Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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por equiparação: 
§ 1° - Equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclu ­
sivos da relação de emprego, os profissionais l iberais, as 
institu ições de beneficência, as associações recreativas ou 
outras instituições sem f ins lucrativos, que adm itirem traba­
lhadores como empregados. 
Assim, o que se pode dizer é que o empregador é o tomador 
dos serviços do empregado - seja ele, ou não, em presa. 
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T HAIS MENDONÇA ALELUIA 
\ufffd Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - Técnico Judiciário - Administrativa - TRT 1/2013) A respeito da 
relação de emprego e dos seus sujeitos, é INCORRETO afirmar: 
a) Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição 
de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual . 
b) Empregador é sempre pessoa jurídica. 
c) A relação de emprego se desenvolve com pessoal idade, ou seja, 
o empregado tem que prestar o serviço pessoalmente, não podendo 
mandar qua lquer pessoa trabalhar em seu lugar. 
d) Empregado é sempre pessoa física. 
e) Entidade beneficente, sem fi nal idade l ucrativa, pode ser empre­
gadora . 
Resposta: "b". 
i.2 Sucessão de empregadores 
O Código Civil , em seu art. 966 , trouxe o conceito de empresa . 
Esse conceito é d inâmico, pois se refere ao exercício de uma ativi­
dade ; em outras palavras, é a atividade econômica desem penhada 
pelo em pregador que caracteriza a em presa. 
Segu ndo o dispositivo: "Considera-se empresário quem exerce 
profissiona lmente a tividade econômica organizada para a produção 
ou a circulação de bens ou de serviços." 
Disso é possível extrair a conclusão de que empresa não se confun­
de com estabelecimento, que é um conceito com pletamente diverso. 
A empresa não necessariamente tem estabelecimento, dado que é 
possível o exercício da atividade em estabelecimento, ou não. Estabe­
lecimento, por sua vez, também possui conceito legal (art. 1142 CC/02) 
e consiste na unidade física onde o empresário exerce a em presa. 
Pois bem. 
Na sucessão de empregadores há a transferência, traslado, 
traspasse, entrega da empresa (atividade) de uma pessoa para 
outra , que assume a prestação da atividade e, consequentemen­
te, a integral idade da responsabi l idade sobre os contratos de 
traba lho . 
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EMPREGADOR 
Em síntese, sucessão é a entrega da em presa, ou seja, não é a 
venda sim ples do estabelecimento e nem do maquinário, é a en­
trega do negócio, do comércio, da empresa. 
Assim, o sucessor passa a ser integralmente responsável , ao 
passo que o sucedido fica irresponsável . 
O amparo legal, para essa conclusão, está nos aT1s. 10 e 448 da CLT. 
Art. io Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa 
não afetará os direitos adquiridos por seus empregados. 
Art. 448 . A mudança na propriedade ou na estrutura jurídi­
ca da empresa não afetará os contratos de trabalhos dos 
respectivos empregados. 
O fundamento principiológico desse entend imento encontra-se 
nos princípios da continuidade da relação de emprego , o princípio 
da despersonalização da figura do empregador (só há pessoalida­
de em relação à figura do em pregado) e, por fim, o princípio da 
intangibilidade objetiva do contrato individual de trabalho (manu­
tenção das cláusulas mesmo com a sucessão, porque o contrato 
não pode ser alte rado). 
Os requisitos para a caracterização da sucessão de empregado­
res, para uma primeira corrente tradiciona l (Wagner Gigl io), seria 
a existência de dois req uisitos cumulativos : 1) a transferência da 
unidade econômica e, 2) a inexistência de solução de continuidade 
na prestação do serviço . Para os defensores desse entendimento, 
é imprescind ível a continu idade da prestação de serviços em rela­
ção à em presa sucessora. 
Fácil perceber, e ntretanto, que este entendimento, a pesar de 
guardar relação com a lógica, permitiu a ocorrência de fraudes, 
com dispensas massivas e esvaziamento dos empregados da em­
presa, apenas com a transferência dos ativos. 
Por isso, o entend imento moderno defende a necessidade ape­
nas do primeiro requisito . Assim, a jurisprudência se desenvolveu 
no sentido de que não há necessidade do empregado (reclamante 
no processo) ter prestado qualquer tipo de serviço para a sucesso­
ra, desde que ocorra uma de duas situações: 1) ausência de saúde 
financeira da empresa sucedida e, 2) no caso de fraude . 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
Em resumo, como regra geral, o sucessor irá responder pela 
integralidade da dívida, salvo na h ipótese de fraude (art. 9º da CLT 
e 942 CC/02), quando o suced ido permanecerá solidariamente res­
ponsável_ Há aqueles que defe ndem a responsabi l idade do sucedi­
do independentemente de fraude (a exemp lo de Ísis de Almeida). 
Há a lguns (nesse sentido, Mauro Schiavi) que entendem que, 
mesmo não havendo frau de, a sucedida permanece responsáve l 
subsid iária, sob em basamento constitucio nal , nos arts. i0, I l i e IV, 
5°, XXI I e XXll l (d ignidade da pessoa humana, função social do tra­
balho, função social da empresa e o traba lho como fundamento 
primaz da sociedade econôm ica) e art. i70 da CF/88. 
A existência de cláusula de não responsabilização na sucessão, 
presente no contrato civil de transferência do negócio, não tem 
efeitos perante os contratos de trabalho_ É a c láusula na qua l fica 
estipu lada contratua lmente a sucessão, afastando qua lquer res­
ponsabi l idade tra balh ista da empresa sucessora. 
Esta c láusula do contrato civi l prevendo a irresponsabi l idade, 
apenas não possui efeitos em relação ao contrato de traba lho, e o 
sucessor permanecerá com a responsabi l idade, porque a lei assim 
o previ u, não permitindo a n egociação pelas partes. A a lud ida cláu­
sula serve de fundam ento no âm bito civil, para fins do exercício do 
direito de regresso. 
\u2022 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - Analista Judiciário - judiciária - TRT 6/2012) Por razões de in­
teresse econômico, os proprietários da empresa Tetra Serviços Ltda. 
transferiram o negócio para tercei ros. Houve alteração da razão social, 
mas não ocorreu alteração ele endereço, do ramo de atividades, nem 
ele equ ipamentos. Manteve-se o mesmo quadro de empregados. Tal 
situação caracterizou a sucessão de empregadores. Neste caso, quanto 
aos contratos de trabalho dos empregados da empresa sucedida, 
a) os contratos de trabalho se manterão inalterados e seguirão seu 
curso normal . 
b) a transferência de obrigações depende das condições em que a 
sucessão foi pactuada. 
c) as obrigações anteriores recai rão sobre a empresa suced ida, e as 
posteriores sobre a sucessora. 
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EMPREGADOR 
d) todas as cláusulas e condições estabelecidas no contrato de 
trabalho deverão ser repactuadas entre os empregados e o novo 
empregador. 
e) serão automaticamente extintos, fazendo surgir novas relações 
contratuais. 
Resposta: "a". Art. 10 da CLT. 
(FCC - Analista judiciário - Exec. Mandados - TRT 11/2012) A empresa 
Gama foi sucedida pela empresa Delta, ocupando o mesmo local, utili­
zando as mesmas i nstalações e fundo de comércio, ass im como man­
tendo as mesmas atividades e empregados. Em relação aos contratos 
de trabalho d os empregados da empresa sucedida é correto afirmar 
que 
a) serão automaticamente extintos, fazendo surgir novas relações 
contratuais. 
b) as obrigações anteriores recairão sobre a empresa sucedida, e as 
posteriores sobre a sucessora. 
c) as cláusulas e condições estabelecidas no contrato de trabalho 
serão obrigatoriamente repactuadas entre os empregados e o novo 
empregador i ndividual . 
d) a transferência de obrigações trabalh istas dependerá das condi­
ções em que a sucessão foi pactuada. 
e) os contratos se manterão i nalterados e seguirão seu curso normal. 
Resposta: "e". É a hipótese do art. 10 da CLT. 
(FCC - Analista Judiciário - Administrativa - TRT 1/2013)