Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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documento ou contrato que as vi ncule. O que deter­
mina a existência de u m gru po é a relação entre essas empresas, 
no seu aspecto tático. 
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EMPREGADOR 
Este é 0 terceiro aspecto a ser ava l iado: a existência de relação 
de subordinação ou coordenação. 
No texto original da CLT, o gru po é formado pela re lação entre 
uma empresa que coordena as demais, em relação de subordina­
ção. É o que se pode inferir do art. 20, §2º da CLT. Na lei do rura\ufffd 
entretanto, o art. 3°, parágrafo 2° (Lei 5889/73) demanda que haja 
uma relação de coordenação. 
Nessa esteira, pelo texto celetista, deveria existi r uma empresa 
que funcionasse como uma controladora das demais empresas do 
grupo. 
Controladora 
A B c 
Cada empresa pode desempenhar 
um objeto social diverso e não é exigido 
contrato formal entre elas. 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - Técnico Judiciário - TRT 3/ 2009) A formação de grupo econômico, 
no direito do trabalho brasi leiro, segundo a Consol idação das Leis do 
Trabalho, resulta 
a) da existência, sempre necessária, de uma hold ing a controlar as 
demais empresas do grupo. 
b) da presença, indispensável, dos mesmos sócios de uma empre­
sa na composição societária da outra, que com a primeira faz grupo 
econômico. 
c) da utilização do mesmo nome de fantasia, sem o que não há falar 
em grupo econômico. 
d) da presença de uma em presa como sócia formal da outra, desde 
que ambas sejam organizadas como sociedades anônimas. 
e) da constatação de que uma ou mais empresas encontram-se sob a 
direção, controle ou admin istração de outra. 
Resposta: "e". Como visto, basta essa característica, não tendo a lei 
exigido nenhuma outra formalidade. 
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THAIS MENDONÇA ALELUIA 
1.3.1 Natureza da responsabilidade do grupo empresarial 
Configurado o grupo de empresas, há a responsabilidade soli­
dária entre todas as empresas do grupo reconhecido. 
Art 20, parágrafo 2° da CLT: "(. . .) serão para os efeitos da re­
lação de emprego solidariamente responsáveis". 
o primeiro ponto a ser destacado é que, pelo texto legal, trata­
-se de responsabi l idade sol idária, e, portanto, não existe benefício 
de ordem. A responsabi l idade sol idária decorre de lei , conforme 
disposição civil; no direito do trabalho , ocorrendo o grupo de em­
presas , por expressa previsão legal, todas as empresas do grupo 
são solidariamente responsáveis . 
Não resta qua lquer dúvida, em doutri na e jurisprudência, de 
que a solidariedade é passiva (todos são igualm ente devedores), 
e, assi m, o empregado pode acionar qua lquer uma das empresas, 
sem benefício de ordem entre elas. É certo, por um aspecto pro­
cessual e para que haja o devido processo legal, além da ampla 
defesa, que não poderá deixar de fora o devedor principal, que foi 
o rea l empregador, e possui todos os documentos e conhecimento 
tático da relação de trabalho. 
A polêmica se instalou sobre ser essa responsabilidade solidá­
ria também ativa . Ou seja : a questão é defin ir se "para os efeitos 
da relação de emprego" permite que todas as em presas do gru­
po se considerem aptas a exigi r a prestação de serviços daquele 
em pregado. 
780 
(1) Corrente do empregador único : o grupo é o empregador , 
portanto todos podem exigi r serviço. Para os defensores 
dessa corrente, todas as em presas do gru po podem exi­
gir os serviços do em pregado. Apresentam os seguintes 
fundamentos: 
a) O item 53 da exposição de motivos da CLT , ao conceituar 
em pregador, traz uma brecha de que ele seja p lura l . 
"53. Na i ntrodução, aperfeiçoou a redação dos artigos; inse­
riu a definição de empregador, que i ntegra o conceito de­
fi nitivo da relação de emprego, acompanhando-a da noção 
legal de empregadora ún i ca dada pela Lei n° 435, de 17 de 
maio de 1937; (. .. )" . 
EMPREGADOR 
O legis lador pretendeu, portanto, a criação de u m em pregador 
que pudesse se encontrar em p lural idade. Todavia, não se pode 
afastar do fato de que é um argumento fraco, pois devemos ob­
servar a mens legis ( ideia da le i) e não a mens legislatoris (ideia do 
legislador). 
A exposição de mtivos nos expl icita, no mín imo, que essa foi 
a i ntenção do legis lador, apesar de a ap licação da lei p rescind ir 
deste fator, dado que deve ser observada a intenção do próprio 
conteúdo legislativo. 
b)interpretação literal da passagem que afirma que "para os 
efeitos da relação de emprego". Da leitura do texto celetis­
ta denota-se, claramente e a partir da interpretação gra­
matical da previsão, que são am bos os efeitos da relação 
de emprego: exigi r prestação e ofertar a contraprestação. 
c) Súmula 129 do TST : "A prestação de serviços a mais de uma 
empresa do mesmo grupo econômico, durante a mesma jor­
nada de trabalho, não caracteriza a coexistência de mais 
de um contrato de trabalho, salvo ajuste em contrário". A 
redação da Súmula é o argumento mais forte. Note que, 
nesse entend imento, o TST deixou esclarecido que u m 
mesmo empregado pode, n u m a mesma jornada, prestar 
serviço a mais de um em pregador. Tratando-se de gru po 
de empresas, será o m esmo contrato. Ora, tratand o-se do 
mesmo contrato, é certo que o entendimento do TST é no 
sent ido de que todos os empregadores poderão exigir a 
prestação de serviços, conval idando a ideia de emprega­
dor ún ico. 
d) Súmula 93 do TST : " Integra a remuneração do bancário 
a vantagem pecuniária por ele auferida na colocação ou 
na venda de papéis ou valores mobil iários de empresas 
pertencentes ao mesmo grupo econômico, quando exerci­
da essa atividade no horário e local de trabalho e com o 
consentimento, tácito ou expresso, do banco empregador." 
Nesse caso, o bancário que, numa mesma jornada, vende 
produtos para outras em presas do gru po do banco, terá 
este valor integrado à sua remu neração, forta lecendo, 
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T HAIS MENDONÇA ALELUIA 
portanto, tratar-se do mesmo contrato de trabalho, com 
prestação de serviço a outro tomador. 
e) cancelamento da súmula 205 do TST: "O responsável soli­
dário, integrante do grupo econômico, que não participou 
da relação processual como reclamado e que, portanto, não 
consta no título executivo judicia l como devedor, não pode 
ser sujeito passivo na execução." O responsáve l sol idário, 
em virtude de gru po econômico, que não faz parte do 
títu lo executivo, não poderia ser i ncluído na execução, de 
acordo com essa súmula . A concepção de que as em pre­
sas de um mesmo gru po formam um todo un itário gerou o 
cancelamento desse entendimento, permitindo a inclusão 
de empresa do gru po mesmo quando não tenha partici­
pado da ação de conhecimento - e, assim, não conste do 
títu lo executivo - dado que houve a participação de outra 
em presa do gru po nessa fase processual . 
(2) Corrente da solidariedade exclusivamente passiva: aqueles 
que defendem essa corrente sustentam que a norma traba lhis­
ta não poderia ser responsável por concluir que o empregado 
poderia ser exaurido por mais de um tomador. Assim, o art. 
2°, §2° da CLT não pode sofrer interpretação literal apenas, 
tendo que submeti do a uma interpretação teleológica, que 
é aq uela que se baseia nos valores, nos princípios do Direito 
do Trabalho. Destarte, por essa interpretação, deve-se dar 
um olhar protecionista ao conteúdo da lei (na dúvida, em 
prol do empregado), que, por tal motivo, não pode ter tido 
a intenção de impor ao empregado tamanha exigência de 
traba lho, por diversos tomadores. 
Há que se notar, entretanto, que, em que pese a interpretação 
teleológica, não há dúvida que o legislador trabalhista não colocaria 
a locução no plural, "os efeitos", se a pretensão legislativa não fosse 
de incluir o efeito ativo e passivo. Da mesma forma que se pode dizer 
que não há letra morta na lei, não há letra morta na palavra da lei .