Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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da vida social 
Autônomas: produzidas pelos des-
momento jurídico - Norma tinatários 
Heterônomas: impostas por um 3\u2022 
2.2.1 Fontes Formais Heterônomas 
Há a imposição da norma por um terceiro. um terceiro, geral­
mente o Estado, impõe a norma que i rá reger a relação entre as 
partes. 
São exemplos de fontes formais heterônomas: 
Constituição: É a norma fundamental que rege o direito cfo 
trabalho . A Constituição Federa l contém a espinha dorsal do 
d i reito do trabalho entre os arts. 6° e 11. Esses são consi­
derados os di reitos mínimos dos trabalhadores, o que não 
impede que, além d eles, sejam criados outros di reitos; ou 
seja, a le i infraconstitucional, ou mesmo as normas autôno­
mas, poderão a mpliá-los. 
Exemplo: a estabilidade gestante da empregada doméstica não 
estava prevista na Constituição Federal - mesmo após a EC 72/13, a 
l icença gestante encontra-se garantida no texto constitucional, mas 
a estabi l idade, constante do art. 10 do ADCT, não abrange expres­
samente a doméstica. 
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Robson
Sublinhado
T HAIS MENDONÇA ALELUIA 
Apesar disso, a lei que regu la o trabalho doméstico (Lei 
ii .324/06) estabeleceu, para esta categoria, o d ireito à estabi l ida­
de gestante. 
A questão doutrinária pairou na possib i l idade de extensão do 
di reito, considerando que o i nciso 1 do art. 7° da CF/88, ainda não 
possui regu lamentação. O entend imento, então, era no sentido de 
que as h ipóteses de estabi l idade seriam apenas aquelas expres­
samente previstas no texto constitucional, até que advenha norma 
regu lamentadora da proibição geral de dispensa arbitrária (a Lei 
Complementar a que a lude o i nciso 1, do art. 7° da CF/88). 
O entend imento dominante no TST, entretanto, foi no sentido de 
que se trata de d i reito legítimo, uma vez que a Constituição traz, 
em verdade, o patamar mínimo de di reitos, podendo a lei i nfra­
constituciona l ampliá-los. 
O entendimento dos ju ristas de d i reito do trabalho pode ser 
vis lumbrado no enunciado n.1 da ia Jornada de Direito e Processo 
do Trabalho, cujo conteúdo é o seguinte: 
"Os direitos fundamentais devem ser interpretados e aplica­
dos de maneira a preservar a íntegridade sistêmica da Cons­
tituição, a estabilizar as relações sociais e, acima de tudo, a 
oferecer a devida tutela ao titular do direito fundamental. No 
Direito do Trabalho, deve prevalecer o princípio da dignidade 
da pessoa humana." 
As normas constitucionais, de alguma forma, i ncidem diretamen­
te sobre as relações concretas; essa aptidão de incidir nas relações 
é chamada de eficácia jurídica. Sobre essa eficácia há uma concep­
ção moderna e uma tradicional . 
Concepção tradicional (sistema americano): leva em conside­
ração as normas constitucionais segundo a sua habi l idade para a 
ap licação e eficácia . É defendida por Pontes de Miranda e preva­
lece no direito do trabalho (na área trabalhista podemos destacar 
Alice Monteiro de Barros, que defende a sua ap licação). Para esses 
doutrinadores, a norma constitucional divide-se em dois grupos, 
a saber: 
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- norma autoaplicável (self-executing): é aquela que é "bas­
tante em si" (Pontes de Miranda), tendo aplicabilidade 
FONTES DO DIREITO DO TRABALHO 
imediata, pois não precisam de norma infraconstitucional 
que com p lete o seu preceito, para que possa ser apl i ­
cada. Todos os e lementos de concretização do preceito 
normativo já estão devidamente presentes na norma. 
- norma não auto-aplicável (not self-executing): depende de 
outra norma para ser aplicável. Ou seja: o preceito cons­
tante da norma depende de ser regu lamentado por outra 
norma, que lhe confirma apl icabi l idade e efetividade. 
\ufffd Atenção! 
É comum se questionar exem plos de d ireitos não auto-aplicáveis no 
d ireito do trabalho. Podem ser exemplificados o adicional de penosi­
dade, art. 7°, XXl l l , a participação nos lucros e resultados, art. 7°, XI , e 
o rol de direitos dos domésticos elencados no parágrafo único do art. 
7°, em que é feita a exigência de que sejam "atendidas as condições 
estabelecidas em lei" para a sua apl icação (1, l i , I l i , IX, XII, XXV e XXVl l l ) . 
Concepção moderna: é adotada por muitos constitucionalistas 
pátrios (a exemp lo de José Afonso da Silva e Celso Antônio Ban­
deira de Mel lo). Segundo essa vertente, a norma constitucional é 
sempre aplicável, mas em níveis d iferentes. Essa doutrina divide 
a norma em: 
- norma de eficácia plena: basta por s i só . É d ireta, imedia­
tamente e i ntegralmente ap licáve l. 
- norma de eficácia contida: se apl ica direta e imed iatamen­
te, pois já possui regulamentação suficiente para a sua 
apl icabi l idade. Elas geram efeitos por si só, mas depen­
dem de lei infraconstitucional que delimite a sua aplica­
ção (dá l imites de apl icação). 
- norma de eficácia lim itada: depende de regulamenta­
ção pela norma infraconstitucional (falta o conteúdo da 
norma). 
\u2022 Convenções internacionais: Nos interessa apenas tratar es­
pecificamente das convenções da Organ ização I nternacional 
do Trabalho - OIT. 
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Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
THAIS MENDONÇA ALELUIA 
A OIT é um ramo da ONU que tem por final idade a organização 
internacional do Direito do Trabalho para promoção e melhoria 
das condições de trabalho · Visa acabar com o "dampíng universa l 
social", ou seja, tentar fazer com que todos os países mantenham 
uma boa condição de trabalho, que os países e levem suas condi­
ções de trabalho. 
As normas da OIT podem ser de três tipos: 
a) Convenção Internacional: É espécie de tratado multila­
teral, aprovada em assem bleia com posta pelos países 
mem bros. 
Note-se que o tratado i nternacional é, em geral, bi lateral . Já a 
convenção é mu lti lateral, de tal sorte que q ualquer país pode ade­
rir ao seu conteúdo. A adesão é facultativa, ou seja, o país adere à 
convenção internacional se e le qu iser e quando quiser. 
Os textos das convenções trazem patamar universal mínimo . 
As convenções da O IT caracterizam-se por duas constatações: 
são normas que versam sobre direitos humanos (do trabalhador) 
e trazem patamar mínimo, traduzindo uma tendência de evolução. 
O objetivo da OIT, ao ed itar a norma, é que o país que a internal ize 
parta daque le preceito de garantia mínima e evo lua. 
O ingresso da norma internacional no ordenamento jurídico de 
cada país depende da i nterpretação sobre a hierarquia das fontes 
do país destinatário· Há duas teorias: 
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(1) Monismo: de acordo com essa teoria, o sistema in­
ternacional e o sistema nacional compõem um só 
sistema· 
(i . 1) monismo radica l ou estremado: como sistema 
m onista, o sistema i nternacional e o sistema na­
cional são um só, assim, a norma internacional 
vai ter prevalência sobre a norma nacional em 
caso de ratificação, automaticamente. 
( i .2) monismo moderado: o i ngresso da norma é au­
tomático no sistema, quando ratificada no plano 
i nternacional, mas a legislação i nterna guarda a 
sua supremacia sobre o conteúdo das normas 
i nternacionais. 
Robson
Sublinhado
Robson
Sublinhado
FONTES 00 DIREITO DO TRABALHO 
(2) Dua lismo: sistema i nternacional e nacional são dois 
sistemas dissociados, de tal forma que a norma i nter­
nacional apenas pode ter vigência nacional se i n cor­
porada ao ordenamento. 
(2.1) dualismo radica/ ou estremado: requer a edição 
de lei i nterna para a incorporação do tratado à 
ordem jurídica. 
(2.2) dualismo moderado: submete a norma a alguns 
critérios de aprovação, porém dispensa a con­
fecção de lei. A incorporação segue um procedi­
mento próprio, que não n ecessariamente im pl i ­
ca criação de le i .