Direito do Trabalho   Thais Mendonça Aleluia (2014)
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Direito do Trabalho Thais Mendonça Aleluia (2014)


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Parece ser o sistema brasileiro. 
Não há um consenso, nem mesmo nas decisões do STF, sobre 
qual seria o sistema brasi leiro, oscilando entre o dual ismo mode­
rado e o monismo nacional ista ou moderado. 
No sistema nacional, depois de ratificada, a norma i nternacional 
deve ser i nternal izada ao sistema brasi le iro . 
De acordo com o art. 49, 1 da CF/88, é obrigatória a submissão 
da norma à autoridade competente (Congresso Nacional). Depois 
d isso, é publicado o texto da convenção em língua nacional . Feita a 
publicação, a norma é enviada para a aprovação. 
Nesse momento, poderá i ngressar no ordenamento como: 
antes da reforma do judiciário (EC 45/04): havia u ma 
discussão quanto ao art. 5°, §1° da CF/88. Este dispo­
sitivo determina que o rol dos d i reitos fundamentais 
não é taxativo . Com isso, muitos entend iam que, sen­
d o norma i nternacional sobre direitos fundamentais, 
ela i ngressaria n esse rol não taxativo. Seria, portanto, 
norma constitucional. O STF não e ntendia dessa forma, 
considerando que era apenas lei ord inária 
depois da reforma do judiciário (EC 45/04): foi in ­
serido o §3° no art. 5° da CF/88, segundo o qua l é 
possível que u ma norma internacional de direitos 
fundamentais i n gresse no ordenamento com força de 
norma constitucional, desde que aprovado com qu­
orum específico de emenda constitucional ("§ 3°. Os 
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Sublinhado
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tratados e convenções internacionais sobre direitos 
hu manos que forem aprovados, em cada Casa do 
Congresso Nacional , em dois tu rnos, por três qu intos 
dos votos dos respectivos membros, serão equivalen ­
tes às emendas constitucionais"). Visto isso, se não 
for aprovada a norma i nternacional com o quorum de 
emenda, terá força de norma su pra legal . 
Diante disso questiona-se: em uma antinomia entre CLT e conven­
ção internacional, qua l deve prevalecer? Segundo o entendimento 
do STF, i n ic ia lmente, deveria ser ap licada a convenção. Entretan­
to, no direito do trabalho, o pri ncípio a ser a plicado é aque le da 
norma mais favorável . De sorte que a hierarq uia da norma não é 
capaz de i nfluenciar na ap l icação. Dado que as normas i nternacio­
nais, em geral, contém patamares mínimos de direitos, é possível 
que a norma interna, CLT, se mostre mais benéfica ao em pregado 
e, consequentemente, será a pl icada. 
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b) Recomendações: são propostas de política legislativa . 
Não têm força vinculante . As recomendações visam de­
monstrar para os países qual a l inha axio lógica a ser ado­
tada na ed ição das normas trabalh istas. 
c) Declarações da OIT: são esclarecimentos, ou seja, entendi­
mentos internacionais, acerca de determinadas questões 
trabalhistas. Um exem plo de declaração ocorreu quando 
a O IT fo i p rovocada a se pronu nciar sobre a natureza do 
serviço mi l itar obrigatório, considerando que o trabalho 
é facultativo . Na sua declaração, a O IT entendeu se tratar 
de um trabalho forçado lícito. A declaração veio a compor 
a atual Convenção 29, ratificada pelo Brasil em 25/04/1957 
("Art. 2 - i. Para os fins da presente convenção, a expres­
são 'trabalho forçado ou obrigatório' designará todo tra­
balho ou serviço exigido de um ind ivíduo sob ameaça de 
qua lquer penal idade e para o qual ele não se ofereceu 
de espontânea vontade. 2. Entreta nto, a expressão 'tra­
balho forçado ou obrigatório' não compreenderá, para 
os fins da presente convenção: a) qua lquer trabalho ou 
serviço exigido em virtude das leis sobre o serviço mi litar 
obrigatório e que só compreenda trabalhos de caráter 
puramente mi l itar; ( . . . )") . 
FONTES 00 DIREITO DO TRABALHO 
Sobre as normas i nternacionais, vale destacar o entend imento 
constante do Enunciado n. 03 da ia Jornada de Direito Material e 
Processual na Justiça do Trabalho , que consistiu em evento que 
reun iu doutrinadores e ju ristas da área trabalhista, com a final ida­
de de discutir o d ireito e o processo do trabalho. Naquela oportu­
n idade, entend eram que as normas internacionais devem ser uti­
l izadas, a inda quando não ratificadas pelo Brasil, seja na condição 
de fonte de interpretação , seja na condição de fonte materia l de 
direito do trabalho. 
E is o conteúdo: 
3. FONTES DO D IREITO - NORMAS I NTERNACIONAIS. 
1 - FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. D IREITO COMPARADO. CON­
VENÇÕES DA OIT NÃO RATIFICADAS PELO BRASIL. O Direito Com­
parado, segundo o art. 8° da Consolidação das Leis do Tra­
balho, é fonte subsidiária do Direito do Trabalho. Assim, as 
Convenções da Organização Internacional do Trabalho não 
ratificadas pelo Brasil podem ser aplicadas como fontes do 
direito do trabalho, caso não haja norma de direito interno 
pátrio regulando a matéria . 
li - FONTES DO DIREITO DO TRABALHO. D IREITO COM PARADO. CON­
VENÇÕES E RECOMENDAÇÕES DA OIT. O uso das normas interna­
cionais, emanadas da Organização I nternacional do Traba­
lho, constitui-se em importante ferramenta de efetivação do 
Direito Social e não se restringe à aplicação direta das Con­
venções ratificadas pelo país. As demais normas da OIT, como 
as Convenções não ratificadas e as Recomendações, assim 
como os relatórios dos seus peritos, devem servir como fon­
te de i nterpretação da lei nacional e como referência a re­
forçar decisões jud iciais baseadas na legislação doméstica. 
\u2022 Leis: Têm força vinculante e são marcadas pelas caracterís­
ticas da abstração e generalidade . Portanto, são de obser­
vância n ecessária, advindas do Poder Públ ico. 
Decretos do poder executivo: Servem para regulamentar a 
norma , sem u ltrapassar e nem contrariar os seus valores. 
É aqui que surgem as instruções normativas, as portarias e as 
normas regulamentares. Elas podem reger uma situação dentro da 
competência fornecida pela lei , que delega ao Poder Executivo a 
regulamentação de a lgumas matérias. Um exemplo é o art. 190 da 
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Robson
Sublinhado
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Sublinhado
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CLT, que delega ao Min istério do Trabalho a del imitação de quais 
atividades serão consideradas insa lubres. 
sentença Normativa: O D i re ito do Traba lho é tend ente à 
a utorregu lamentação. Assi m, p retende-se que o negociado 
e ntre os desti natários das normas traba lh istas consigam su­
pera r o mín imo legis lado. Na autorregu lamentação temos 
o acordo coletivo de trabalho e a convenção coletiva de 
trabalho , sobre os quais d iscorreremos nas l i nhas a segu i r. 
To davia, é possível que as partes da relação não consigam, 
d i retamente, ati ngir u m consenso, tendo que, de comum 
acord o, buscar a ajuda do Poder j ud iciário. I sso ocorre por 
me io do dissíd io coletivo. Destarte, a heterorregulamen­
tação ocorre no dissídio coletivo , que é j u lgado mediante 
uma sentença normativa, capaz de criar os d i reitos que re­
gerão, ge nérica e abstrata mente, aque la catego ria . Reú ne 
as características da abstração, generalidade, imperativi­
dade, sendo um ato com capa de poder judiciário e conte­
údo de poder legislativo - trata-se de função anômala do 
Poder jud ic iário, que atua como órgão legifera nte. A norma 
emana do poder jud iciário, mas tem conteúdo de norma 
de poder legislativo, na medida em que dispõe sobre os 
d i reitos que irão reger a relação das partes abrangidas 
pelo d issíd io . 
2.2.2. Fontes Formais Autônomas 
São aquelas produzidas pelos próprios destinatários, ou seja, 
pelos atores da relação socia l . São exem plos de fontes formais au-
tônomas os Acordos Coletivos de Trabalho, Convenções Coletivas 
de Trabalho e Costumes. 
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\ufffd Como esse assunto é cobrado nas provas? 
(FCC - Analista Judiciário - TRT 24/2011) Maria, estudante de d ireito, está 
discuti ndo com o seu colega de classe, Denis,