a empregador, sob a 
dependência e subordinação deste, mediante salário. 
b) Trabalho autônomo é aquele em que o trabalhador exerce as suas 
atividades por conta e risco próprios, sem subordinação com o seu 
contratante. 
c) Trabalho eventual é aquele prestad o ocasionalmente, para reali­
zação de determinado evento, em que o trabalhador, em regra, de­
senvolve atividades não coincidentes com os fins normais da empresa 
contratante, não se fixando a uma fonte trabalho. 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
d) Trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física a uma 
empresa, por prazo curto, para atender à necessidade transitória 
de substituição de seu pessoal regular e permanente ou o acrésci­
mo extraordinário de serviços, i ntermediação de empresa de trabalho 
tem porário. 
e) Trabalho avulso é aquele em que o trabalhador presta serviços de 
curta duração para distintos beneficiários i ntermediação de terceira 
entidade com quem mantém vínculo de em prego nos termos da CLT, 
mas não se igua lando direitos com os trabalhadores com vínculo em­
pregatício permanente. 
Resposta: "e". O avulso iguala-se aos empregados em direitos e, como 
visto, poderá ou não ser empregado. 
(FCC - Analista Judiciário - Administrativa - TRT 18/2013) Em relação aos 
direitos dos trabalhadores previstos na Constituição Federal, é correto 
afirmar que 
a) há previsão apenas de direitos trabalhistas ao empregado urbano, 
não sendo contemplado o trabalhador rural cujos direitos estão pre­
vistos em lei específica. 
b) não há previsão constitucional para d ireitos do trabalhador domés­
tico, cabendo à Consol idação das Leis do Trabalho regu lamentá-los. 
c) há igualdade de d ireitos entre o trabalhador com vínculo emprega­
tício permanente e o trabalhador avulso. 
d) não há qua lquer previsão constitucional para a proteção do traba­
lhador em face da automação, bem como de seguro contra acidentes 
de trabalho a cargo do empregador. 
e) há previsão específica quanto à possibi l idade de d istinção en­
tre o trabalho manual , técnico e intelectual ou entre os profissionais 
respectivos. 
Resposta: "c". O art. 7° da CF/88 contempla os d ireitos dos trabalhado­
res urbanos e rurais, ao passo que os empregados domésticos estão 
regu lamentados no parágrafo ú nico do mesmo artigo - acrescido de 
leis ordinárias. O art. 7°, XXVll da CF/88, prevê, expressamente, a pro­
teção do empregado em face da automação. 
(FCC - Analista Judiciário - TRT 24/2011) O trabalho autônomo 
a) é vedado para os serviços de consultoria e de contabi l idade, por 
expressa vedação legal. 
b) se realiza, em regra, necessariamente com subordinação, porém, 
sem os demais requisitos da relação de em prego previstos na Conven­
ção Coletiva de Trabalho. 
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RELAÇÕES ESPECIAIS DE TRABALHO 
c) não pode ser pactuado com cláusula rígida de pessoalidade, em 
razão da autonomia inerente ao próprio contrato. 
d) se realiza, em regra, necessariamente com pessoal idade, porém, 
sem os demais requisitos da relação de emprego previstos na Conven­
ção Coletiva de Trabalho. 
e) pode ser contratado sem infungibi l idade quanto ao prestador, mes­
mo em se tratando de serviço pactuado com pessoa física. 
Resposta: "e". O trabalho autônomo se contrapõe ao requisito da su­
bordinação, entretanto, não afasta a presença de pessoal idade, muito 
comum nessas relações. Ao contratar, pretende-se que aquele contra­
tado preste o serviço, mas a presença de pessoal idade não descarac­
teriza o trabalho autônomo e nem imp licará reconhecimento de vínculo 
empregatício. 
3. CONTRATO DE ESTÁGIO 
3.1. Conceitos essenciais 
Recentemente reformada, a regu lamentação do estágio encon­
tra-se na Lei. 1 1 .788/08, que representou u m aumento substancial 
nos d ireitos dos estagiários. Com a nova legislação, permanece a 
relação triangular com a intervenção necessária da instituição de 
ensino . 
O conceito de estágio encontra-se expressamente previsto na 
lei, art. Iº: 
Art. 1° Estágio é ato educativo escolar supervisionado, de­
senvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação 
para o trabalho produtivo de educandos que estejam fre­
qüentando o ensino regular em instituições de educação su­
perior, de educação profissional, de ensino médio, da edu­
cação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na 
modal idade profissional da educação de jovens e adultos. 
Esse estágio, segundo a lei, poderá ser obrigatório ou facultati­
vo . É obrigatório aquele que compõe o projeto de um curso, como 
req uisito de obtenção de d ip loma. Não se considera obrigatório 
o estágio quando, em que pese para a formação do estudante, é 
desenvolvido com o uma atividade opcional de a perfeiçoamento. 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
Essa legislação de estágio deverá se apl icar a todos os estágios 
no país, inclusive quando se tratar de estudante estrangeiro que, 
devidamente matriculado em curso su perior autorizado e reconhe­
cido, tenha i ntenção de realizar estágio - observando-se o prazo 
dos visto do estudante. 
A re lação é intermediada, necessariamente, pela instituição 
de ensino, que tem por função aval iar as cond ições do estágio . 
Com a nova legislação, a instituição de ensino deverá indicar um 
professor orientador para o estágio, cuja responsabi l idade será 
acompanhar e aval iar o estágio . Para tanto, devem ser apresenta­
dos relatórios com periodicidade máxima de seis mese\ufffd a fim de 
permitir a fisca lização do estágio. 
Do outro lado da relação, encontra-se a chamada parte con­
cedente. A parte concedente é aquela responsável por prover o 
estágio - ou seja, é o tomador do serviço de estágio. 
lndicoção de professor Instituição 
orienta dor + relatóriaJ, "l de ensino ' 
periódicos ---·-
Avaliação 
, da condição 
'', do estágio ' ' ' ' 
G\ufffdgiário ) \\ufffd\ufffdrte concedente 
\ufffdddk , ,\ufffd 
pMvado 1 \u2022 Órgãos da Adm. Pública direta 
\u2022 Profissionais l iberais de nível . 
superior registrados nos ór· I 
gãos de fiscalização __) 
Essa parte concedente pode ser uma pessoa jurídica de direito 
privado, órgãos da admin