APOSTILA PRÓTESE TOTAL
66 pág.

APOSTILA PRÓTESE TOTAL


DisciplinaÓrtese e Prótese1.349 materiais6.893 seguidores
Pré-visualização27 páginas
com sua conseqüente reabsorção.
b) Perda de função
Com a perda dos dentes e conseqüente perda de função do osso alveolar, há reabsorção dos rebordos alveolares. Essa reabsorção é progressiva, o processo alveolar torna-se mais arredondado e sua crista menos pronunciada.
Na maxila a reabsorção dá-se, principalmente, às custas da tábua óssea (vertente) vestibular, persistindo uma forma delgada.
Na mandíbula essa reabsorção dá-se às custas tanto da vertente vestibular como da lingual, havendo uma diminuição mais dramática na altura do rebordo.
O último estágio da reabsorção óssea da maxila seria uma imagem plana do rebordo superior e em casos extremos, (geralmente ligados ao uso de prótese mal adaptada) a projeção do septo nasal (cartilaginoso) na altura do rebordo alveolar anterior. Essa situação confere ao paciente um perfil característico conhecido como "perfil de polichinelo".
c) Causas mecânicas
Coletamos as opiniões de alguns autores sobre o assunto: assim é que Clark citou a pressão e a dor provocadas por próteses totais defeituosas como uma das causas principais da reabsorção óssea.
Mc Millan crê que as modificações ao nível dos rebordos alveolares são devidas a estímulos de ordem fisiológica ou a ausência desses estímulos.
Grohs (in Aldrovandi, C.1960): "O osso se reabsorve em pontos de excessiva pressão; os tecidos moles atrofiam-se ou hipertrofiam-se, dependendo do estímulo a que são submetidos".
"A compressão dos tecidos determina uma hiper-atividade circulatória em determinados pontos do osso, com a conseqüente mobilização do cálcio, acompanhada de uma rarefação óssea".
O osso basal apresenta um complexo suprimento sangüíneo, originário de duas fontes:
- periósteo
- sistema interno arterial
"A pressão excessiva da base da dentadura sobre o osso do rebordo residual, pode gerar insuficiência circulatória que acelera a reabsorção. Um dos fatores dessa pressão é o tipo de oclusão criado pelo dentista". ORTMAN (1977)
d) Estados patológicos
Page considera a reabsorção como sendo devida a influências orgânicas de ordem geral ligadas a insuficiência do estímulo local.
Acredita, esse autor, que pode haver diminuição do processo pela correção de insuficiências endócrinas e o uso de uma dieta balanceada. Já Key estabelece uma diferença entre ATROFIA, que afetaria todo um osso ou ossos e REABSORÇÃO óssea, que afetaria partes de um mesmo osso. 
Segundo Key a atrofia é devida ao desuso, inflamação ou traumatismo enquanto a reabsorção seria devida à pressão, distúrbios neurotróficos ou atividade celular.
Schour e Massler, em estudos sobre os efeitos das glândulas endócrinas no crescimento do esqueleto facial, confirmam os estudos de Page.
"Na construção de próteses totais, o objetivo principal é a preservação dos rebordos alveolares; os objetivos secundários serão a eficiência mastigatória e a estética". TRAPOZZANO, V.R. (1959)
Podemos, para fins de estudo e análise dividir os tecidos de sustentação em tecidos: MÓVEIS E IMÓVEIS.
TECIDOS MÓVEIS a fibromucosa e tecidos adjacentes;
TECIDOS IMÓVEIS o tecido ósseo de suporte.
Essa classificação tem cunho exclusivamente didático pois, como vimos, nem a fibromucosa é um tecido eminentemente móvel nem o osso é absolutamente estável em suas dimensões.
Feito este apanhado preliminar podemos passar ao estudo dos:
MEIOS DE RETENÇÃO DAS PRÓTESES TOTAIS MUCOSUPORTADAS
RETENÇÃO é a capacidade da prótese de resistir às forças extrusivas que tendem a deslocá-la de sua posição.
Neste item, estudaremos o que mantém as próteses mucosuportadas em posição, quais as forças envolvidas nessa retenção e como poderemos tirar melhor partido deste ou daquele meio de retenção.
Como fator de retenção poderemos citar: a atividade muscular exercida, inconscientemente, pelo próprio paciente, mantendo a adaptação dos tecidos circunjacentes às bordas da prótese. É evidente que não poderemos contar com esta capacidade do paciente ao confeccionarmos próteses e sim devemos criar as condições necessárias para que isso ocorra.
Vamos nos valer de meios FÍSICOS de retenção:
a) Gravidade: força que age de maneira positiva para a mandíbula e negativa para a maxila. Houve época em que se utilizava a gravidade como um auxiliar para a retenção de próteses mandibulares, aumentando o peso das próteses totais mandibulares.
Como já vimos ao estudarmos as causas de reabsorção óssea, esta sempre acompanha o aumento de pressão; notadamente quando esta pressão faz-se de maneira irregular e arbitrária. Mesmo não levando em consideração o desconforto causado ao paciente, o simples conhecimento das leis de reabsorção já contra-indica o uso da gravidade como fator auxiliar na retenção de próteses totais.
b) Adesão: podemos conceituar a adesão como a força de atração inter-molecular existente entre as moléculas da superfície de um determinado corpo e as moléculas superficiais de outro, quando em íntimo contato. Para melhor compreendermos a adesão devemos estudar outra força inter-molecular que é a COESÃO.
Poderíamos conceituar a coesão como aquela força inter-molecular existente entre as moléculas de um mesmo corpo, força essa que mantém a unidade da substância como um corpo. As forças de coesão é que são responsáveis pela TENSÃO SUPERFICIAL nos líquidos.
Podemos entender o mecanismo da adesão com um esquema:
Há coesão entre as moléculas da fibromucosa; coesão entre as moléculas da saliva. Se tivermos um íntimo contato entre a saliva e a fibromucosa, rompendo a tensão superficial da saliva, essa força se exercerá, em forma de adesão tendendo a manter unidas a película de saliva e a fibromucosa, como um corpo único. Por outro lado temos coesão entre as pérolas de resina da base da prótese total; coesão entre as moléculas da saliva; se mantivermos um intimo contato entre as duas, rompendo a tensão superficial da película de saliva; as forças de tensão superficial da saliva exercerão adesão sobre a resina da base da prótese total. Seguindo esse raciocínio, se tivermos um intimo contato entre a base da prótese total e a fibromucosa de maneira que reste apenas um filme de saliva interposto, as forças de tensão de saliva agirão tanto sobre a base da dentadura como sobre a fibromucosa mantendo-as em contato e impedindo sua separação.
Podemos visualizar esse fenômeno quando unimos duas placas de vidro com água interposta; quanto menor for a película de líquido mais difícil será a separação das placas.
STANITZ estudou esse aspecto da retenção elaborando a fórmula:
		F= 2A x C/E
				F = força de retenção
				A = área de contato
				C = coeficiente de tensão superficial
				E = espessura do líquido
Verifica-se que a força de retenção é diretamente proporcional a 2x a área recoberta e ao coeficiente de tensão superficial da saliva; indiretamente proporcional à espessura da película líquida interposta.
c) Pressão atmosférica:
É do conhecimento geral que se retirarmos o ar contido entre dois hemisférios em contato será dificílima a sua separação. Isso se dá devido à pressão exercida pela atmosfera.
Podemos nos utilizar dessa força auxiliar e realmente o fazemos, quando da construção de nossos aparelhos protéticos, procurando o ajuste perfeito entre a base e a fibromucosa, que reduza a película líquida a um filme e o "selamento periférico" das bordas da prótese com o fito de impedir a permanência de bolhas de ar entre a base da dentadura e a fibromucosa.
Depreende-se que quanto mais intimo for o contato da base da prótese total com os tecidos de suporte, menor será a espessura da película de saliva e maior a força de adesão.
Quanto mais intimo for o contato das bordas da prótese total com os tecidos circunvizinhos, menor será a possibilidade de entrada de ar entre as partes e mais efetiva será a ação da adesão e da pressão atmosférica como meios de retenção.
Princípios Biomecânicos das Próteses Totais:
1. adesão
Elen
Elen fez um comentário
tem sim, manda seu email
0 aprovações
KARINE
KARINE fez um comentário
Oi.. Tem como enviar esse arquivo pro meu email?/
1 aprovações
Carregar mais