Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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Em relação ao 
contrato individual de trabalho, de acordo com a CLT: 
a) A m udança na propriedade da empresa não afetará os contratos 
de trabalho dos respectivos empregados. 
b) A alteração na estrutura jurídica da empresa afetará os contratos 
de trabalho dos respectivos empregados. 
c) A alteração na estrutura jurídica da empresa afetará os direitos 
adquiridos por seus empregados. 
d) A responsabi l idade das empresas integrantes de grupo econômico 
em relação aos direitos dos empregados é subsid iária. 
e) Poderá ser sol idária ou subsidiária a responsabil idade das empre­
sas i ntegrantes de grupo econômico não formalizado nos termos da lei, 
pelos direitos dos em pregados. 
Resposta: Conforme o art. 10 da CLT, a alteração na estrutura jurídica da 
empresa não afeta os contratos de trabalho. 
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T HAIS M ENDDNÇA ALELUIA 
i.3. Grupo empresarial 
§ 20 do art. 2° da CLT: Sempre que uma ou mais empre­
sas, tendo, embora, cada uma delas, personal idade jurídica 
própria, estiverem sob a direção, controle ou administra­
ção de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de 
qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos 
da relação de emprego, sol idariamente responsáveis a em­
presa principal e cada uma das subordinadas. 
o caput do art. 2° da CLT trouxe o conceito de empregador, ao 
tem po em que o vincula à empresa, gerando a possibi l idade de 
sucessão. 
o § 1° do art. 2° do citado artigo traz a figura do em pregador por 
equiparação, com o o bjetivo de atrair, para o conceito de em pre­
gador, todos aque les que não se encaixam no conceito original, por 
não serem empresários, mas que são verdadeiros tomadores de 
serviço de empregados (art. 3 ° da CLT). 
Assim, o empregador é aque le que figure como tomador de 
serviço de empregado, que seja assim chamado por reun ir as ca­
racterísticas do art. 3° da CLT. 
Este empregador pode se reunir em um grupo (art 2°, §2º da 
CLT). O grupo, segundo a CLT, é um gru po de empresa. 
Do texto celetista, depreende-se que o primeiro requisito de 
um gru po é a pluralidade de empresas. Quem não é empresa, 
não faz gru po de empresa (em pregador por equiparação não faz 
grupo). No plano tático, pode-se observar o gru po de pessoas que 
não são em presas e , nesse caso, o que ocorre é, se valendo ana­
logicamente da figura do consórcio de empregadores rurais, faz-se 
um consórcio de empregadores urbanos. 
Assim como no consórcio de empregadores rurais, já estuda­
do, apenas um dos tomadores assina a CTPS, fazendo constar das 
anotações gerais a existência do consórcio, o que atrai a responsa­
b i l idade sol idária entre todos os tomadores. Essa sol idariedade, 
no consórcio, é via de mão dup la, ad mitindo tanto a responsabi l i ­
dade passiva - todos são sol idariamente responsáveis pelos cré­
ditos do em pregado - como a sol idariedade ativa - uma vez que 
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EMPREGADOR 
o empregado presta serviço subordinado a todos os tomadores, 
indistintamente. 
A figura, apesar de regulamentada exclusivamente no âmbito 
rural, é aceita também nas relações u rbanas, em que se caracterize 
a mesma demanda tática: d iversos tomadores interessados em um 
mesmo prestado r - nesse sentido, Maurício Godinho e Otávio Calvet. 
\u2022 Entendimento do TST 
RECURSO DE REVISTA DA STRATAGEO SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS LTDA. 1. CON­
SÓRCIO DE EMPREGADORES URBANOS. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO ANA­
LÓGICA DO ART. 25-A DA LEI N° 8.212/1991. REQUISITOS PARA CONFIGURA­
ÇÃO. 1 . 1 . O consórcio de empregadores é figura relativamente nova 
no d ireito brasi leiro e e ncontra regulação restrita ao ambiente rural. 
Sua i nstitucionalização atende aos anseios não só dos empregadores, 
mas, também, àqueles dos trabalhadores, a uns e outros resguardando 
contra vicissitudes decorrentes das atividades pecul iares ao campo, 
natura lmente descontínuas. O i nstituto, como regrado, responde aos 
comandos constitucionais de respeito à dignidade da pessoa humana 
e de valorização social do trabalho e da livre i n iciativa, dignificando 
a pessoa do trabalhador e garant indo o pleno emprego, a lém de ou­
torgar segurança jurídica (Constituição Federal, arts. 1°, I l i e IV, 7°, 170, 
VII I e 193). i.2. Cumpre anotar, no entanto, que, para o meio rural, 
a efetividade da proteção jurídica depende - agora, i nclusive, sob o 
interesse previdenciário - de que sejam materializados os requisitos 
fixados pelas normas que regulam a espécie. O consórcio s implificado 
de produtores rurais, "formado pela un ião de produtores rurais pes­
soas físicas, que outorgar a um deles poderes para contratar, gerir 
e demitir trabalhadores para prestação de serviços, exclusivamente, 
aos seus i ntegrantes", ganhará corpo com o pacto de sol idariedade 
(Código Civil, art. 256), registrado em cartório de títu los e documentos 
e que "deverá conter a identificação de cada produtor, seu endereço 
pessoal e o de sua propriedade rural", também com o "respectivo 
registro no I nstituto Naciona l de Colonização e Reforma Agrária - I NCRA 
ou informações relativas a parceria, arrendamento ou equivalente e a 
matrícula no Instituto Nacional do Seguro Social - I NSS de cada um dos 
produtores rurais". Ainda: "o consórcio deverá ser matricu lado no I NSS 
em nome do em pregador a quem hajam sido outorgados os poderes, 
na forma do regu lamento" (Lei n° 8212/91, art. 25-a). i .3 . Afirma-se a 
possibi l idade de extensão analógica do consórcio de empregadores ao 
meio urbano. Por expressa dicção legal (CLT, art. 8°), deve o Direito do 
Trabalho socorrer-se da analogia, atendendo aos fins sociais da norma 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
apl icada e às exigências do bem comum. Tal processo imprescinde de 
lacuna no ordenamento, de m olde que, em situações semelhadas e 
com olhos postos na m utação dos fatos, perm ita-se a evo lução do 
Direito e amp la atenção aos fenômenos sociais, sempre garantida a 
i ntegridade dos princípios e direitos fundamentais apl icáveis e a co­
erência da ordem ju rídica. Embora admissível a trasladação do i ns­
tituto, não será lícito autorizar-se-lhe a despir-se de todos os seus 
requisitos essenciais durante o trajeto. É fundamental que as mesmas 
formal idades exigíveis para o u niverso rural persistam no urbano. A 
solidariedade não se presume (Código Civil, art. 296): sem a adoção 
dos protocolos exigidos em Lei, o modelo jurídico apegar-se-ia aos 
estatutos corriqueiros, i nsta lando-se dúvidas quanto à titu laridade, na­
tureza e extensão de d ireitos e obrigações, com a iminência de vastos 
preju ízos e a consequente perda de todas as benesses já descritas. 
A aplicação analógica das normas de regência do modelo há se de 
fazer pela sua i nteireza. Recurso de revista não conhecido.( Processo: 
ARR - 104300-96.2010.5.noo66 Data de Julgamento: 12/06/2013, Relator 
Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 3ª Turma, Data de 
Publicação: DEJT 14/06/2013.) 
Destarte, a figura do consórcio não se confunde com o grupo 
de empresa , dado não se tratar de p lural idade de empresas, ou 
por não ter, entre as empresas, a reu nião dos demais requ isitos. 
No consórcio, há a assunção voluntária entre os tomadores , sobre 
um mesmo prestador, a inda que entre esses tomadores não haja 
qualquer relação. 
Diz-se isso porque , para a formação de um grupo de empresas, 
não é suficiente a reu n ião de empresas tomadoras do mesmo ser­
viço. Há que se configurar outros aspectos. 
O segundo aspecto a ser considerado é que não há formalidade 
para a formação do grupo , ou seja, não há necessidade de preen­
chimento de uma característica formal para que se possa conclu ir 
pela existência de gru po de em pregadores. Assim, para que haja 
gru po, não é preciso que as empresas tenham o mesmo objeto 
social ou mesmo algum sócio em com um, não se exige, ain da, que 
tenham algum